Sergipe

22/02/2019 às 13h31

Saúde e Transporte Coletivo: cuidados são importantes para prevenir doenças contagiosas

Pábulo Henrique

Foto: Edinah Mary
Se sairmos às 5 horas da manhã pelas ruas da Grande Aracaju é possível encontrar pessoas nos terminais ou pontos de ônibus aguardando o transporte coletivo. Eles são responsáveis por ajudar na locomoção de mais de 200 mil sergipanos, que ainda dependem do transporte público nas quatro cidades que formam a região metropolitana.

Ônibus cheios de usuários e, também, de seres que só conseguimos enxergar com o auxílio do microscópico, as famosas bactérias, fungos, vírus, entre outros. Todos os dias, sempre à noite, as empresas responsáveis pela frota do transporte coletivo realizam uma verdadeira força tarefa, seguindo às orientações da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Aracaju (SMTT), para entregar limpos e higienizados, antes mesmo das primeiras horas do dia, os ônibus de quase 120 linhas, que compõem toda a região. Apesar da limpeza acontecer diariamente, é necessário que o usuário tome algumas precauções antes, durante e depois da utilização do transporte público.

Em Aracaju, não é difícil encontrar insetos dentro dos ônibus coletivos decorrentes da falta de cuidado por partes de alguns usuários que deixam, dentro dos veículos, embalagens plásticas, papéis e até mesmo restos de comida. Todo esse montante de lixo traz inúmeras consequências como, por exemplo, o surgimento de vírus contagiosos, algo que merece uma alerta à parcela da população que depende do transporte coletivo para cumprir com as suas obrigações do dia a dia. 

Foto: Edinah Mary
Em 2017, pesquisadores da Universidade de Campinas avaliaram 76 partes internas de automóveis e constataram que, em todas as regiões avaliadas, foram detectadas contaminações de até 10 mil fungos e bactérias responsáveis por causar doenças como rinites, micoses e até mesmo infecções de urina, pulmonares, disenteria e convulsões, principalmente em crianças e pessoas idosas, que são mais vulneráveis às possíveis contaminações por meio de microorganismos patológicos.

A pedagoga Antônia Ferreira não tinha ciência da quantidade de microorganismos que podem ser encontrados dentro de um ônibus coletivo, mas afirmou que sempre se previne para não pegar nenhum tipo de vírus durante o uso do transporte. “Eu fiquei realmente assustada quando tive acesso aos números. Sei que nem todas as bactérias encontradas são prejudiciais à saúde, mas tenho todo cuidado porque já vi ratos, baratas nos ônibus, então, sei que esse tipo de animal pode trazer algum vírus que contamina os espaços. Entendo que as empresas limpam os veículos, mas pela quantidade de pessoas que circulam e o lixo que é deixado por aqui, devemos ficar atentos e tomar cuidado”, observou.

Segundo o diretor do Transporte Público, Augusto Magalhães Carneiro, existe uma coordenadoria dentro da SMTT de Aracaju, que é responsável pelas questões relacionadas ao setor do transporte público, incluindo a fiscalização das condições de uso dos veículos. “Dentro da coordenadoria, temos fiscais responsáveis por fazer vistorias da conservação dos carros. Em relação à limpeza, não temos um número considerável de denúncias, mas estamos sempre atentos a isso. Dentro das empresas existem pátios onde os veículos são limpos, todos os dias, para atender aos cidadãos. Além da limpeza, cobramos que as empresas comprovem que estão efetuando, em uma escala de tempo, a dedetização que é obrigatória”, disse. Ainda de acordo com Augusto, em caso de descumprimento das regras, as empresas são autuadas com multas que variam a depender da irregularidade.

Como ocorrem as limpezas

A limpeza é feita à noite Foto: Edinah Mary
No final do dia, os galpões começam a receber os veículos que passaram todo o dia circulando pelas quatro cidades que oferecem o serviço. Só no pátio do Grupo Viação Modelo, por exemplo, mais de 200 veículos são higienizados em um período de 9 horas, que vai das 20h às 4h da madrugada. Um trabalho que envolve aproximadamente 40 homens, que se dedicam para deixar todos os ônibus o mais limpos possível.

Quando o veículo chega ao local, rapidamente os funcionários fazem a chamada ‘varredura’, em seguida o transporte é encaminhado para o sistema de abastecimento. Abastecido, o ônibus é transportado para lavagem, que acontece em um espaço com fortes jatos de água e grandes duchas, especializadas para o serviço. Depois da lavagem interna e externa, é a vez da limpeza interna com o ‘limpa tudo’, uma espécie de desinfetante, que é utilizado manualmente nos bancos e também em toda a estrutura que serve para dar suporte aos passageiros. Quando todo o processo é concluído, os veículos são levados para a garagem, de onde começam a sair a partir das 4h30.

O gerente operacional da Viação Modelo, Hector Raul Coronado, pontuou, durante uma visita que fizemos ao local, que a empresa desde o início da sua atuação na região metropolitana de Aracaju, sempre se preocupou em prestar um serviço de qualidade aos cidadãos sergipanos, principalmente no que se refere à higienização dos veículos, que é levada ainda mais a sério quando chega o período de chuvas. “Entendemos que manter os nossos ônibus limpos e higienizados é uma obrigação. Muitas vezes quando alguém vir algo, a exemplo de uma barata em um dos nossos transportes, é consequência da comida que uma pessoa comeu e deixou a sujeira ali. Para evitar que isso aconteça com frequência, temos uma equipe apropriada para fazer a limpeza de modo geral e evitar transtornos em nossos usuários”, disse.

Cuidados

De acordo com a infectologista, Manuela Santiago, é natural que sejam encontrados em todos os espaços os denominados ‘microorganismos comunitários’, que são vírus e bactérias inofensivo para saúde. Porém, em alguns locais aglomerados como nos ônibus, é importante ter um cuidado especial devido à comum presença de vírus contagiosos como o da gripe. “Esses locais, por se tratarem de ambientes onde circulam várias pessoas, pode ter algum tipo de vírus contagioso. No caso da gripe, o que muitas pessoas não sabem é que apesar de ser um vírus que circula através do ar, o contágio acontece com mais frequência pelas mãos. Por isso é muito bom que a gente, sempre que puder, esteja com um álcool em gel e papel e, quando chegar em casa, tirar a roupa e colocar para lavar. Essas ações costumam ajudar bastante”, explicou.

Questionada sobre a utilização do desinfetante no processo de limpeza dos veículos do Grupo Viação Modelo, Manuela ressaltou que muitos vírus e bactérias são eliminados desta forma, mas é necessário que o processo de limpeza seja eficiente.

A estudante de Serviço Social, Camila Santana Peres, anda sempre atenta às recomendações. Para ela, se prevenir é o melhor caminho para evitar o contágio de doenças. “Tenho muito receio porque, às vezes, a gente encontra sujeira nos bancos e no chão e até encontra baratinhas circulando. Tudo isso é horrível. Sempre que chego em casa ou no trabalho passo álcool em gel, lavo as mãos e até uso cremes. Todo cuidado é válido”, opinou.


Fonte: Pábulo Henrique