Economia e Inovação

Por: Sudanês B. Pereira

19/04/2021

Investimento Global - tendências e perspectivas (2020-2022)

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) divulgou o Relatório World Investment Report 2020, já considerando os impactos da crise da Covid-19. O relatório concentra-se nas tendências do investimento estrangeiro direto (IED) em todo o mundo, nos níveis regional e nacional.

Além da crise da Pandemia do Covid-19, o relatório chama a atenção para outros movimentos característicos dos últimos anos, como a nova revolução industrial (indústria 4.0), a mudança de políticas em direção ao nacionalismo econômico, e as tendências de sustentabilidade, todos eles terão consequências de longo alcance para a configuração da produção internacional nessa década e até 2030.

O relatório mostra a tendência geral na produção internacional, para cadeias de valor mais curtas, maior concentração de valor adicionado e declínio do investimento internacional em ativos produtivos físicos. Isso trará enormes desafios para os países em desenvolvimento. Por décadas, as estratégias de desenvolvimento e industrialização desses países, dependeram da atração de investimento estrangeiro direto.

Segundo o relatório, a crise do Covid-19 causará uma queda profunda no IED em 2020 e 2021. A previsão é que os fluxos globais de IED diminuam em até 40% em 2020, ante seu valor de US$ 1,54 trilhão em 2019. Isso deixaria o IDE abaixo de US$ 1 trilhão pela primeira vez desde 2005.

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FDI QUEDA.jpg

Além disso, a projeção da Unctad é que o IED diminua entre 5% a 10% em 2021 com uma recuperação em 2022. Porém, com uma recuperação em 2022 com o IED revertendo à tendência pré-pandêmica, de fluxos de investimentos ainda em recuperação após a crise financeira global, como mostra a figura abaixo.

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Fluxo IED 2015-2022.jpg

Segundo o relatório, a desaceleração causada pela pandemia pode refletir em vários anos de crescimento negativo ou estagnado. A tendência de fluxos do IDE pode entrar em uma fase de estabilização gradual em um nível estruturalmente mais baixo do que antes da crise. O relatório mostra que todas as regiões e blocos econômicos verão taxas de crescimento de IED negativas em 2020.

Projeta-se que as economias desenvolvidas como um grupo, registrem um declínio de 25% a 40%. Para a Europa , o IED deverá cair em torno de 30% a 45% em relação a 2019.

Já para as economias em desenvolvimento, espera-se uma queda maior do fluxo de IED, na faixa de 30% a 45%. As economias em desenvolvimento estão mais vulneráveis a esta crise, em especial porque suas estruturas produtivas e de investimento são menos diversificadas e, portanto, mais expostas a riscos sistêmicos. Dentro dessa perspectiva de fluxo de investimento, a dependência de commodities da América Latina, Caribe e África, e as indústrias intensivas em Cadeias de Valor Global para a Ásia, empurram essas regiões para a linha de frente da crise atual.

Segundo o relatório, a América Latina e o Caribe deverão experimentar o maior declínio, com uma queda projetada no IED entre 40% e 55 % em 2020. Muito do IED na região está concentrado nas indústrias extrativas, que representam uma parcela significativa do IED total na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Peru. A combinação do colapso dos preços do petróleo e do choque de demanda devido à pandemia que afeta os preços da maioria das commodities, reduz as previsões de IED nesta região mais do que em qualquer outro lugar. Ver a tabela abaixo.

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Tab 1. Fluxos Globais IED.jpg

Vejam que a América Latina e Caribe é a região que tem a maior projeção de queda do investimento estrangeiro direto, entre (-40%) a (-55%). Segundo o relatório, a Pandemia deverá reduzir pela metade o IDE na região em 2020. As Indústrias mais afetadas deverão ser: extrativista, turismo, automotivo

Nos próximos artigos, trarei outros assuntos tratados no Relatório da Unctad 2020, igualmente importantes e interessantes.

Até lá!!

Sudanês B. Pereira

Sobre o blog

Economista, com formação na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Mestre em Geografia (desenvolvimento regional) e Especialista em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Experiências no setor governamental (municipal e estadual), setor privado (Associação Comercial Empresarial de Sergipe - ACESE e Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo - Fecomércio), foi professora substituta no Departamento de Economia na UFS, pesquisadora e uma das fundadoras do Núcleo de Propriedade Intelectual, hoje Cintec-UFS.

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