Economia e Inovação

Por: Sudanês B. Pereira

18/05/2022

Cingapura Lidera o Ranking Global de Cloud Ecosystem

A nuvem tornou-se parte do aumento da produtividade de um país, como mostra o novo relatório do MIT com a Infosys, “The Global Cloud Ecosystem Index 2022”. O relatório analisa as economias de 76 países em quatro pilares: infraestrutura, adoção de ecossistema, segurança e garantia e talento e afinidade humana. As economias dos países são analisadas de acordo com a forma como a tecnologia, as regulamentações e o talento promovem a disponibilidade de serviços em nuvem. O documento também avalia e compara os marcos regulatórios e as práticas digitais que promovem o uso de modelos de nuvem no setor público e privado.

A nuvem é um recurso fundamental para empresas e governos que se esforçam para aproveitar tecnologias emergentes, como 5G, inteligência artificial e internet das coisas.

OS DESTAQUES PRINCIPAIS

  • OS LÍDERES DO GLOBAL CLOUD ECOSYSTEM INDEX 2022 COMBINAM INFRAESTRUTURA DIGITAL E LIDERANÇA EM GOVERNANÇA.

Governos e empresários mostram esforços significativos para propagar a infraestrutura digital. O relatório mostrou que governos com mentalidade digital usam a nuvem para fornecer serviços públicos e proteger dados pessoais e transações digitais. Cingapura lidera o Índice no geral, graças à estratégia de “primeiro na nuvem”, no qual o governo central liderou um projeto nacional de transformação digital. Depois de Cingapura, o restante dos 10 primeiros lugares do Índice são países europeus que buscam preservar os direitos dos consumidores digitais (em grande parte por meio do Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia, GDPR) e conter tendências monopolistas do setor de serviços de Internet.

  • INFRAESTRUTURA DIGITAL É FUNDAMENTAL PARA OS RECURSOS DE NUVEM DE UMA NAÇÃO.

Os países bem classificados no pilar de infraestrutura são, em grande parte, líderes do Global Cloud Ecosystem Index 2022, contando com banda larga abundante e confiável, e uma densidade razoável de servidores e data centers seguros para sustentar os recursos gerais de computação em nuvem. Cada vez mais, os investimentos em rede 5G são vistos como um importante facilitador da nuvem, trazendo recursos de computação e os aplicativos que eles permitem, mais próximos de consumidores e empresas, com maior velocidade.

  • O ECOCICLO

De acordo com o relatório, há um ciclo virtuoso, o que eles chamam de “ecociclo”, surgindo em muitas economias líderes que usam a ‘nuvem’, pois o aumento do uso de recursos de computação escaláveis e distribuídos por consumidores e empresas, serve como um catalisador para o desenvolvimento de recursos de nuvem maiores e mais eficientes, que aceleram ainda mais a transformação digital em suas economias.

  • PONTES, NÃO FORTALEZAS.

A maioria dos governos preocupados com a nuvem trabalha para construir e promover uma “infraestrutura de confiança”, ou seja, política pública e convenções regulatórias e sociais que garantem que os canais digitais de um governo sejam eficientes, eficazes e seguros. Segundo o relatório, isso é particularmente perceptível na abordagem estrita da Europa à privacidade de dados e privacidade do consumidor, que, em vez de criar uma fortaleza regulatória entre ela e o resto do mundo, influenciou as práticas globais de conformidade e ação regulatória. Assim, há esperança de que os ecossistemas de tecnologia em nuvem possam, com o tempo, fornecer o impulso para a construção de pontes internacionais e, por sua vez, ajudar a fortalecer a infraestrutura regulatória e de segurança cibernética global.

  • A NUVEM COMO ÍMÃ DE TALENTOS.

Os ativos de talentos relevantes de um país para a nuvem, têm tanto a ver com sua dinâmica e oportunidades de mercado, quanto às suas habilidades de engenharia e computação.


LÍDERES NA NÚVEM


Em primeiro lugar está Cingapura, que liderou o esforço de transformação digital -“cloud-first” - iniciado em 2018 com um projeto do governo para migrar a maioria dos recursos governamentais de tecnologia da informação (TI) para a infraestrutura de nuvem pública. Em janeiro deste ano, Cingapura tinha cerca de 600 sistemas governamentais na nuvem.

