Economia e Inovação

Por: Sudanês B. Pereira

11/10/2021

US$ 6,4 Bilhões Investidos em Startups na América Latina no 1º Semestre de 2021

A Associação de Investimento de Capital Privado na América Latina (LAVCA), é uma organização sem fins lucrativos dedicada a apoiar o crescimento do capital privado na América Latina e no Caribe. A associação é composta por mais de 170 empresas, desde firmas líderes em investimento global, gestores de fundos locais, a escritórios familiares, fundos soberanos globais, investidores corporativos e fundos de pensão internacionais. As empresas-membro controlam ativos superiores a US$ 65 bilhões, direcionados à capitalização e ao crescimento dos negócios latino-americanos.

A metodologia da LAVCA considera as startups com sede na América Latina e operações na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Peru, Uruguai e Venezuela.

Startups sediados nos Estados Unidos ou fora da América Latina são incluídos se foram fundados por um latino-americano, têm operações significativas na região e atendem a um mercado latino-americano.

De acordo com o último relatório - Latin American Startup Directory 2021 -, o investimento de risco vem crescendo na América Latina de forma expressiva desde 2017, quando os aportes ultrapassaram o montante de US$ 1,1 bilhão. Os dados mostram que 2019 foi o ano que aconteceu o maior aporte de recursos em startups na América Latina (US$ 4,8 bilhões). Em 2021, os dados já indicam que no primeiro semestre já foram investidos US$ 6,4 bilhões em startups na região. Ver o gráfico 1.

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Gráfico 1. Investimento de Capital de Risco na América Latina - Em Bi US$ (2013-2020).png

O número de startups que estão recebendo aportes superiores a US$ 1 bilhão tem aumentado na região, o que indica a existência de excelentes projetos, criatividade, inovação e conexão com necessidade por resolução de problemas para o mercado, ou mesmo abertura de novo mercado. Ver o gráfico 2.

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Gráfico 2. Número de Startups na América Latina que Tiveram Aporte Superior a Um Milhão (US$) 2019-2021 .png

Principais Verticais de Negócios de Tecnologia na América Latina

Em 2020, os gestores de fundos investiram cerca de US$ 4,1 bilhões em 488 startups na América Latina, sendo que US$ 1,6 bilhão foi direcionado para o seguimento das Fintech (127 no total) e US$ 507 milhões para as startups de E-commerce (49 startups).

Um montante significativo de US$ 300 milhões foi para uma única startup no segmento de Super apps [1]. Em 2019, uma startup desse mesmo segmento recebeu um aporte de US$ 1,0 bilhão. Também em 2020, trinta startup do segmento de Propetch (property technology - mercado imobiliário) receberam aporte de US$ 257,4 milhões. O gráfico 3 logo abaixo, ilustra as informações sobre os principais verticais de negócios de tecnologia (segmentos de startups) na América Latina e seus aportes.

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Gráfico 3. Principais Verticais de Negócios de Tecnologia da América Latina - Capital Investido (US$) em 2020 .png

Segundo o relatório, do total de startups que captaram mais de um milhão (US$) entre 2020 e primeiro semestre de 2021 na América Latina, 54% foram brasileiras e 20% mexicanas. Ou seja, os gestores de fundos investiram quase que 80% do investimento de capital de risco no Brasil e no México. Ver gráfico 4.

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Gráfico 4. América Latina – Percentual do Total de Startups que Captaram mais de Um Milhão (US$) 2020-2021 .png

Startups e Diversidade de Gênero

As startups lideradas por mulheres - startups com uma mulher CEO ou co-fundadora, representaram 16% das startups em 2020, arrecadando mais de US$ 1 milhão e já representam 15% no primeiro semestre de 2021.

As startups lideradas por mulheres que arrecadaram mais de 40 US$ milhões incluem Nubank, Loft, Kavak, Habi, Kushki, Warren, Casai e PetLove.

O Brasil no Latin American Startup Directory 2021

O aporte de investimento de venture capital (VC) no Brasil cresce significativamente desde 2017, quando foram investidos US$ 859 milhões em 113 negócios. Mas foi em 2020 que os gestores de fundos fecharam um número recorde de negócios no país, apesar do recorde de investimentos ter ocorrido em 2019, com US$ 2,4 bilhões. Ver o gráfico 5.

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Gráfico 5. Investimento de Venture Capital no Brasil, 2013-2020 (Em US$).png

Em 2020, as startups de Fintech atraíram mais da metade dos investimentos de capital de risco investidos no Brasil, e de longe segue as startups para o segmento do mercado imobiliário (US$ 197,4 milhões) e de e-commerce (US$ 156 milhões). O gráfico 6 ilustra os investimentos de capital de risco no Brasil por vertical tecnológica de negócios em 2020.

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Gráfico 6. Investimento (US$) de Capital de Risco no Brasil por Vertical Tecnológica de Negócios, 2020 .png

Comentários finais

As empresas tradicionais geralmente inovam com menos velocidade do que as startups, que são mais leves, menores, mais ágeis. Talvez seja por isso que grandes empresas estão comprando startups para ajudá-las a responder as demandas dos seus clientes de forma mais rápida.

O relatório da LAVCA mostra que a América Latina é um celeiro de ideias, criatividade e inovações, em particular em relação ao Brasil e México. No caso do Brasil, não obstante os recursos escassos do Governo Federal para ciência, tecnologia e inovação, os brasileiros conseguem ser inovadores, empreendedores e sabem aproveitar as oportunidades, independente das dificuldades locais.

O Estadão de ontem (10.10.), veiculou uma matéria na qual informa o crescimento no Brasil de fundos criados por empresas para investir em startups. O número de aporte já alcança o montante de US$ 622 milhões, onde os setores com mais fundos são o financeiro (16), varejo (15), tecnologia (14), serviços (7), saúde (7), indústria (6), telecom (5), educação (4), imobiliário/construção (4), outros (18).

Inovação, criatividade, ciência e tecnologia, é o CAMINHO para o desenvolvimento – econômico, inclusivo e sustentável.

[1] Super apps são aplicativos que não se limitam a uma única função, e podem oferecer múltiplos serviços em uma única plataforma (app Magalu, Mercado Livre, são dois exemplos).

Excelente semana!

Sobre o blog

Economista, com formação na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Mestre em Geografia (desenvolvimento regional) e Especialista em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Experiências no setor governamental (municipal e estadual), setor privado (Associação Comercial Empresarial de Sergipe - ACESE e Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo - Fecomércio), foi professora substituta no Departamento de Economia na UFS, pesquisadora e uma das fundadoras do Núcleo de Propriedade Intelectual, hoje Cintec-UFS.

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