Economia e Inovação

Por: Sudanês B. Pereira

02/11/2022

Os Pequenos Negócios podem gerar R$ 420 bilhões em 2022

O Brasil é considerado um país com alto índice de empreendedorismo. Segundo os dados da última edição da Pesquisa GEM (2021), 30,4% da população adulta (18 a 64 anos) do Brasil estava envolvida com empreendedorismo. O Brasil ocupa a 5ª maior taxa de empreendedorismo no ranking em 2021.

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), lançou este ano o Atlas dos Pequenos Negócios. A publicação é a mais completa no que se refere às informações sobre o universo dos pequenos negócios no país. Tratarei aqui dos dados mais significativos, pois o Atlas é rico de dados e informações sobre os pequenos negócios no Brasil.

Perfil dos Donos de Pequenos Negócios

O Atlas do Sebrae utiliza os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para mapear os pequenos negócios, em especial usa a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Entre as ocupações monitoradas, o IBGE acompanha a evolução do número de Empregadores (indivíduos à frente de um empreendimento com empregados) e dos Conta Própria (indivíduos à frente de um empreendimento sem empregados). Nesse sentido, o Atlas considera como Donos de Negócio, a soma dos Empregadores e dos que trabalham por Conta Própria.

Sendo assim, no quarto trimestre de 2021, o Brasil tinha 29,8 milhões de empreendedores, donos de negócio. Os estados de São Paulo (21,6%), Minas Gerais (10,3%) e Rio de janeiro (8,4%) lideravam o ranking. Juntos, esses estados detêm pouco mais de 40% do total dos Donos de Negócio existentes no país.

Cerca de 34% do total de donos de negócio era de mulheres. De acordo com a pesquisa, nos últimos 6 anos, a proporção de mulheres donas de negócio cresceu 2 pontos percentuais, passando de 32% para 34%. O crescimento é lento. Os estados do Rio de Janeiro, Distrito Federal e Sergipe, são os estados com maiores proporções de mulheres entre os Donos de negócio, chegando a 38%, 37% e 37% do total, respectivamente.

No que se refere à escolaridade, a proporção de donos de negócio com nível superior chegou a 20%, enquanto 38% possuíam nível médio, 33% fundamental, 1% sem instrução e 7% não responderam a esta questão.

Tempo da Atividade do Negócio

Cerca de 78% dos donos de negócio estavam na atividade há mais de dois anos, 12% entre um mês e um ano, 8% de um a dois anos e 2% a menos de um mês. Os estados do Rio Grande do Sul (83%), Paraná (81%) e Santa Catarina (81%), são os estados onde a maior proporção de donos de negócio estavam na atividade há mais de 2 anos. Já os estados de Roraima (71%), Piauí (71%) e Distrito Federal (74%), apresentam as menores proporções.

Rendimento dos Donos de Negócio

Apesar da alta taxa de empreendedorismo, a maioria dos donos de negócio (45%) possuem rendimento de até 1 salário-mínimo (SM), 27% do total tinha rendimento de 1 a 2 SM, 11% possuíam rendimento de 2 a 3 SM, 9% deles recebiam de 3 a 5 SM e somente 7% tinham rendimento de 5 SM ou mais.

Distribuição por Porte (número de empregados)

Cerca de 87% dos donos de negócio são ‘conta própria’, ou seja, não possuem empregado, estão sozinhos à frente do negócio, 10% possuem de 1 a 5 empregados, 2% deles possuem de 6 a 10 empregados, apenas 2% dos donos de negócio têm 11 ou mais empregados. Os estados com maiores proporções de Conta Própria são Amazonas, Roraima e Maranhão, com respectivamente 94%, 93% e 92% dos Donos de Negócio nessa condição. No outro extremo, a proporção de Conta Própria é menor em Santa Catarina, Distrito Federal e Paraná, os três com 83% dos Donos de Negócio como Conta Própria.

Distribuição por Setor de Atividade

No 4o trimestre de 2021, cerca de 40% dos donos de negócio atuavam no setor de serviços, 22% no comércio, 14% na agropecuária, 14% na construção e 9% na indústria. Os estados com maiores proporções de donos de negócios que trabalham no setor de serviços são: Rio de Janeiro (55%), Distrito Federal (52%) e São Paulo (50%).

Os Pequenos Negócios (MEI + MPE)

Segundo os dados do Atlas, em 2021 o total de Pequenos Negócios (MEI + MPE) em atividade era de 15,3 milhões, sendo que 11,5 milhões desses empreendedores dependiam exclusivamente da atividade empreendedora como única fonte de renda.

Segundo o Sebrae, uma parte significativa dos MEI (28%) eram informais antes de se registrarem como MEI - empreendedores informais (13%) ou empregado sem carteira (15%). Estima-se que cerca de 2,5 milhões de empreendedores foram retirados da informalidade decorrentes do registro do MEI no ano de 2021.

Esses pequenos negócios têm um impacto significativo na vida de muitos brasileiros. De acordo com o Atlas, 49 milhões de pessoas dependeram diretamente da fonte de renda gerada pela atividade empreendedora em 2021, considerando apenas o número médio de pessoas da família dos MEI e das MPE, e o total de empreendimentos em atividades.

Em 2021, 8,7 milhões de MEI estavam em atividade, 11,3 milhões inscritos em dezembro de 2021. Considerando que em média o tamanho da família do MEI é de 3,1 pessoas, estima-se que há cerca de 28 milhões de pessoas diretamente impactadas pela renda gerada da atividade do MEI.

No que concerne às MPE, 6,6 milhões estavam em atividade em 2021, 7,2 milhões de inscritas em dezembro de 2021. Considerando que, em média, o tamanho da família do MPE é de 3,1 pessoas, estima-se que 21 milhões de pessoas da família dependem diretamente da atividade das MPE.

Renda Gerada pela Atividade Empreendedora (2022)

Segundo os dados apurados pelo Sebrae, a atividade do MEI pode gerar R$ 140 bilhões em 2022, já a atividade do MPE pode gerar uma renda de R$ 280 bilhões. Pode-se observar no quadro abaixo, que a renda média familiar mensal do empreendedor de MPE é mais que o dobro que renda do MEI. Ao consideramos o total de renda mensal gerada pelos pequenos negócios (MEI+MPE), temos 35 bilhões por mês e uma estimativa anual de cerca de 420 bilhões.

{{value.image}}
Quadro 1. Estimativa de Renda Gerada pelo MEI e MPE (R$) (2022)

O Atlas dos Pequenos Negócios do Sebrae revela como os pequenos negócios são importantes para o desenvolvimento econômico e social do país. Os empreendedores assumem riscos, inovam e contribuem para a geração de empregos e renda .

Excelente semana!

Sobre o blog

Economista, com formação na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Mestre em Geografia (desenvolvimento regional) e Especialista em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Experiências no setor governamental (municipal e estadual), setor privado (Associação Comercial Empresarial de Sergipe - ACESE e Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo - Fecomércio), foi professora substituta no Departamento de Economia na UFS, pesquisadora e uma das fundadoras do Núcleo de Propriedade Intelectual, hoje Cintec-UFS.

Arquivos