Economia e Inovação

Por: Sudanês B. Pereira

22/09/2021

O Estado da Inovação no Mundo em 2021

A edição 2021 do Global Innovation Index (GII) apresenta o mais recente ranking de inovação global de 132 economias, com base em 81 indicadores diferentes, além de fazer o rastreamento das tendências globais de inovação mais recentes. Essa edição, também analisa o impacto da pandemia COVID-19 na inovação. O Global Innovation Index é publicado pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual (WIPO).

As principais perguntas que o Índice de Inovação Global procura responder são: Qual é o estado global de inovação? A pandemia diminuiu ou acelerou os investimentos em inovação? Qual é a velocidade do progresso tecnológico? Como as novas tecnologias mudam o mundo? Quais são as economias mais inovadoras em 2021?

O GII 2021 é calculado com base na média de dois subíndices. Os indicadores do Subíndice de Insumos da Inovação são os elementos da economia que permitem e facilitam as atividades inovadoras e estão agrupados em cinco pilares: (1) Instituições, (2) Capital humano e pesquisa, (3) Infraestrutura, (4) Sofisticação do mercado e (5) Sofisticação empresarial. O Subíndice de Produção de Inovação, captura o resultado real das atividades inovadoras dentro da economia e é dividido em dois pilares: (6) Produtos de conhecimento e tecnologia, e (7) Produtos de criação.

De acordo com o relatório, a economia mais inovadora do mundo em 2021 é a Suíça, seguida pela Suécia, Estados Unidos da América (EUA), Reino Unido e República da Coreia.

O Estado da Inovação durante a Crise do COVID-19

De acordo com o Índice de 2021, o investimento em inovação mostrou grande resiliência durante a pandemia COVID-19. O relatório mostra que Governos e empresas, em várias partes do mundo, aumentaram os investimentos em inovação durante a pandemia da COVID-19.

A produção científica, os gastos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), registros de propriedade intelectual e negócios de capital de risco (VC) continuaram a crescer em 2020, com base no desempenho pré-crise. Ainda, os gastos com P&D mostraram maior resiliência durante a desaceleração econômica associada à pandemia do que em crises anteriores. Ver abaixo alguns indicadores associados a esse período.

  1. A publicação de artigos científicos em todo o mundo cresceu 7,6% em 2020.
  2. Os maiores “gastadores” corporativos globais de P&D, aumentaram os gastos gerais com P&D em cerca de 10% em 2020, com 60% de empresas intensivas em P&D relatando um aumento.
  3. Os pedidos de patentes internacionais via WIPO atingiram um novo recorde histórico em 2020 - um aumento de 3,5% foi impulsionado pela tecnologia médica, produtos farmacêuticos e biotecnologia.
  4. Os negócios de capital de risco (VC) cresceram 5,8% em 2020, excedendo a taxa média de crescimento dos últimos 10 anos.

Segundo o relatório, as empresas cuja inovação estava no centro das medidas para conter a pandemia e suas consequências - notadamente (i) software e serviços de tecnologia da informação e comunicação (TIC), (ii) hardware de TIC e equipamento elétrico e (iii) produtos farmacêuticos e biotecnologia - ampliaram seus investimentos em inovação.

Em contraste, as empresas em setores fortemente atingidos pelas medidas de contenção da pandemia e cujos modelos de negócios dependem de atividades pessoais - como transporte e viagens - cortaram seus gastos.

Principais Resultados do Índice de Inovação Global 2021

Apenas algumas economias têm apresentado desempenho em inovação que permitem a elas estarem na fronteira de forma consistente.

Suíça, Suécia, EUA e Reino Unido estão entre os 5 melhores nos últimos três anos, enquanto a República da Coreia se juntou aos 5 melhores do GII pela primeira vez em 2021. Ver o ranking 2021.

Ranking Global Innovatios 2021

  1. Suiça
  2. Suécia
  3. Estados Unidos
  4. Reino Unido
  5. República da Coreia
  6. Holanda
  7. Finlândia
  8. Cingapura
  9. Dinamarca
  10. Alemanha

Fonte: Wipo. Global Innovation Index, 2021.

A maioria das 25 economias mais inovadoras do índice de Inovação Global 2021continua sendo oriundas da Europa. Cinco economias asiáticas figuram entre as 15 primeiras - a República da Coreia (5ª) e Cingapura (8ª) estão entre as 10 primeiras, seguidas pela China (12ª), Japão (13ª) e Hong Kong, China (14ª).

