Economia e Inovação

Por: Sudanês B. Pereira

11/05/2021

e-Commerce aumenta na Pandemia em todo Mundo

O aumento elevado do comércio eletrônico em meio às restrições de movimento induzidas pela pandemia do Covid-19, aumentou a participação das vendas no varejo online no total das vendas do varejo. De acordo com o relatório “Covid-19 and e-Commerce: a global review” da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD/2021), as vendas no varejo online cresceram acentuadamente em vários países.

Desde a última década, estamos vendo uma transição acelerada para uma economia digital em que as tecnologias da informação e da comunicação (TICs) desempenham um papel crescente na produção, consumo e troca da maioria dos bens e serviços.

O que é o comércio eletrônico? A Organização para a Economia Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) [1], define comércio eletrônico como a venda ou compra de bens ou serviços, realizada em redes de computadores por métodos específicos, projetado com a finalidade de receber ou enviar pedidos. Bens e serviços são pedidos por essas redes, enquanto o pagamento e a entrega podem ser online ou offline.

O relatório da Unctad Estimativas do e-Commerce Global 2019 e Avaliação Preliminar do Impacto do Covid-19 no Varejo Online em 2020[2] divulgou algumas estatísticas interessantes sobre o e-commerce. O documento se baseou em dados sobre vendas no varejo online de países selecionados e de relatórios anuais para 2020, de empresas líderes de comércio eletrônico B2C. O que a nota da Unctad mostrou:

  1. O valor global das vendas de comércio eletrônico (B2B e B2C) atingiu quase US$ 26,7 trilhões em 2019. Isso correspondeu a cerca de 30% do PIB e representou um aumento de 4% em relação a 2018 (US$ 25,6 trilhões).
  2. O valor estimado do comércio eletrônico B2B global foi de US$ 21,8 trilhões, representando 82% de todo o comércio eletrônico, incluindo vendas em plataformas de mercado on-line e transações de intercâmbio eletrônico de dados (EDI).
  3. As vendas de comércio eletrônico B2C foram estimadas em US$ 4,9 trilhões em 2019, um aumento de 11% em relação a 2018. Os três principais países em vendas de comércio eletrônico B2C foram China, Estados Unidos e Reino Unido.

A tabela 1 ilustra as vendas totais do comércio eletrônico nos 10 principais países, as vendas B2B e B2C, em 2019.

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Tab.1 Vendas de Comércio Eletrônico (US$)- dez principais países, 2019.jpg

1,48 bilhão de pessoas, ou pouco mais de um quarto da população mundial com 15 anos ou mais, fez compras online em 2019

Unctad, 03 May 2021.

Compradores Globais Online

A Unctad estima que 1,48 bilhão de pessoas, ou pouco mais de um quarto da população mundial com 15 anos ou mais, fez compras online em 2019 (gráfico 1). Isso é 7% maior do que em 2018. Enquanto a maioria dos compradores online compra principalmente de fornecedores nacionais, cerca de 360 milhões de compradores online fizeram compras internacionais em 2019 - cerca de um em cada quatro de todos os compradores online.

O interesse em comprar de fornecedores estrangeiros continuou a crescer. A proporção de compradores online transfronteiriços aumentou de 20% em 2017 para 25% em 2019.

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Gráfico 1. Número de Compradores Online Globais (em bilhões), 2017-2019.jpg

As Vendas Transfronteiriças (cross-border)

Sobre as vendas transfronteiriças (cross-border) de comércio eletrônico B2C, a Unctad estima que alcançaram US$ 440 bilhões em 2019, representando um aumento de 9% em relação a 2018. As vendas das dez principais economias por exportação de mercadorias, somaram US$ 332 bilhões em 2019 (gráfico 2). As vendas internacionais são estimadas em 9% do total das vendas de e-commerce B2C.

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Gráfico 2. Vendas de Comércio Eletrônico B2C Transfronteiriço (US$ bilhões) 2019 .jpg

As vendas no varejo online aumentam a uma taxa acima da média em 2020

O relatório da Unctad mostrou que os dados para os países que respondem por 65% do e-commerce B2C global em 2019, sugerem que as vendas no varejo online como uma parcela das vendas totais no varejo, aumentaram 3 pontos percentuais em 2020 (de 16% para 19%).

A Covid-19 gerou um aumento na demanda por pedidos online de bens físicos devido às restrições de quarentena impostas em muitos países. As vendas gerais no varejo físico diminuíram 1% neste grupo de países em 2020, enquanto o varejo online cresceu 22%. Entre os países incluídos na tabela 2, a República da Coreia (Coreia do Sul) teve a maior participação do comércio varejista online, 25,9% em 2020, ante 20,8% no ano anterior, em segundo lugar está a China com 24,9% em 2020, ante 20,7% no ano anterior, o Reino Unido ocupa a 3ª posição, 23,3% em 2020 ante 15,8% em 2019. Os EUA 14,0% em 2020 frente a 11,0% em 2019.

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Tab. 2. Vendas no Varejo Online - Economias Selecionadas, 2019-2020.jpg

O quadro 1 mostra os dados das principais empresas de comércio eletrônico em 2020, dez das quais são da China e dos Estados Unidos. Quase todas experimentaram quedas acentuadas no volume bruto de mercadorias (GMV) e quedas correspondentes nas classificações. Por exemplo, a Expedia caiu do 5º lugar em 2019 para o 11º em 2020, a Booking Holdings do 6º para o 12º e o Airbnb, que lançou seu IPO em 2020, do 11º para o 13º.

Apesar da redução no GMV das empresas de serviços, o GMV total das 13 principais empresas de comércio eletrônico B2C aumentou 20,5% em 2020, maior do que em 2019 (17,9%). No geral, o volume bruto de mercadorias do B2C para essas empresas ficou em US$ 2,8 trilhões em 2020. Ver o quadro abaixo.

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Quadro 1. Principais Empresas de Comércio Eletrônico (B2C) por Volume Bruto de Mercadoria (GMV), 2018-2020..jpg

Algumas conclusões

O crescimento do comércio eletrônico não é igual para todos, em especial para os países em desenvolvimento, que possuem uma série de barreiras: infraestrutura, finanças, recursos e governança.

Os países que superam essas barreiras e estabelecem estruturas facilitadoras para o comércio eletrônico, estão em melhor posição para aproveitar os benefícios potenciais e enfrentar os desafios, tanto nacional quanto internacionalmente. Políticas públicas adequadas podem facilitar o crescimento desse comércio e melhorar a distribuição dos ganhos com o comércio eletrônico.

De fato, o comércio eletrônico tem enorme potencial para diversificar o escopo e o alcance geográfico das oportunidades comerciais para os países em desenvolvimento, expandir os negócios já estabelecidos, assim como para novos empreendimentos.

Até o próximo artigo!

[1] OECD Glossary of Statistical Terms. https://stats.oecd.org/glossary/index.htm.

[2] Estimates of global e-commerce 2019 and preliminary assessment of covid-19 impact on online retail 2020. Unctad, 03 May 2021.

Sobre o blog

Economista, com formação na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Mestre em Geografia (desenvolvimento regional) e Especialista em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Experiências no setor governamental (municipal e estadual), setor privado (Associação Comercial Empresarial de Sergipe - ACESE e Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo - Fecomércio), foi professora substituta no Departamento de Economia na UFS, pesquisadora e uma das fundadoras do Núcleo de Propriedade Intelectual, hoje Cintec-UFS.

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