Economia e Inovação

Por: Sudanês B. Pereira

28/09/2022

Quatro dos Cinco maiores Clusters de Ciência e Tecnologia do mundo estão no leste da Ásia

A Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) é o fórum global para políticas, serviços, informações e cooperação em propriedade intelectual. É a agência especializada das Nações Unidas que fornece serviços comerciais para obter direitos de propriedade intelectual (PI) em vários países e resolver disputas relativas à propriedade intelectual, além de oferecer programas de capacitação para ajudar os países em desenvolvimento a se beneficiarem do uso da PI.

O artigo dessa semana tem como base o relatório “Cluster Ranking” - The GII reveals the world ’s top 100 science and technology (S&T) clusters and identifies the most S&T- intensive top global clusters”. O relatório é uma espécie de press release do Índice Global de Inovação (GII) 2022.

Desde 2016, o Índice Global de Inovação (GII) busca identificar clusters de ciência e tecnologia (C&T) usando uma abordagem de baixo para cima. Essa abordagem desconsidera as fronteiras administrativas ou políticas e, em vez disso, identifica as áreas geográficas que apresentam uma alta densidade de inventores e autores científicos. Duas métricas de inovação são empregadas na compilação dos 100 maiores clusters de C&T do GII em todo o mundo: localização dos inventores listados nos pedidos de patentes publicados e autores listados nos artigos científicos publicados.

Os clusters de ciência e tecnologia são um elemento do GII maior, que indica as tendências mais recentes da inovação global.

Os principais clusters de ciência e tecnologia do GII 2022

Em 2022, os 100 maiores clusters de C&T estão concentrados em três regiões, América do Norte, Europa e Ásia e, principalmente, em dois países: Estados Unidos e China. Ver o mapa 1.

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Mapa 1. Os 100 principais clusters do mundo em 2022

Quatro dos cinco maiores clusters de ciência e tecnologia do mundo estão localizados no leste da Ásia - um no Japão (Tóquio–Yokohama), dois na China (Shenzhen–Hong Kong–Guangzhou, Pequim), um em Seul (República da Coréia) e o quinto nos Estados Unidos (San Jose, São Francisco). Entre os 100 melhores, (Japão) é o cluster com melhor desempenho.

Pela primeira vez, a China hospeda tantos clusters quanto os Estados Unidos, com 21 cada. A Alemanha segue com 10 clusters no top 100, com Colônia e Munique como os dois maiores clusters. O Japão tem cinco clusters no top 100, com Tóquio-Yokohama e Osaka-Kobe-Kyoto também representados nos 10 principais clusters em geral. Ver tabela abaixo.

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Tab. 1. Economias com três ou mais dos 100 principais Clusters de C&T, 2022

O relatório mostra que, com exceção da China, apenas cinco economias de renda média têm clusters no top 100:

⦁ Brasil (1 cluster), com São Paulo, o único cluster top 100 de C&T da América Latina;

⦁ Índia (4), com Bengaluru, Delhi e Mumbai, e Chennai;

⦁ República Islâmica do Irã (1), com Teerã;

⦁ Turquia (2), com Istambul e Ancara; e

⦁ Federação Russa (1), com Moscou.

Segundo a OMPI, entre os clusters mencionados, Ancara e Istambul, os dois clusters turcos, e Mumbai deram saltos significativos.

Usando a mesma metodologia empregada para a identificação dos 100 principais clusters de C&T, o GII 2022 também identifica clusters além dos 100 principais, sem determinar sua classificação precisa.

Sendo assim, foram identificados 123 clusters adicionais aos 100 principais, incluindo 23 clusters baseados nos Estados Unidos, 13 na China e na Alemanha e 10 na França e no Reino Unido.

Na Índia, destacam-se Calcutá, Pune e Hyderabad. Rio de Janeiro e Porto Alegre do Brasil, também foram adicionados, juntamente com São Petersburgo e Novosibirsk na Federação Russa. Portugal e Arábia Saudita, com dois clusters cada.

Entre as economias de renda média, Argentina, Egito, Malásia, México e Tailândia hospedam um dos principais clusters de C&T na lista estendida, a saber, Buenos Aires, Cairo, Kuala Lumpur, Cidade do México e Bangkok, respectivamente.

Intensidade em C&T dos 100 principais Clusters

Desde 2020, o GII também apresenta os 100 melhores clusters classificados por sua intensidade em C&T – ou seja, a soma de suas participações de patentes e publicações científicas, divididas pela população.

Considerando essa característica, muitos clusters europeus e norte-americanos mostram atividade de C&T mais intensa do que seus equivalentes asiáticos. Os Estados Unidos têm sete clusters no top 25 por intensidade de C&T, seguidos pela Alemanha com cinco, e Suíça e Suécia com três cada.

De acordo com o relatório, Cambridge no Reino Unido e Eindhoven na Holanda, são os clusters mais intensivos em C&T, seguidos por Daejeon (República da Coreia), San Jose–San Francisco (Estados Unidos) e Oxford (Reino Unido). A Suécia aparece com os clusters Lund–Malmö, Estocolmo e Göteborg. Ver o mapa 2 com os clusters europeus por intensidade em C&T.

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Mapa 2. Clusters Europeus por intensidade em C&T

Segundo a OMPI, a intensidade de C&T foi maior nos casos em que a atividade de patenteamento impulsionou a produção de um cluster, com 20 dos 25 principais clusters derivando a maior parte de sua produção de patentes.

Comentário final

Compreender a dinâmica competitiva dos clusters de inovação e seu impacto na competitividade das economias tornou-se uma prioridade na atualidade. A narrativa em torno dos clusters de inovação vem se desenvolvendo há muitos anos e os formuladores de políticas, em diversos países, procuram usar esses clusters como um instrumento de política para apoiar o desenvolvimento de tecnologias, por um lado, e o desenvolvimento regional e setorial, por outro.

Os clusters locais de inovação são fundamentais para os ecossistemas nacionais de inovação, portanto, identificá-los ajudará a entender onde e como a inovação está acontecendo. Não custa lembrar que os clusters promovem atividades inovadoras e são um poderoso catalisador para gerar empregos, investimentos e crescimento econômico e social.

Excelente semana!

Sobre o blog

Economista, com formação na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Mestre em Geografia (desenvolvimento regional) e Especialista em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Experiências no setor governamental (municipal e estadual), setor privado (Associação Comercial Empresarial de Sergipe - ACESE e Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo - Fecomércio), foi professora substituta no Departamento de Economia na UFS, pesquisadora e uma das fundadoras do Núcleo de Propriedade Intelectual, hoje Cintec-UFS.

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