Brasil

26/11/2011 às 16h21

Grupo holandês lança no Brasil projeto de voos particulares ao espaço

Redação Portal A8
Divulgação (R7)

A Terra recebeu o seu habitante número sete bilhões dias atrás. Outros bilhões de humanos, como se sabe, passaram pelo planeta mas não estão mais por aqui.

De todos esses, vivos ou mortos, apenas 500 tiveram a oportunidade de viver um momento encantado: romper a barreira da atmosfera em uma aeronave, subir até o espaço, flutuar na ausência da força da gravidade e, de lá, ver como a Terra é linda e azul. Esses 500 eleitos pelo destino são os astronautas das missões oficiais e governamentais realizadas do início da corrida espacial até hoje.

Há, no entanto, uma novidade relevante flutuando no espaço: a partir de 2014, você, nobre amigo, ou qualquer outro cidadão, poderá entrar para essa galeria de privilegiados. Mas não a serviço de um governo, e, sim, como um astronauta da iniciativa privada.

Você se tornaria um dos primeiros cidadãos do mundo a romper os limites do espaço numa missão organizada por um grupo particular.

Para isso, o candidato vai precisar de alguma coragem, um pouco de espírito de aventura, da saúde em dia, de um pouco de tempo disponível para o treinamento e... U$ 95 mil, ou cerca de R$ 180 mil, disponíveis para gastar na brincadeira apaixonante.

O projeto, o SXC - Space Expedition Curaçao, criado por empresários e astronautas experientes, administrado a partir da cidade holandesa de Amsterdã e com base de operações na bela ilha de Curaçao, no Mar do Caribe, foi lançado no Brasil na noite desta sexta-feira (25), em São Paulo.

Apesar do preço para lá de salgado, como a rigor não poderia deixar de ser em projetos como este, o SXC, com seu apelo absolutamente encantador, tem tudo para marcar época.

O ponto central do projeto é a X-Cor Lynx, uma aeronave projetada para carregar apenas duas pessoas: o piloto e, ao lado dele, como copiloto, a pessoa que pagou pela aventura de ser um astronauta de primeira viagem.

A X-Cor Lynx incorporou soluções de tecnologia para permitir que o novo aventureiro retire as maiores emoções possíveis da experiência de ir e voltar ao espaço em uma hora de jornada.

O vidro da cabine, enorme e panorâmico, permite visões impressionantes da Terra e do espaço.

A aeronave é preparada para planar com toda a segurança.

Seus quatro poderosos motores a jato podem ser ligados e desligados a qualquer momento que o piloto necessite retomar o voo por propulsão.

Ao contrário das primeiras naves e de ônibus espaciais como Discovery e Columbia, a Lynx não se desprende de foguetes transportadores depois de seu lançamento, não precisa de porta-aviões para qualquer manobra e tampouco faz aterrissagens no mar, com módulos separados, no retorno da expedição.

Divulgação (R7)

Ela vai decolar de uma pista especialmente preparada no aeroporto internacional de Hato, na ilha de Curaçau, para voos de uma hora. De acordo com idealizadores do projeto, ela teria capacidade de fazer 5 mil dessas jornadas.

Nessas viagens espaciais, a Lynx romperá a barreira do som (1.234,8 km/h) pela primeira vez com apenas um minuto de voo após a decolagem e atingirá a velocidade máxima de subida (três vezes a velocidade do som, ou espantosos 3.704,4 km/h) aos três minutos de trajeto.

Aos 58,5 km de subida, os motores são desligados e a aeronave continua a subir na força residual, no "embalo" dos propulsores.

O pico da jornada está a 103 km de altura, já fora da atmosfera e no ambiente do espaço (a divisão entre a atmosfera e o espaço é convencionada em 100 km de altura).

A partir deste ponto, por quatro a seis minutos, piloto e copiloto flutuam e passam por outras experiências rápidas sem a G-Force, ou seja, a força da gravidade que, na Terra, puxa tudo para o chão.

A partir daí, com os motores desligados e Lynx planando, começam a descida e o retorno à mesma pista de onde a nave decolou.

Antes disso, alguns círculos e flutuações, para que o astronauta de primeira viagem se divirta ainda mais.

Após 30 a 40 minutos de um delicioso voo de descida sem motor, conhecido no meio como "flutuar nas asas de um anjo", a Lynx, uma hora depois da partida, aterrissa no Spaceport do aeroporto de Curaçao.

A descrição da viagem feita pelos astronautas criadores do projeto e piloto das naves é ainda mais emocionante.

Fonte: R7