Economia e Inovação

Por: Sudanês B. Pereira

30/03/2022

Os Cenários para a Robótica e a Automação em 2022

A International Federation of Robotics (IFR) representa mais de 2.000 organizações de 25 países, entre fabricantes de robôs, associações nacionais de robótica, universidades e start-ups.

Segundo a publicação da IFR “World Robotics 2021”, o ano de 2020 foi, historicamente, o terceiro maior em número de instalações operacionais de robôs em todo o mundo, foram 383.500 novas unidades em 2020, com isso o estoque operacional de robôs no mundo chegou a 3,05 milhões de robôs. A Ásia continua crescendo e liderando as instalações de robôs industriais, enquanto Europa cresce pouco e as Américas declinam. Os cinco maiores mercados de robôs industriais são China, Japão, Estados Unidos, Coreia do Sul, e Alemanha.

O principal cliente de robôs industriais em 2020 foi o segmento de eletroeletrônicos, superando o automotivo e metais e máquinas. Ver o gráfico abaixo.

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Gráfico 1. Instalações Anuais de Robôs Industriais por Cliente (Mundo).png

De acordo com a IFR, os avanços em tecnologias adjacentes como computação em nuvem, redes 5G, e inteligência artificial, podem apontar tendências tecnológicas que aumentem o uso de robôs.

Para além dessas tecnológicas adjacentes, a IFR identificou cinco cenários comuns nos quais os robôs estão conectados e vinculados a estratégias de automação mais amplas.

Os dados e informações da International Federation of Robotics são de que a transformação para automação robótica está ganhando velocidade em indústrias tradicionais e novas. Os robôs inteligentes e conectados já estão transformando a manufatura. Fiquemos atentos para ver qual o impacto nas relações de trabalho na indústria.

AS CINCO PRINCIPAIS TENDÊNCIAS EM ROBÓTICA E AUTOMAÇÃO

1 - Robôs serão adotados por novas indústrias

A IFR mostra que segmentos relativamente novos em automação estão adotando robôs rapidamente. O comportamento do consumidor está levando as empresas a atender à demanda por personalização de produtos e entrega, e isso tem acelerado a automação de processos. O maior exemplo é o e-commerce, que foi impulsionado pela pandemia e continuará crescendo em 2022. Existem milhares de robôs instalados no mundo hoje que não existiam neste segmento há apenas cinco anos.

Highlights

  1. Em um esforço para lidar com a escassez de mão de obra, as empresas que não consideraram a automação anteriormente reconsiderarão.
  2. As empresas que dependem de trabalhadores no setor de serviços, como varejo e restaurantes, devem investir em automação para atender às necessidades dos clientes, dada a dificuldade de contratação em alguns segmentos.
  3. Clientes de robótica em setores relativamente novos, como entrega e logística, construção, agricultura e outros, serão beneficiados por essas tecnologias.

2 - Robôs mais fáceis de usar

As novas gerações de robôs são mais fáceis de usar. Há uma clara tendência para interfaces do usuário que permitem uma programação simples, como a orientada por ícones. Segundo a IFR, empresas de robôs e alguns fornecedores terceirizados, estão agrupando pacotes de hardware com software para facilitar a implementação. Isso agrega valor ao reduzir o esforço e o tempo de operação.

Highlights

  1. A tendência da robótica de baixo custo virá com fácil configuração e instalação, com aplicativos específicos pré-configurados em alguns casos.

3 - Requalificação de Robôs e Humanos

A jornada das linhas de produção orientadas por dados (data-driven) se concentrará em educação e treinamento. Segundo a IFR, fabricantes de robôs como ABB, FANUC, KUKA e YASKAWA, registram entre 10.000 e 30.000 participantes em suas classes de robôs em mais de 30 países todos os anos. A qualificação e o treinamento de trabalhadores internos às firmas e os trabalhadores externos (mercado de trabalho), devem passar por requalificação para uma nova fase do trabalho – interface robô e humanos.

Highlights

  1. A robótica já está mudando os perfis de trabalho dos trabalhadores de fábrica.
  2. Novas oportunidades de treinamento com robótica são uma estratégia vantajosa para empresas e funcionários - tarefas chatas, sujas e perigosas são automatizadas enquanto as pessoas aprendem as principais habilidades para o local de trabalho industrial do futuro, aumentando seu potencial de ganhos ao longo de suas carreiras.

