Brasil

04/03/2009 às 09h21

Após denúncia, diretor-geral do Senado entrega cargo a Sarney

Agaciel Maia é acusado de não declarar à Justiça uma casa no valor de R$ 5 milhões em bairro nobre de Brasília

Redação Portal A8

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), aceitou nesta terça-feira, 3, em caráter definitivo o pedido de afastamento do diretor-geral da Casa, Agaciel Maia. Sarney disse que "uma solução transitória enquanto se apura as denúncias manteria o problema latente, por isso, a decisão é definitiva", declarou após um breve encontro com Maia, no gabinete da Presidência do Senado, quando recebeu a carta do funcionário pedindo o afastamento definitivo do cargo. Mas antes disso, ele já havia conversado com Maia. Sarney disse que agora cabe ao Tribunal de Contas da União (TCU) examinar o assunto com base na declaração patrimonial de Agaciel Maia.

A decisão de afastar Agaciel Maia foi tomada na noite da última terça em conversa que Maia teve com Sarney. No encontro, constatou-se que as denúncias contra o diretor-geral continuariam em evidência, além da pressão dos partidos de oposição no Senado, que se intensificou. Assumirá o cargo interinamente, até a escolha definitiva do substituto, o atual diretor-geral adjunto da Casa, Alexandre Gazineo.

Agaciel estava na diretora-geral há 15 anos e foi colocado no cargo na primeira gestão de Sarney na presidência do Senado. Agaciel entrou em 1984, no Trem da Alegria como datilógrafo, comandado pelo então presidente Moacyr Dalla. Agaciel Maia é acusado de comprar uma casa de 960 metros quadrados, avaliada em R$ 5 milhões,não declarada à Receita e nem à Justiça Federal.

Na última segunda, ele apresentou diversos documentos para contestar reportagem publicada na Folha de S. Paulo alegando que ele teria escondido da Justiça a casa em bairro nobre de Brasília. Apresentando declaração de Imposto de Renda, certidão negativa e escritura, ele comprovou que declara a casa desde 1996, quando a comprou. Agaciel disse que, na época, pediu a seu irmão, o deputado João Maia (PR-RN), que comprasse a casa quando ela havia sido anunciada, em setembro de 1996, enquanto ele pudesse vender o imóvel em que morava e comprasse a casa do irmão, o que ocorreu dois meses depois.

A reportagem acusa Agaciel de ter escondido a casa por estar com os bens indisponíveis pela Justiça. "Não estava com meus bens indisponíveis e a prova é a escritura original, que mostra que vendi a casa em que morava. Não poderia vender um bem se os meus bens estivessem indisponíveis", disse. "A afirmação de que estava escondendo minha casa também não é verdadeira. Estranho é alguém dizer que você estava escondendo uma casa onde você mora há 13 anos", completou.

Agaciel ainda contestou o valor dado à casa pela reportagem. Segundo ele, por ser em frente a uma usina de tratamento de lixo, o imóvel está desvalorizado e poderia ser vendido "talvez por R$ 2,5 milhões, nunca por R$ 5 milhões".

Fonte: Estadão