As pontuações do índice entre os 10 principais líderes têm uma média de 8,2. Essa média, diminui para 7,5 à medida que se aproxima dos 20 países colocados do ranking. Esses 20 países, são em grande parte países europeus, embora incluam países asiáticos e norte-americanos com mercados de tecnologia inovadora (Estados Unidos, Japão, Coréia do Sul e Taiwan) e países com governos progressistas em nuvem (Austrália, Nova Zelândia e Emirados Árabes Unidos). Após os 20 países colocados, as pontuações aceleram para baixo, em grande parte por causa das pontuações mais baixas de adoção do ecossistema e estruturas políticas mais fracas na Ásia, América Latina e África.

Depois de Cingapura, o ranking é ocupado por países europeus (e principalmente da União Europeia), incluindo todos os cinco países escandinavos. Ver a figura 1.

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Fig.1. Ranking dos 10 Principais Países no Cloud Ecosystem Index.png


INFRAESTRUTURA - REDES DE ALTA CAPILARIDADE


De acordo com o relatório, a infraestrutura digital está em rápida evolução permitindo cada vez mais o acesso aos recursos da nuvem. Os países com melhor classificação no pilar de infraestrutura são, em grande parte, os líderes globais do Global Cloud Ecosystem Index 2022 (ver a Figura 2), dada a disponibilidade de banda larga abundante e densidade razoável de servidores e data centers seguros, que servem para sustentar os recursos gerais de computação em nuvem.

O estudo mostra que operadoras de 5G e provedores de nuvem em hiperescala, estão desenvolvendo cada vez mais estruturas colaborativas, como nos exemplos abaixo:

  1. Nos EUA, a AT&T e a Microsoft estão colaborando em um serviço de borda 5G privado, combinado com MEC público (computação de borda de acesso múltiplo), para oferecer serviços corporativos de baixa latência.
  2. A Korea Telecom lançou dois programas de inovação em sandbox para alavancar a conectividade 5G e a nuvem.
  3. Os esforços transfronteiriços, como o 5G Future Forum - uma aliança global de operadoras 5G formada em 2020 por operadoras como Vodafone, Korea Telecom, América Móvil do México, Rogers, Telstra e Verizon do Canadá - para criar padrões MEC globais que permitem hiperescaladores e provedores de serviços colaborar na implantação de recursos internacionais de computação de borda.

Analistas estimaram que os gastos globais com infraestrutura de nuvem no quarto trimestre de 2021 cresceram 34% em relação ao ano anterior, foram US$ 53,5 bilhões em 2021.

O relatório trás vários exemplos governamentais que estão procurando aumentar os recursos do 5G para aprimorar o alcance e a eficácia dos recursos de nuvem. Todo o investimento em infraestrutura de nuvem é para melhorar as economias digitais nacionais.

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Fig.2. Líderes do Pilar de Infraestrutura (top 10) no Cloud Ecosystem Index.png


ADOÇÃO DE ECOSSISTEMAS


Para esse pilar, o relatório avalia o uso de canais digitais em uma nação, a densidade de organizações de software como serviço (SaaS) na economia, e a acessibilidade relativa dos preços de banda larga. Juntos, esses indicadores mostram o quanto - e quão bem - as pessoas e as empresas usam os recursos da nuvem para melhorar sua produtividade e o progresso econômico.

Os resultados mostram que os países com melhor classificação neste pilar são principalmente os líderes gerais do Global Cloud Ecosystem 2022, com exceção do Japão, que tem um desempenho melhor (6º) no pilar de adoção do ecossistema de nuvem do que a Alemanha, que está em sexto lugar no índice geral, mas apenas no 24º em adoção do ecossistema de nuvem (ver a figura 3).

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Fig.3. Líderes do Pilar de Adoção de Ecossistemas (top 10) no Cloud Ecosystem Index.png

De acordo com o relatório, essa variação tem a ver, em grande parte, com a penetração relativa do comércio e serviços digitais em cada país. O mercado de comércio eletrônico do Japão, estimado em US$ 217 bilhões em 2021, é o terceiro maior do mundo, e mais da metade de seus lares costuma fazer compras online. A economia digital do Japão abriga potências digitais inovadoras e globalmente influentes, como Softbank e Rakuten.

A adoção digital da Alemanha, por outro lado, está se movendo em um ritmo um pouco mais lento: com US$ 107 bilhões, o mercado de comércio eletrônico da Alemanha é o quinto maior do mundo, mas continua menor que o do Reino Unido, uma economia com três quartos do tamanho da Alemanha.

