Economia e Inovação

Por: Sudanês B. Pereira

14/12/2021

4,9 bilhões de pessoas no mundo usam a internet

A Internet tem sido uma fonte de inúmeras oportunidades de realização pessoal, desenvolvimento profissional e criação de valor. Com a pandemia da Covid-19, a internet tornou-se uma necessidade vital para trabalhar, aprender, acessar serviços básicos e manter contato.

A International Telecommunication Union (UIT), agência especializada das Nações Unidas em tecnologias de informação e comunicação – TICs, lançou em 30 de novembro o relatório “Measuring digital development - Facts and figures 2021”.

O relatório faz uma avaliação global sobre conectividade digital. A publicação apresenta estimativas para os principais indicadores de conectividade para o mundo, regiões globais e vários agrupamentos de países, incluindo os países menos desenvolvidos designados pela ONU. Os dados apresentados no relatório, lançam luzes sobre as múltiplas facetas e a natureza em evolução da exclusão digital.

A análise da UIT cobre o mundo por meio de seis regiões: África, Américas, Estados Árabes, Ásia-Pacífico, Comunidade de Estados Independentes e Europa. Sob a classificação da UIT, os Estados Árabes Africanos são agrupados sob os Estados Árabes, em vez de África.

Principais Dados

De acordo com a UIT, o uso da internet acelerou durante a pandemia. Em 2019, 4,1 bilhões de pessoas (ou 54% da população mundial) estavam usando a Internet. Em 2020, já eram 4,6 bilhões de pessoas (59% da população mundial. O número de usuários da Internet cresceu 10,2%, o maior aumento em uma década, impulsionado pelos países em desenvolvimento, onde o uso da internet aumentou 13,3%. Em 2021, o crescimento voltou a ser mais modestos 5,8%, em linha com as taxas anteriores à crise.

Aproximadamente 4,9 bilhões de pessoas - ou 63% da população mundial - estão usando a internet em 2021. Isso representa um aumento de 17% desde 2019, com estimativa de 782 milhões de pessoas que ficaram online durante esse período. Ver o gráfico 1.

{{value.image}}
Gráfico 1. Evolução do Número de Pessoas Usando a Internet (2005-2021).png

O gráfico 2 ilustra o percentual de pessoas usando a internet em 2021. A UIT estima que 63% da população mundial está usando a internet em 2021, 90% destes estão nos países desenvolvidos, 87% na Europa, 27% estão nos países menos desenvolvidos.

Entre 2019 e 2021, o uso da internet na África e na região da Ásia-Pacífico aumentou 23% e 24%, respectivamente. No mesmo período, o número de usuários da internet nos países menos desenvolvidos (LDCs) aumentou 20% e agora representa 27% da população. O crescimento tem sido menor nas economias desenvolvidas, dado que o uso da internet já é quase universal, em mais de 90%.

{{value.image}}
Gráfico 2. Percentual de Pessoas Usando a Internet (por região) em 2021.png

Este diferencial de crescimento contribuiu para um estreitamento, mesmo que modesto, da divisão entre os países mais e menos conectados do mundo, a exemplo das economias desenvolvidas e os países LDCs, que passou de 66% em 2017 para 63% em 2021.

Os Jovens são mais conectados do que o resto da população

Em 2020, 71% dos jovens do mundo (com idades entre 15 e 24 anos) estavam usando a internet, em comparação com 57% dos outros grupos de idade. Em escala global, os jovens têm, portanto, 1,24 vezes mais probabilidade de se conectar do que o resto da população.

Esse dado é interessante, pois significa que a força de trabalho se tornará mais conectada e experiente em tecnologia, podendo melhorar as perspectivas de desenvolvimento das regiões.

A proporção de usuários da Internet em áreas urbanas é duas vezes maior do que em áreas rurais

Globalmente, as pessoas nas áreas urbanas têm duas vezes mais probabilidade de usar a internet do que nas áreas rurais. Na África, a diferença é maior: metade dos moradores urbanos está online, em comparação com apenas 15% da população rural.

Onde a conectividade é quase universal, a lacuna urbano-rural quase desapareceu, o que não é novidade. Assim, nas economias desenvolvidas, a taxa de conectividade nas áreas urbanas (89%) é apenas 4% mais alta do que nas áreas rurais. Ver o gráfico 3.

