Brasil

04/05/2010 às 19h54

Governo recomenda critérios para gravidez de portadoras de HIV

Redação Portal A8

Um estudo do Ministério da Saúde que faz recomendações a mulheres portadoras do vírus da AIDS que querem engravidar deve estar disponível na rede pública de saúde no final de junho deste ano.

Entre as recomendações, o documento pede que casais que tenham um ou os dois como portadores do HIV façam a relação sexual sem camisinha com o objetivo de ter filhos apenas durante o período fértil e não deixem de fazer o tratamento com o antirretroviral. Tomado os devidos cuidados citados, a chance de transmissão da doença pode cair para 1%. As informações são da diretora do Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Mariângela Simão.

Segundo a diretora, o documento está sendo elaborado desde o fim de 2009 junto a comitês técnicos, por causa do aumento de mulheres com o vírus que estão engravidando a cada ano. Só em 2009, pelo menos 3.000 ficaram grávidas, de acordo com a diretora.

- Esse é um fato que veio com a feminilização da Aids. Vemos o aumento no número de heterossexuais e mulheres com Aids e a principal motivação para essas recomendações está ligada ao aumento da sobrevida e da qualidade de vida do HIV positivo. Fazendo tratamento e se cuidando direito, eles têm mais chance de morrer de outra patologia do que de Aids.

Recomendações
Ainda segundo a diretora, deve-se levar em conta quem é o portador. Se for a mulher, tem de ser considerado se a carga viral em seu sangue está baixa, se o estado de saúde dela está em ordem e se está reaagindo bem ao tratamento com os antirretrovirais. Nesses casos, o tratamento deve ser levado adiante durante a gravidez e a criança deve também tomar o antirretroviral nos primeiros meses. "A chance de transmissão nestes casos é de 1%", segundo Mariângela.

Já se o homem for o portador, há a possibilidade de se fazer a lavagem do esperma, retirando o vírus do espermatozoide, que será introduzido no óvulo da parceira por meio de reprodução assistida. Esse serviço é realizado em clínicas de reprodução e no serviço público de São Paulo.
- Como é um procedimento caro, nem todos podem fazer. Esperamos que ele possa ser oferecido pela rede pública daqui algum tempo.

Mariângela reitera que o documento ainda está sendo finalizado e que, portanto, o ministério não faz apologia à prática sexual sem o uso da camisinha entre casais com portadores do HIV.

- Isso não significa que todo mundo pode sair transando sem camisinha por aí.

Fonte: R7