O relatório, no entanto, alerta que a adoção relativamente lenta de canais digitais pela Alemanha, esconde uma transformação mais profunda em seus setores de manufatura e logística à medida que o país constrói sua infraestrutura e capacidades da quarta revolução industrial, conhecida como Indústria 4.0. O aumento da aplicação de tecnologias digitais em processos de produção – incluindo o uso de IA, automação e IoT – é amplamente considerado um fator crítico na competitividade futura de um país.


PONTES, NÃO FORTALEZAS - SEGURANÇA E GARANTIA


Para os pesquisadores, o objetivo geral da maioria dos governos é construir e promover uma infraestrutura de confiança que garanta que os canais digitais usados pelos consumidores e empresas de uma economia sejam eficientes, eficaz e seguro.

O pilar de segurança e garantia do Global Cloud Ecosystem Index, classifica cada país por meio de indicadores que incluem: a qualidade de seu regime de segurança cibernética, a eficácia de sua estrutura regulatória e a liberdade de imprensa. A Finlândia e os Países Baixos estão no topo deste pilar (ver a figura 4).

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Fig.4. Líderes dos Pilares Segurança e Garantia (top 10) no Cloud Ecosystem Index.png

De acordo com a pesquisa, os recursos nacionais de segurança cibernética holandeses transformaram o país em uma plataforma de serviços de segurança digital para governos e empresas regionais. Somente Haia abriga um cluster europeu de inovação em segurança cibernética, o Fórum Global para Perícia Cibernética, e a sede operacional de segurança cibernética da Europol e da OTAN.

Dada a natureza globalmente interconectada da nuvem, o relatório deixa claro que os ecossistemas de tecnologia em nuvem - que geram inovação em componentes fundamentais da tecnologia de confiança como blockchain e IA - possam fornecer o impulso para a construção de pontes. Isso pode ajudar a fortalecer a regulamentação e infraestrutura de cibersegurança.


CAPACIDADE HUMANA E HABILIDADES


Segundo o relatório, a disponibilidade de talentos e habilidades é um FATOR extremamente importante para empresas de serviços em nuvem, provedores de SaaS e outros que fazem parte do ecossistema. A qualidade desse talento é medida no pilar talento e afinidade humana, a surpresa no ranking é o Irã.

O relatório mostra que o Irã mantém uma robusta infraestrutura acadêmica de ciência e tecnologia, e é o quinto maior pool do mundo ao formar graduandos em engenharia, depois da China, Índia, Rússia e Estados Unidos. Além disso, o Irã concede a maior porcentagem de diplomas de engenharia do mundo para mulheres. Dito isto, o contínuo isolamento geopolítico do Irã cria barreiras entre sua economia digital e a do resto do mundo. Isso, por sua vez, impede seu acesso à tecnologia e largura de banda, e reduz sua classificação em outras dimensões. A Comissão de Direitos Humanos da ONU expressou recentemente preocupação de que a possível aprovação do Parlamento iraniano de uma lei restritiva de serviços on-line, limitará ainda mais o acesso de seu país aos recursos globais da Internet. Ver a figura 5.

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Fig. 5. Líderes do Pilar Talento e Afinidade Humana (top 10) no Cloud Ecosystem Index.png

Conclusão do Relatório:

a) A maneira como consumidores e empresas usam a nuvem hoje pode acelerar a transformação digital de um país.

b) Pesquisa e desenvolvimento científico aprimorados por inteligência artificial (IA), assim como capital humano com habilidades requeridas pelo ecossistema de nuvem é fundamental para o desenvolvimento de uma economia digital.

c) As plataformas e recursos de nuvem podem ajudar os tomadores de decisão empresariais e governamentais a gerar eficiências operacionais.

d) Governos pró-nuvem são aqueles que promovem canais digitais criando ambientes regulatórios fortes e são os principais usuários da nuvem.

Excelente semana!

Sobre o blog

Economista, com formação na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Mestre em Geografia (desenvolvimento regional) e Especialista em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Experiências no setor governamental (municipal e estadual), setor privado (Associação Comercial Empresarial de Sergipe - ACESE e Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo - Fecomércio), foi professora substituta no Departamento de Economia na UFS, pesquisadora e uma das fundadoras do Núcleo de Propriedade Intelectual, hoje Cintec-UFS.

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