Economia e Inovação

Por: Sudanês B. Pereira

05/04/2021

Desemprego em Sergipe se Manteve Alto em 2020

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PnadC) visa acompanhar as flutuações trimestrais e a evolução, no curto, médio e longo prazos, da força de trabalho, e outras informações necessárias para o estudo do desenvolvimento socioeconômico do País. A PnadC foi implantada, experimentalmente, em outubro de 2011 e, a partir de janeiro de 2012, em caráter definitivo, em todo o Território Nacional. Desde sua implantação, a pesquisa, gradualmente, vem ampliando os indicadores investigados e divulgados. A PnadC tem como unidade de investigação o domicílio.

Os dados da PnadC do último quadrimestre de 2020, mostrou que Sergipe chegou ao final do ano com uma taxa de desocupação de 18,0%. Embora a taxa de desocupação tenha apresentado uma leve queda no último trimestre do ano, com essa taxa, o contingente de pessoas desocupadas chegou ao final do ano com 189 mil pessoas. Ver o gráfico abaixo.

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Gráfico 1. Sergipe: Taxa de desocupação e Número de desocupados na Força de Trabalho (em mil pessoas) – 2020.jpg

Segundo os dados do IBGE, a taxa de desocupação do Nordeste no quarto trimestre foi de 17,2%, e o estado de Sergipe teve a quarta maior taxa de desocupação da região. O estado do Piauí apresentou a menor taxa (12,0%). Ver o gráfico seguinte.

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Gráfico 2. Nordeste: Taxa de Desocupação no 4º Trimestre (%) - 2020.jpg

No país, as cinco maiores taxas de desemprego no 4º trimestre de 2020 foram observadas nos estados de Alagoas (20,0%), Bahia (20,0%), Rio de Janeiro (19,4%), Pernambuco (19,0%) e Sergipe (18,0%).

O estado de Sergipe está com um número elevado de pessoas desempregadas. O ano de 2020, foi o ano onde o estado apresentou a maior taxa de desocupação desde 2012, ano de início da pesquisa. Não obstante a pandemia em 2020, as taxas anuais de desemprego em Sergipe vêm apresentando uma trajetória crescente desde 2016, como pode ser viso no gráfico a seguir.

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Gráfico 3. Sergipe: Taxa de Desocupação (médias anuais) (em%).jpg

É importante registrar, que em 2015 o país mergulhou em uma profunda recessão, refletindo na queda de 3,8% do PIB, no ano seguinte segue a mesma dinâmica, com um recuo de 3,6% do PIB. Em Sergipe, a recessão também foi forte, com queda de 3,3% do PIB em 2015. Nos anos seguintes, há uma continuidade do processo de recessão da economia, provocando recuo do PIB em 2016 (-5,3%) e 2017 (-1,1%). Ou seja, a dinâmica da economia local não tem sido favorável o bastante para recuperar as perdas da recessão prolongada, refletindo em baixo investimento do setor produtivo, desemprego e queda do consumo das famílias.

Além dos dados preocupantes do número de pessoas desocupadas, decorrente do quadro recessivo da economia, Sergipe tinha no último trimestre de 2020, uma população de 524 mil pessoas subutilizadas. Além da população desocupada, os subutilizados reúnem os subocupados (pessoas que têm alguma ocupação e estão disponíveis para trabalhar mais horas) e os desalentados (pessoas que desistiram de procurar emprego). Durante todo o ano de 2020, esse contingente foi superior a meio milhão de pessoas em três, dos quatro trimestres do ano, como mostra a figura 1.

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Figura 1. Sergipe: População Subutilizada (em mil pessoas) por Trimestre – 2020.jpg

A taxa composta de subutilização da força de trabalho de Sergipe, no 4º trimestre de 2020, foi de 42,4%, a quinta maior do país e da região nordeste. Em relação às taxas compostas da força de trabalho do Nordeste, no mesmo período, Piauí (46,7%), Alagoas (46,6%), Maranhão (44,7%), Bahia (44,6%), Sergipe (42,4%) e Rio Grande do Norte (40,3%), apresentaram taxas acima de 40%. Dos nove estados do nordeste, seis deles apresentaram taxas superiores à taxa de subutilização do país. Ver o gráfico logo abaixo.