Desempenho de Inovação por Nível de Renda (2021)

Segundo o relatório, as economias TVIP sozinhas (Turquia, Vietnã, Índia e Filipinas), além da China, têm o potencial de mudar o cenário global de inovação para melhor. Várias economias em desenvolvimento estão com desempenho acima das expectativas em termos de inovação, em relação ao seu nível de desenvolvimento econômico. A China (12a) continua sendo a única economia de renda média entre as 30 economias mais inovadoras do mundo. Poucas economias de renda média conseguiram recuperar o atraso na inovação. Os países, Índia, Quênia, República da Moldávia e Vietnã, detêm o recorde de desempenho superior em inovação em relação ao seu nível de desenvolvimento pelo 11º ano consecutivo. O Brasil, Irã e Peru, tiveram pela primeira vez desempenho superior em 2021. Ver a tabela abaixo com o desempenho de inovação segundo o nível de renda.

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Tab.1. Desempenho da Inovação por Nível de Renda (2021).jpg

A Geografia da Inovação Global está mudando de forma desigual

O Índice de 2021 evidenciou claramente que a inovação global está se movimentando de forma desigual. A América do Norte e a Europa continuam liderando e estão muito à frente de outras regiões em inovação. O desempenho de inovação do Sudeste Asiático, Leste Asiático e Oceania (SEAO) tem sido o mais dinâmico na última década. O Norte da África e Ásia Ocidental, América Latina e Caribe, Ásia Central e Meridional, e África Subsaariana, nessa ordem, permanecem a uma longa distância atrás dos líderes.

Na América Latina e no Caribe, apenas Chile, México, Costa Rica e Brasil (57), estão entre os 60 primeiros. Com exceção do México, poucas economias nesta região conseguiram subir de forma consistente sua classificação nos últimos 10 anos. Na África Subsaariana, apenas Ilhas Maurício e África do Sul estão entre os 65 primeiros; e apenas o Quênia e a Tanzânia permaneceram no top 100 e melhoraram seu desempenho ao longo do tempo.

Novos clusters de ciência e tecnologia (C&T) estão surgindo, a maioria localizada em poucos países

Segundo o índice deste ano, Tóquio (Yokohama) é o cluster de C&T com melhor desempenho, seguido por Shenzhen, Hong Kong, Guangzhou, Pequim, Seul e San Jose (São Francisco). Os EUA continuam a hospedar o maior número de clusters, seguidos pela China, Alemanha e Japão. Os clusters na China registraram os maiores aumentos na produção de C&T.

Os países Brasil, China, Índia, Irã, Turquia e Rússia, são todas economias de renda média que hospedam os principais clusters de C&T, com grande crescimento.

Alguns comentários.

O Índice de Inovação Global serve para auxiliar os formuladores de políticas de ciência e tecnologia, e melhorar os investimentos para inovação.

A Wipo alerta que o cenário de inovação global está mudando, mas lentamente. O relatório vem alertando sobre isso há vários anos, à medida que as economias de alta renda, principalmente da América do Norte e da Europa, continuam a liderar as classificações do Índice e têm os sistemas de inovação mais fortes e equilibrados. Para a Wipo, é urgente que isso mude, especialmente no contexto da crise do COVID-19. É importante alavancar o poder da inovação para construir coletivamente uma recuperação coesa, dinâmica e sustentável. Os impactos de curto e longo prazo da pandemia nos sistemas de ciência e inovação, devem ser monitorados e as descobertas postas em prática.

Segundo o relatório, existem algumas economias de renda média, notadamente as TVIPs, que estão alcançando os líderes. No entanto, os efeitos da pandemia sobre o investimento em P&D - a redução desigual dos gastos com P&D em alguns setores e o fato de que os governos não fizeram da inovação e da P&D uma prioridade nos pacotes de estímulo atuais - irão dificultar a convergência. É, portanto, crucial que o apoio à inovação se torne mais amplo e que seja conduzido de forma anticíclica, ou seja, conforme os gastos com inovação empresarial despencam, os governos se esforçam para neutralizar esse efeito com seus próprios aumentos de gastos com inovação, mesmo em face de maior dívida pública.

Até a próxima semana!

Sobre o blog

Economista, com formação na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Mestre em Geografia (desenvolvimento regional) e Especialista em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Experiências no setor governamental (municipal e estadual), setor privado (Associação Comercial Empresarial de Sergipe - ACESE e Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo - Fecomércio), foi professora substituta no Departamento de Economia na UFS, pesquisadora e uma das fundadoras do Núcleo de Propriedade Intelectual, hoje Cintec-UFS.

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