Na perspectiva da IFR, os robôs passam por melhoria contínua, assim também devem ser os trabalhadores.

4 - Robôs garantem a produção

Os indicadores mostram que os pedidos de robôs nos Estados Unidos, no terceiro trimestre de 2021, aumentaram 35% em relação ao mesmo período de 2020. Mais da metade dos pedidos foram de setores não-automotivos. Esse é um fator que indica a tendência de uma produção cada vez mais robotizada e automatizada.

A aposta da IFR para os “efeitos de recuperação” pós-Covid-19 considera:

  1. Os robôs tornam a produção resiliente
  2. Muitos governos apoiam o investimento em tecnologias de produção moderna
  3. A automação com a possível diversificação geográfica das cadeias de suprimentos, incluindo reshoring/repatriação

O documento ainda sinaliza que alguns mercados importantes devem ser observados para entender a dinâmica rôbos-produção-mercados, que são:

  1. Ampliação ininterrupta de sistemas logísticos (AGV - veículo autônomo guiado, AMR - robôs autônomos)
  2. Atividades de fusões e aquisições em mercados, a exemplo de robótica médica
  3. As máquinas de construção pesada estão sendo robotizadas, permitindo a operação de várias máquinas por uma única pessoa
  4. Aumento do uso de robôs em alguns segmentos: >30 novos modelos de robôs de desinfecção estavam sendo usados em 2020
  5. A Covid-19 chamou a atenção para robôs na área de saúde

Mais uma vez, o mercado de trabalho deve sentir a transformação das mudanças.

5 - Robôs suportam automação digital

Esse é um dos cenários mais intrigantes que a pesquisa relata. A IFR diz que, em 2022 e além, a ênfase dos dados será a principal facilitadora da fabricação futura.

Highlights

  1. Os dados coletados de processos automatizados de forma inteligente, serão analisados pelos produtores (producers) para tomar decisões mais assertivas.
  2. Com a capacidade de um robô compartilhar tarefas e aprender por meio da inteligência artificial (IA), as empresas podem adotar a automação inteligente com mais facilidade em novos ambientes, desde a construção até instalações de embalagem de alimentos e bebidas, até laboratórios de saúde.
  3. A IA para robótica está amadurecendo e os robôs de aprendizado (learning robots) estão se tornando populares no mainstream. O setor passou da fase piloto e espera-se uma implantação maior dessas tecnologias em 2022.

É bom lembrar os principais “aceleradores de tecnologias” para a IFR: tecnologia em nuvem, 5G, modelos de negócios como Robots-as-a-Service, padronização e “plataformização” (ex. para periféricos (app store), plataforma de vendas, plug & play).

Para não perder de VISTA

A Federação Internacional de Robótica (IRF) reconhece que enfrenta questões importantes e relevantes para a indústria de robótica no momento, quais sejam:

  1. Como a robótica e a automação estão transformando a economia?
  2. Qual será o impacto da pandemia, do reshoring, dos problemas da cadeia de suprimentos e da escassez de mão de obra, no desenvolvimento do mercado?
  3. Como os robôs possibilitam um futuro verde e sustentável?
  4. A economia circular, a mobilidade sustentável e a mudança para fontes de energia renováveis permitem a produção sustentável?

Está claro que vivemos um período de transformação sem precedentes, na automação, robótica e na rápida aceleração e adaptação de seu uso, em vários setores da indústria e dos serviços.

Para além dos problemas de geopolítica e da nova globalização, uma nova ordem certamente será estabelecida na próxima década.

Se vale de consolo, a IFR diz que “a colaboração humano-robô ainda está em sua infância”.

Fiquemos atentos!

Sobre o blog

Economista, com formação na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Mestre em Geografia (desenvolvimento regional) e Especialista em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Experiências no setor governamental (municipal e estadual), setor privado (Associação Comercial Empresarial de Sergipe - ACESE e Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo - Fecomércio), foi professora substituta no Departamento de Economia na UFS, pesquisadora e uma das fundadoras do Núcleo de Propriedade Intelectual, hoje Cintec-UFS.

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