Sergipe

08/01/2019 às 09h20

Confusão marca primeiro dia da terceirização no Nestor Piva

Redação Portal A8

Foto: Jéssika Cruz
A expectativa era de que os atendimentos fossem regularizados às 7h desta terça-feira (08) mas, antes mesmo da empresa terceirizada assumir a Unidade de Pronto Atendimento Nestor Piva, uma equipe de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem estava revoltada, os profissionais souberam de última hora que seriam remanejados gradativamente para o Fernando Franco.

Os pacientes que chegavam na unidade eram orientados a esperar, mas muitos preferiram ir para casa. A demora para que os atendimentos voltassem ao normal é porque o hospital só pode voltar a funcionar após o encerramento da interdição ética. A espera agora é pelo Conselho Regional de Medicina para fazer novas vistorias no local, esteve presente na manhã desta

A confusão no hospital aconteceu quando, técnicos de enfermagem choravam e pediam a permanência no Nestor Piva. Ao chegar, a secretária municipal da saúde foi recebida com barulhos e vaias. Ela recebeu a imprensa em uma sala reservada, onde explicou sobre a contratação de uma empresa terceirizada que administra o hospital por seis meses, em um contrato de 2 milhões de reais.

O conselho regional de medicina chegou ao local no final da manhã, o objetivo foi fazer novas fiscalizações, elas também irão continuar mesmo com o Nestor Piva em funcionamento.

Enquanto os atendimentos no Nestor Piva não voltavam ao normal, a UPA do Fernando Franco também continuava interditada e usuários desassistidos.

O presidente do sindicato dos médicos voltou a falar sobre a forma de contratação sugerida pela rede municipal aos médicos e disse ainda que os gastos com a categoria eram de 300 mil reais, inferior aos do novo contrato firmado entre a prefeitura e a empresa terceirizada.  

Nota da Secretaria de Saúde de Aracaju

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a empresa terceirizada começou a operar nesta terça-feira (08), e será responsável por toda a logística da unidade, seja a manutenção do prédio, segurança e videomonitoramento, até a composição da escala dos profissionais, incluindo os médicos.

A decisão foi tomada por conta da evasão de médicos, nesta primeira semana de 2019, que atuavam através de Recibos de Pagamento Autônomo (RPA), o que ocasionou a interdição ética, via Conselho Regional de Medicina (CRM), por falta de composição da escala na unidade.

Esta modalidade de prestação de serviço era motivo de contestação por parte do Ministério Público Estadual (MPE) e do Tribunal de Contas (TCE-SE). Por isso, a SMS informou aos médicos de RPA, em meados de dezembro, que precisariam permutar para o credenciamento de Pessoa Jurídica, conforme já é feito em outros municípios por todo o país, no âmbito público e privado. Sempre respeitando os padrões de remuneração de mercado.

Além disso, tomou medidas como a realização de um Processo de Seleção Simplificado para 17 funções. Infelizmente, apenas no que se refere aos médicos houve uma adesão ínfima. Além de casos, onde profissionais preferiram sair do PSS e voltar ao RPA.

Por ser um hospital de urgência e emergência, o Nestor Piva não poderia permanecer sem realizar suas atividades. Logo, uma medida célere foi feita para salvar vidas. Ela visa também impedir a desorganização causada pelo RPA, que permitia aos médicos trocarem seus turnos ou faltarem quando bem lhe conviessem. Desta forma, foi possível reduzir custos e otimizar a prestação de serviços.

Vale ressaltar que não haverá nenhuma exoneração de funcionários públicos, uma vez que eles reforçarão o quadro do Hospital Fernando Franco. Dessa forma, a população passa a ter um atendimento mais digno.