Sergipe

15/02/2018 às 10h02

Ambulantes aprendem sobre manipulação de alimentos

Ascom PMA

Em tempos de crise e de desemprego acentuado, muita gente apela para o comércio ambulante. A oportunidade de driblar as dificuldades financeiras e ainda trabalhar com o próprio negócio tem chamado a atenção de várias pessoas e feito crescer o número de comércios de alimentos e bebidas em festas e em diversos pontos da cidade.  Em Aracaju, os ambulantes que precisarem de qualificação podem contar o apoio da Fundação Municipal de Formação para o Trabalho (Fundat). Entre os cursos ofertados no local, existe a oficina de Boas Práticas e Manipulação de Alimentos que, somente em 2017, atendeu mais de 700 ambulantes.

Quem quiser comercializar seus produtos em eventos realizados pela Prefeitura de Aracaju, precisa ter, obrigatoriamente, o certificado da oficina para participar dos sorteios realizados pela Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb). A primeira turma foi formada em janeiro de 2017 e de lá para cá, a procura tem sido grande. A oficina tem validade de um ano.

"O foco da oficina são os ambulantes, mas pessoas que vão abrir algum negócio e que vão precisar manipular alimentos também procuram porque a Vigilância Sanitária exige. Quando é uma época festiva, como foi agora o Rasgadinho, sempre abrimos novas turmas", explica a diretora de formação profissional da Fundat, Selma França.

As primeiras turmas tinham limite de vagas de até 30 pessoas, mas devido à alta procura, já houve turmas de até 130 participantes. Com duração de oito horas, as aulas já aconteceram em diversos pontos da cidade, como nas Unidades de Qualificação e Produção (UQP) da Coroa do Meio e do Santos Dumont, na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Presidente Getúlio Vargas e em Centros de Artes e Esportes Unificados (CEU).

Para participar da aula, o ambulante deve ficar atento ao calendário da Fundat, que oferta vagas para a oficina de manipulação de alimentos sempre antes de grandes eventos. O aluno deve levar cópias dos comprovantes de residência e escolaridade, além de RG, CPF e número de telefone para realizar a matrícula. Os certificados são entregues ao final da aula.

Além dos instrutores da Fundat, representantes da Vigilância Sanitária também passam orientações para os alunos. "Ensinamos, por exemplo, que todo vendedor tem que ter alguém do lado somente para manusear o dinheiro. Também que a forma de se como se apresentam para o cliente é muito importante, além de passarmos a maneira correta de armazenar os alimentos. Muitos deles, quando trabalham em festas, passam praticamente 12 horas na rua e é importante explicar que a pizza não pode ficar exposta, a temperatura correta para a salsicha do cachorro quente, entre outras coisas. A higienização adequada dos produtos é importante para a qualidade do que eles oferecem", afirma Selma.

Tudo funciona através de parcerias: a Emsurb é a responsável por disponibilizar o local para os ambulantes comercializarem seus produtos e realizar o sorteio para selecionar quem irá participar. A Fundat, por sua vez, oferece a oficina de manipulação de alimentos e, por fim, cabe à Vigilância Sanitária a fiscalização nos eventos.

 

Aprovação dos alunos

Genildo Vieira trabalhou durante dez anos com alimentos perecíveis em um supermercado da cidade. Aos 43 anos, foi demitido e viu-se sem perspectiva de encontrar um novo emprego. A demissão serviu de impulso para ele realizar um antigo sonho: ter o próprio negócio. "Sempre gostei de trabalhar com atendimento e já trabalhava na área de perecível, então tomei a atitude de colocar meu próprio negócio, com a cara e a coragem". Genildo comprou um trailer usado e há um ano mantém um food truck e comercializa alimentos em pontos específicos da cidade.

Genildo ficou sabendo da realização da oficina pela TV e procurou a Fundat para fazer a matrícula. Ele garante que o curso de manipulação de alimentos mudou totalmente sua forma de trabalhar e reconhece que seus clientes agora estão mais satisfeitos. "Tirei todas as minhas dúvidas, principalmente na parte de higiene. Eu trabalhava de bermuda e aprendi que temos que estar de calça e sapato fechado. Outra coisa que acontece muito é que as pessoas misturam os alimentos com produtos de limpeza, não usam os Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Agora uso touca, luva, máscara. Mudei totalmente a minha forma de trabalho", garante.

O ambulante ainda conta que, depois que participou da oficina, passa o que aprendeu para os seus colegas. "Nos locais que eu trabalho, percebo que muitos não usavam luvas, toucas, e depois que eu passei pra eles, muitos já começaram a usar. O conselho que eu dou para quem comercializa alimentos ou pretende começar é que faça o curso porque, mesmo já tendo algumas noções, aprendi lá muita coisa para melhorar o meu trabalho".

Genildo já pensa em ampliar o negócio que, atualmente, é a sua única fonte de renda. "Quero começar a vender produtos gourmet, por causa do meu público. Eu amo o que faço e este trabalho está mudando a minha vida", finaliza.

Outra que não perdeu a oportunidade foi a vendedora de drinks e lanches Claudevânia Bezerra. Ela já é assídua nos cursos da Fundat e a oficina de alimentos foi bastante importante para o seu pequeno comércio. "Eu só fazia as coisas erradas porque não sabia, por exemplo, que usar a tábua de madeira que junta muita bactéria, e o tipo de álcool em gel era errado para limpar o balcão. O que eu aprendi no curso passei a utilizar até no meu dia a dia, porque o que é bom, a gente também leva pra casa", afirma.

Feliz com o trabalho, Claudevânia vende seus produtos em todos os grandes eventos realizados pela Prefeitura de Aracaju e pretende cada vez mais se especializar no ramo. "Todos os cursos que aparecem na Fundat e eu posso fazer, eu faço. Eu amo cozinhar. É muito bom quando alguém come a minha comida e diz que está uma delicia e volta depois. Quando estou em minha barraca, me sinto realizada", finaliza.

 


Fonte: Ascom PMA