{{value.image}}
Gráfico 3. Porcentagem de Pessoas que Usam a Internet por Local, 2020.png

Assinaturas de banda larga

As assinaturas de banda larga fixa crescem de forma constante, a média global atingiu 17 assinaturas por 100 habitantes em 2021. Nos países desenvolvidos a média é de 36/100, na Europa é de 35/100, nas Américas a média é de 23/100. Ver o gráfico 4.

{{value.image}}
Gráfico 4. Assinaturas de Banda Larga Fixa por 100 Habitantes, por Região, 2021.png

Outro indicador interessante abordado no relatório foi que a penetração das assinaturas de celulares móveis em todo o mundo aumentou em 2021, atingindo um recorde de 110 assinaturas por 100 habitantes. As assinaturas móveis com capacidade de banda larga (3G ou melhor) seguiram a mesma tendência, chegando a 83 assinaturas por 100 pessoas. Segundo o relatório, esse aumento foi impulsionado por países em desenvolvimento nas regiões da Ásia e Pacífico, e nas Américas.

A maior parte da população mundial é coberta por um sinal de banda larga móvel

Segundo a UIT, na maioria dos países em desenvolvimento, a banda larga móvel (3G ou superior) é a principal forma - e frequentemente a única - de se conectar à internet. Cerca de 95% da população mundial tem acesso a uma rede de banda larga móvel. Entre 2015 e 2021, a cobertura da rede 4G dobrou, atingindo 88% da população mundial em 2021.

Em quatro das seis regiões analisadas, a cobertura de banda larga móvel (3G ou superior) está disponível para 90% da população. Mas os dados mostram que a lacuna de cobertura permanece significativa na África, onde, apesar de um aumento de 21% na cobertura 4G desde 2020, 18% da população permanece sem qualquer acesso a uma rede de banda larga móvel. Ver o gráfico 5.

{{value.image}}
Gráfico 5. Cobertura da População por Tipo de Rede Móvel, 2021.png

Os telefones celulares estão se tornando onipresentes

Em quase metade dos países para os quais existem dados disponíveis para o período de 2018-2020, mais de 90% da população possui um telefone móvel. Em apenas 3 países, a proporção era inferior a metade da população, a mais baixa com 45%.

O desenvolvimento de habilidades continua sendo crucial para conectar o que não está conectado

Aqui as informações do relatório são extremamente relevantes. Em 40% dos países para os quais existiam dados disponíveis, menos de 40% dos indivíduos relataram ter realizado uma das atividades que compreendem competências básicas, por ex. envio de e-mail com anexo. Quanto aos componentes de habilidades padrão, como a criação de uma apresentação de slides, em quase 70% dos países, menos de 40% das pessoas sabiam usar uma apresentação de slides. Em apenas 3 dos 76 países para os quais existiam dados disponíveis, mais de 60% dos indivíduos relataram realizar algumas dessas atividades.

Apenas 15% dos países tiveram mais de 10% dos indivíduos relatando que haviam escrito um programa de computador usando uma linguagem de programação especializada.

Alguns comentários

A exclusão digital, a falta de habilidades digitais e os benefícios de uma conexão online é um gargalo para diversos países. Os números da UIT apontaram para uma lacuna gritante entre a disponibilidade da rede digital e a conexão real. Enquanto 95% das pessoas no mundo poderiam, teoricamente, acessar uma rede de banda larga móvel 3G ou 4G, bilhões delas não se conectam. A falta de alfabetização digital também expõe as pessoas a riscos associados ao "lado negro" da conectividade: ataques cibernéticos, golpes, notícias falsas ou conteúdo prejudicial.

O relatório da União Internacional de Telecomunicações serve como uma ferramenta poderosa para colocar o desenvolvimento digital no topo da agenda dos formuladores de políticas públicas. Em um mundo cada vez mais digitalizado, prover infraestrutura de TIC é fundamental para aumentar a competitividade de qualquer país, assim como dar acesso à população através das inúmeras oportunidades que a internet oferece.

Excelente semana!

Sobre o blog

Economista, com formação na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Mestre em Geografia (desenvolvimento regional) e Especialista em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Experiências no setor governamental (municipal e estadual), setor privado (Associação Comercial Empresarial de Sergipe - ACESE e Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo - Fecomércio), foi professora substituta no Departamento de Economia na UFS, pesquisadora e uma das fundadoras do Núcleo de Propriedade Intelectual, hoje Cintec-UFS.

Arquivos