Economia e Inovação

Por: Sudanês B. Pereira

22/03/2021

Tendências Globais de Consumo em 2021

A empresa de pesquisa de mercado global Euromonitor International divulgou o Relatório “Top 10 Global Consumer Trends 2021”, na qual revela as tendências que definirão o comportamento do consumidor e influenciarão as estratégias empresariais este ano.

As tendências fornecem insights sobre as transformações nos valores e no comportamento dos consumidores, e como estas deverão estimular a disrupção nos negócios em todo mundo. Segundo a pesquisa, resiliência e adaptabilidade são os fatores mais determinantes das principais tendências de consumo para 2021. Eis as tendências por blocos de insights.

1.Reconstruir o Melhor

As empresas devem colaborar para a criação de um mundo mais sustentável, promovendo a mudança de uma economia baseada em volume para uma baseada em valor, contribuindo para a solução da desigualdade social e dos danos ambientais. Os consumidores esperam iniciativas orientadas por propósitos que apoiem o tripé da sustentabilidade – pessoas, planeta e lucros.

Um fator interessante apontado na pesquisa foi a possibilidade de um “grande recomeço do comportamento”. A pandemia causou profundo impacto sobre as necessidades e os hábitos de compra das pessoas, isso pode permitir mudanças significativas de comportamento. A tendência é que os consumidores escolham marcas que ajudem a fazer do mundo um lugar mais limpo, saudável, resiliente e justo.

2.Desejo por Conveniência

No mundo pré-pandemia, os consumidores tinham o desejo por conveniência, e algumas delas passavam até despercebidas, a tendência tende a permanecer. As empresas devem manter a agilidade e a continuidade da jornada de compra em todos os canais. O comércio digital passou a oferecer uma experiência completa sem a interação física.

O relatório mostra que há uma pressão para que as empresas adaptem rapidamente suas operações, desenvolvendo novas experiências para o cliente, enquanto estes preservam os níveis de conveniência. Como os gastos dos consumidores diminuirão acompanhando a crise econômica, a conveniência terá um grande peso nas decisões de compra.

3.Oásis ao Ar Livre

A pandemia trouxe riscos à saúde e problemas sanitários, provocando mudanças na rotina laboral, como as restrições de mobilidade e a disseminação do trabalho remoto. As empresas adotaram medidas sanitárias e começaram a realizar eventos ao ar livre para que os consumidores se sentissem mais seguros e à vontade fora de casa.

Segundo o estudo, os consumidores ainda querem se socializar e estabelecer laços, apesar dos riscos associados às aglomerações. O Oásis ao Ar Livre - locais abertos onde se pode comer, fazer exercícios, socializar e relaxar -, oferece uma mudança de cenário e um local para fazer conexões longe das multidões. Aí está uma oportunidade, desde que realizada com responsabilidade e segurança.

4.Realidade Figital

A Realidade Figital é um modelo híbrido formado pelos mundos físico e virtual em que os consumidores podem viver, trabalhar, fazer compras e se divertir, fisicamente e online.

Essa é uma tendência que vai continuar a interligação do físico com o digital. Considerando essa realidade, a pesquisa aponta que as empresas podem integrar processos virtuais nos espaços físicos, com o objetivo de oferecer o conforto de uma visita, aos consumidores que preferem ficar em casa. Nesse sentido, a oferta de experiências virtuais nos lares é crucial para impulsionar as vendas online e a coleta de dados.

A pandemia forçou os consumidores a usar tecnologias digitais como, videoconferência, aparelhos inteligentes, realidade aumentada (RA) e realidade virtual (RV). Foram essas ferramentas que permitiram a viabilidade da Realidade Figital, que mantém os consumidores conectados virtualmente ao mundo exterior, apesar da distância física.

Um exemplo disso foi a geração de US$ 15,8 bilhões de vendas online globais de acessórios pessoais em 2020. O gráfico 1 abaixo ilustra as vendas do comércio digital global por dispositivo, no período de 2016-2019. É possível observar que as vendas através de celulares saíram de 38% em 2016 para 50% em 2019. De longe, essa é a segunda plataforma de vendas mais importante depois dos PCs

Gráfico 1. Vendas do Comércio Digital Global por Dispositivo

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Gráfico 1. Vendas do Comércio Digital Global por Dispositivo

Fonte: Euromonitor Internacioanl. Relatório 10 Principais Tendências Globais de Consumo 2021.

Integrar processos virtuais aos locais físicos será fundamental, pois a integração da realidade figital continuará impulsionando as vendas e viabilizando a coleta de dados, tanto online quanto na loja física.

5.Otimizando o Tempo

As empresas devem propor soluções que atendam ao desejo do consumidor de otimizar seu tempo, oferecendo uma maior flexibilidade, especialmente com relação a produtos e serviços acessíveis, a partir da casa do cliente ou nas proximidades.

Essa tendência aponta para a necessidades de atender às demandas individuais de tempo. Essa nova realidade vai mudar o modelo de operação das empresas, que precisarão adotar uma cultura de serviços disponíveis 24 horas. Nesse sentido, as empresas devem observar a forma como os clientes alocam seu tempo para reposicionar melhor os produtos e serviços, e desenvolver novas soluções.