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Gráfico 4. Taxa de Subutilização da Força de Trabalho – Brasil e Nordeste (4º Tri 2020) (em%).jpg

Esse quadro de recessão econômica tem comprometido o mercado de trabalho local, gerando um enorme contingente de pessoas na informalidade com ocupações precárias, baixa remuneração e sem proteção social. Nesse sentido, a PnadC mostrou que 859 mil pessoas estavam ocupadas [1] no 4º trimestre de 2020, um acréscimo de 10,3% em relação ao trimestre anterior. Porém, se comparado com os dados do 4º trimestre de 2019, quando 948 pessoas estavam ocupadas, houve uma queda de 9,4%. Ver abaixo.

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Gráfico 5. Sergipe: Sergipe: População Ocupada em 2020 por Trimestre (em mil pessoas).jpg

A PnadC também revelou que o número de empregados do setor privado com e sem carteira assinada (exclusive trabalhadores domésticos), chegou ao último trimestre com 357 mil trabalhadores. O número de empregados foi reduziu ao longo do ano, em especial a partir do segundo trimestre, como pode ser visto logo abaixo no gráfico.

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Gráfico 6. Sergipe: Número Empregados do Setor Privado com e sem carteira Assinada (em mil pessoas) – 2020.jpg

Por último, mas não menos importante, os dados revelaram que o rendimento médio real dos trabalhadores habitualmente recebidos por mês (pelas pessoas em idade de trabalhar ocupadas na semana de referência) no 4º trimestre, foi de R$ 1.879, a melhor remuneração no ano, e 6,4% superior ao trimestre anterior. Ver o gráfico abaixo.

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Gráfico 7. Sergipe: renda Média Real do Trabalhador, por Trimestre (R$) – 2020

Considerações

O estado está passando por uma de suas piores crises econômicas, sócias e de saúde. A pandemia chegou e já encontrávamos com a economia fragilizada, temos um enorme desafio pela frente. Considerando o enorme contingente de desempregados, de 855 mil pessoas fora da força de trabalho, é urgente qualificar essa população nas suas diversas áreas, para um retorno ao mercado de trabalho de forma mais segura. É importante também, que o estado use de suas políticas públicas através do Sistema Nacional de Emprego (SINE)[1] e de outras ações, para orientar as pessoas junto a oferta de oportunidades de emprego das empresas.

É igualmente importante as políticas públicas de aprendizagem profissional (escolas profissionalizantes), que combinam formação técnica e experiências de trabalho, além de manter as medidas compensatórias de proteção social, para reduzir as carências sociais dessa população. Enfim, é preciso ter uma agenda constante de qualificação profissional e proteção social.

Até o próximo texto!

Sudanês B. Pereira

[1] Considera-se pessoas ocupadas aquelas que, na semana de referência da pesquisa, trabalharam pelo menos uma hora completa em trabalho remunerado em dinheiro, ou outra forma de pagamento - produto, mercadorias ou benefícios (moradia, alimentação, roupas, treinamento etc.), ou em trabalho sem remuneração direta em ajuda à atividade econômica de membro do domicílio ou, ainda, pessoas que tinham trabalho remunerado do qual estavam temporariamente afastadas na semana da pesquisa.

[2] Hoje Trabalha Brasil. https://www.trabalhabrasil.com.br/

Sobre o blog

Economista, com formação na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Mestre em Geografia (desenvolvimento regional) e Especialista em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Experiências no setor governamental (municipal e estadual), setor privado (Associação Comercial Empresarial de Sergipe - ACESE e Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo - Fecomércio), foi professora substituta no Departamento de Economia na UFS, pesquisadora e uma das fundadoras do Núcleo de Propriedade Intelectual, hoje Cintec-UFS.

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