Por: Sudanês B. Pereira
Economista, com formação na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Mestre em Geografia (desenvolvimento regional) e Especialista em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Experiências no setor governamental (municipal e estadual), setor privado (Associação Comercial Empresarial de Sergipe - ACESE e Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo - Fecomércio), foi professora substituta no Departamento de Economia na UFS, pesquisadora e uma das fundadoras do Núcleo de Propriedade Intelectual, hoje Cintec-UFS.
Produção industrial Cai no Brasil e no Nordeste
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou a semana passada a Pesquisa Industrial Mensal (PIM Regional). A PIM mostrou que a produção industrial nacional caiu 1,3% em abril, e recuou em 9 dos 15 estados analisados, com destaque para Bahia, com queda de 12,4%, e para a região Nordeste, que recuou 7,8%. Os maiores avanços ficaram com Amazonas (1,9%) e Rio de Janeiro (1,5%).
Apesar do resultado de abril, ao compararmos o resultado da produção nacional de abril de 2021 com relação a abril de 2020, houve crescimento de 34,7%, com 12 dos 15 estados pesquisados com resultados positivos. Porém, os resultados positivos foram influenciados pela baixa base de comparação, já que o setor industrial foi pressionado, em abril de 2020, pelo isolamento social por conta da pandemia da COVID-19. No acumulado do ano de 2021 (janeiro-abril), a produção nacional acumula um saldo positivo de 10,5%. Ver a tabela abaixo.
Ao observarmos a dinâmica da produção nacional, combinada com a da região nordeste nos últimos doze meses, verificaremos que a situação não é tão interessante. O gráfico 1 ilustra a dinâmica mensal da produção da indústria nacional e da região nordeste. Como pode ser visto, a trajetória tem sido de produção abaixo do potencial, desde agosto de 2020. Os impactos da pandemia para a indústrias foram demasiadamente profundos.
O Gráfico seguinte ilustra a variação da produção por segmento industrial. Apenas oito segmentos apresentaram variação positiva em abril, com destaque para produtos de madeira (2,8%), máquinas e equipamento (2,6%), e produtos de minerais não-metálicos (2,4%). Por outro lado, os destaques para as maiores quedas ficaram com os segmentos de impressão e reprodução de gravações (-34,8%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustível (-9,5%), couro, artigos de viagem e calçados (-8,9%), e móveis (-6,5%).
Esse gráfico é crucial para enxergarmos a dimensão do impacto da pandemia na indústria brasileira, que ao longo de 2020 e primeiro quadrimestre de 2021, vem experimentando desafios para se manter produzindo em um ambiente altamente adverso e complexo, a despeito do custo Brasil, dos problemas associados à demanda doméstica (auxílio emergencial, desemprego elevado, inflação), e outros problemas da indústria em geral.
Nordeste
A dinâmica da produção industrial do Nordeste não é muito diferente da trajetória da produção nacional, chegando a abril deste ano com uma queda acentuada de 7,8%. A região foi muito afetada pelo resultado negativo do segmento de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-11,05%). Outros setores influenciaram negativamente a queda da produção, a exemplo de couro, artigos de viagens e calçados. Três estados do Nordeste compõem a pesquisa na região (Bahia, Ceará e Pernambuco). Ver o gráfico abaixo com a dinâmica mensal da produção industrial de maio 2020 a abril deste ano.
Em abril, o estado da Bahia apresentou a maior queda da produção industrial (12,4%), puxada pelo setor de derivados do petróleo. A queda de 12,4% é a maior para o estado desde abril de 2020 (-23,4%), momento mais agudo da pandemia e das medidas restritivas. A produção industrial também recuou em Pernambuco (-2,4%) e no Ceará (-1,2%). Por último, mas não menos importante, o gráfico 4 mostra a variação da produção industrial do Nordeste por períodos.
De fato, uma retomada sustentável da produção industrial do país só será possível após a vacinação total da população, combinada com políticas públicas ativas de recuperação, redução do custo Brasil, de uma reforma tributária possível, entre outras políticas públicas transversais e igualmente importantes.
Até mais!
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