6.Inquietos e Rebeldes

Em 2020, 29% dos consumidores globais estavam ativamente envolvidos em questões políticas e sociais. Os preconceitos e a desinformação causaram uma crise de confiança.

O estudo sugere que as empresas podem realizar ações de marketing mais precisas nas redes sociais, e no mundo dos games, dando voz aos consumidores e pressionando as plataformas a combaterem a desinformação em 2021. Em 2020, 37% dos consumidores compartilharam seus dados para receber ofertas personalizadas. A pesquisa diz que as experiências virtuais online continuarão relevantes, e as empresas sofrerão perdas se não considerarem estas possibilidades de crescimento e branding.

7.Obsessão por Segurança

Segurança e saúde nortearão o comportamento dos consumidores. As empresas devem implementar inovações e medidas estritas de segurança voltadas para a mitigação das preocupações dos consumidores.

Os questionamentos em torno da origem e da entrega dos produtos e serviços [rastreamento], estão elevando os padrões de segurança nos negócios. Além disso, métodos de pagamento sem contato também estão em alta, devido ao medo de entrar em contato com o dinheiro em espécie [sujo]. As necessidades dos consumidores evoluirão da higiene básica para a saúde geral. E atenção: vendas online e operações autônomas, serão adotadas amplamente onde for possível minimizar as interações humanas desnecessárias.

8.Abalados e Reflexivos

A pandemia mudou a rotina e o cotidiano das pessoas, limitando suas experiências, provocando mudanças comportamentais, e causando choques nas economias. Os consumidores estão reavaliando suas prioridades, reformulando o equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal.

A pesquisa aponta que o bem-estar psicológico está sendo a principal prioridade dos consumidores. Cerca de 73% dos consumidores, mencionaram que a depressão e a saúde mental exercem um impacto moderado ou grave em suas vidas.

Um dado importante divulgado na pesquisa, mostrou que antes da pandemia, cerca de 46% das pessoas vinculadas à Geração Z e 50% dos millennials, preferiam gastar seu dinheiro com experiências em vez de objetos. A tendência é ofertar experiências que permitam uma vida mais plena com saúde mental.

9.A Ordem é Pechinchar

Os consumidores estão cautelosos e moderados. Os gastos com supérfluos estão diminuindo devido às incertezas no cenário econômico. O momento é de priorizar produtos e serviços de valor agregado, alinhados às medidas sanitárias vigentes.

Cerca de 49% dos consumidores pretendiam, no início de 2020, economizar mais dinheiro nos próximos 12 meses. A perspectiva é que a insegurança financeira vai adiar as compras de alto valor, e os produtos supérfluos serão os mais impactados pela pandemia. Os itens essenciais sofrerão menos impactos. Os consumidores com consciência de valor estão movimentando a economia do compartilhamento e repensando aluguéis, revendas e negócios com marketing focado na acessibilidade e sustentabilidade.

Ou seja, o ambiente econômico continuará influenciando os gastos dos consumidores. Mas a pesquisa deixou claro que não existe uma abordagem aplicável a todos os casos. As marcas devem encontrar soluções inovadoras para recuperar valor e otimizar a equação preço-valor. Conveniência, maior presença online, entregas rápidas e serviços complementares são opções ao alcance das empresas para atingir este resultado.

10.Novos Espaços de Trabalho

Mais da metade dos consumidores globais (52%) tinham, até então, uma fronteira ou limite estrito, entre o trabalho (ou os estudos) e a vida pessoal. A expressão “fora do escritório” ganhou um novo significado em 2020.

A disseminação da Covid-19 provocou as medidas de distanciamento social e levou quase todos os trabalhadores a adotar o home office. A eliminação dos deslocamentos e dos escritórios convencionais, diminui a ocorrência de eventos, como tomar um café, resolver pendências na hora do almoço, e a socialização com colegas depois do expediente. O foco das inovações tecnológicas está em facilitar a colaboração remota.

Segundo o Relatório, o desafio de implementar operações totalmente remotas sem perda de produtividade resultará na popularização dos locais de trabalho híbridos. Encontrar o ponto de equilíbrio entre as prioridades profissionais e pessoais será fundamental, pois a eficiência da empresa e o bem-estar psicológico das pessoas dependem do sucesso destes novos espaços de trabalho.

Bem, essas são as tendências globais para o consumo em 2021. A pesquisa da Euromonitor conclui que as iniciativas focadas em responsabilidade e propósito mobilizarão os consumidores em 2021. Flexibilidade, agilidade, transparência e tecnologia abrirão o caminho.

Até o próximo texto!

Sobre o blog

Economista, com formação na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Mestre em Geografia (desenvolvimento regional) e Especialista em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Experiências no setor governamental (municipal e estadual), setor privado (Associação Comercial Empresarial de Sergipe - ACESE e Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo - Fecomércio), foi professora substituta no Departamento de Economia na UFS, pesquisadora e uma das fundadoras do Núcleo de Propriedade Intelectual, hoje Cintec-UFS.

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