Economia e Inovação

Por: Sudanês B. Pereira

11/01/2022

A Internet das Coisas Médicas (IoMT) deverá alcançar US$ 188,2 bilhões até 2025

O recente surto de COVID-19 levou os provedores de soluções de saúde a fornecer rapidamente soluções para combater a crescente demanda por serviços de alta qualidade para proteção contra o vírus. A rápida disseminação da pandemia permitiu modificações em todo o ecossistema de saúde, desde empresas farmacêuticas, fabricantes de medicamentos, desenvolvedores de vacinas COVID-19, a seguradoras de saúde e hospitais. Espera-se que aplicativos, a telemedicina, o monitoramento remoto de pacientes e medicina interativa, juntamente com monitoramento de pacientes internados, ganhem força durante esse período.

Um estudo interessante que mapeia esse segmento é o “Medtech and the Internet of Medical Things (IoTM) - How connected medical devices are transforming health care”, da Deloitte.

Segundo esse estudo, as empresas de tecnologia médica (Medtech) fabricam mais de 500.000 tipos diferentes de dispositivos médicos, incluindo dispositivos médicos externos vestíveis (adesivos para a pele, bombas de insulina e monitores de glicose no sangue), dispositivos médicos implantados (marcapassos e dispositivos cardioversores desfibriladores implantáveis) e dispositivos médicos estacionários (dispositivos domésticos de monitoramento, dispositivos de imagem conectados e máquinas de digitalização). A maioria das interações do paciente com o sistema de saúde envolve o uso de equipamentos e dispositivos médicos.

A Internet das Coisas Médicas (IoMT)

O aumento no número de dispositivos médicos conectados, juntamente com os avanços nos sistemas e softwares que suportam a captura e transmissão de dados de nível médico, e serviços de conectividade, criaram a Internet das Coisas Médicas (IoMT). A IoMT reúne os mundos digital e físico para melhorar a velocidade e a precisão do diagnóstico e dos tratamentos, além de monitorar e modificar o comportamento do paciente e o estado de saúde em tempo real.

Segundo a Deloitte, a capacidade da IoMT de ajudar a reduzir o custo do atendimento ao mesmo tempo em que melhora sua eficácia, é impulsionada pela evolução da inteligência artificial (IA), particularmente pelo surgimento de tecnologias de aprendizado de máquina. Os benefícios da IoMT são vários, mas pode-se resumir na figura abaixo.

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Figura 1. Os Benefícios da IoMT.png

O Mercado de IoMT

As previsões de crescimento do mercado IoMT são significativas. Espera-se que o mercado geral de IoMT cresça de US$ 41 bilhões (2017) para US$ 158 bilhões até 2022, com o mercado de dispositivos médicos liderando o crescimento, seguido por sistemas e softwares. Ver o gráfico 1.

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Gráfico 1. O Mercado Geral de IoMT .png

A figura abaixo ilustra o mercado de IoMT por região geográfica. Observe que a região da Ásia-Pacífico, é onde ocorrerá a maior previsão de crescimento.

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Figura 2. O Mercado Geral de IoMT .png

As estimativas do tamanho do valor de mercado atual e previsto para dispositivos médicos conectados, variam significativamente, mas o mercado para os dispositivos médicos conectados foi de US$ 14,9 bilhões em 2017 e deve aumentar para US$ 52,2 bilhões em 2022. Ver o gráfico abaixo.

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Gráfico 2. Mercado de Dispositivos Médicos Conectados (em US$).png

A pesquisa com 237 entrevistados que trabalham em empresas de tecnologia médica que desenvolvem dispositivos médicos conectados revelou que 51% das empresas de tecnologia médica estão implementando novos modelos de negócios, 39% até certo ponto estavam mudando seu modelo, e 10% não estavam mudando seu modelo de negócio.

Mas um dado interessante foi o de que 71% dos entrevistados acreditam que os profissionais de saúde e os médicos, não estão prontos para utilizar os dados gerados a partir de dispositivos médicos conectados. Mas sabemos que esse não é um problema só do setor de saúde.

Outro relatório importante, “IoT in Healthcare Market by Component”, da MarketsandMarkets, analisa o mercado de IoT no setor de saúde por componente (dispositivo médico, sistemas e software, serviços e tecnologia de conectividade), aplicativo (telemedicina, imagem conectada e monitoramento interno), usuário final e região. A previsão é que o mercado global deverá crescer de US$ 72,5 bilhões (2020) para US$ 188,2 bilhões em 2025, a uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 21,0% durante o período de previsão.

O Ecossitema da IoMT

De fato, os estudos apontam que a conectividade está transformando a indústria de tecnologia médica.

Segundo o relatório, a ascensão da IoMT está sendo alimentada por um aumento no número de dispositivos médicos conectados que são capazes de gerar, coletar, analisar ou transmitir dados ou imagens de saúde, e se conectar a redes de provedores de saúde, transmitindo dados para um repositório na nuvem ou servidores. A Figura 3 mostra as principais partes interessadas no ecossistema da IoMT.

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Figura 3. O Ecossistema de IoMT.png

Para além das tecnologias envolvidas e da governança do ecossistema, o estudo adverte que as empresas de tecnologia médica precisam desenvolver uma compreensão mais profunda do usuário final e de suas necessidades emergentes e criar novos modelos e cenários de negócios que demonstrem como seus dispositivos novos e existentes, não apenas melhoram os resultados dos pacientes, mas também criam valor para as partes interessadas em saúde.

O futuro da tecnologia médica e da IoMT

Os setores de saúde e ciências da vida estão em transição de modelos de atendimento reativos, e em grande parte episódicos, que estão se mostrando cada vez mais caros e ineficientes para operar, para modelos de atendimento proativos, habilitados digitalmente e que agregam mais valor aos pacientes. Segundo o relatório, as empresas de tecnologia médica e a IoMT podem capitalizar as possibilidades apresentadas por essas mudanças. Mais ainda, os limites atuais entre a IoMT e a IoT do consumidor, começarão a se confundir, dando origem a novas oportunidades para empresas de tecnologia médica.

Boa semana!

Sobre o blog

Economista, com formação na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Mestre em Geografia (desenvolvimento regional) e Especialista em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Experiências no setor governamental (municipal e estadual), setor privado (Associação Comercial Empresarial de Sergipe - ACESE e Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo - Fecomércio), foi professora substituta no Departamento de Economia na UFS, pesquisadora e uma das fundadoras do Núcleo de Propriedade Intelectual, hoje Cintec-UFS.

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