Sergipe

11/09/2017 às 07h35

Aracaju é referência no tratamento de portadores de HIV/Aids

PMA

Aracaju, através da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), é única cidade sergipana que disponibiliza para os portadores do HIV todo o tratamento necessário. Atualmente, 4.611 pessoas soropositivas de todo o estado utilizam do serviço municipal de saúde na capital, obtendo gratuitamente os antirretrovirais, além de acompanhamento médico, nutricional e psicológico.  

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) divulgou relatório, em julho do ano passado, afirmando que o mundo pode sofrer de uma nova epidemia global do vírus. O Brasil já se encontra em sinal de alerta, uma vez que os casos registrados aumentaram 3%, representando 49% de todos os casos na América Latina.

Segundo dados do Programa Municipal de IST/Aids e Hepatites Virais, uma média de 60 novos casos de HIV foram registrados mensalmente em Aracaju até agosto, contra 45 no ano passado e 30 em 2013. O aumento preocupa à primeira vista, no entanto ele aponta outra situação. “O número é crescente por vários motivos, mas, sobretudo, pelo maior acesso aos diagnósticos precoces. O que acontecia era que muitas pessoas estavam infectadas sem ter conhecimento, um grande perigo, porque podiam transmitir a doença para aqueles que se relacionavam com elas e porque não realizam o tratamento correto”, explica a gerente do Centro de Referência para Atendimento às Pessoas com DST, HIV e Aids (CRDST/Aids) da Saúde de Aracaju, Mônica Rocha.

O caso de Cleidiane Sousa, 37 anos, natural de Lagarto, é um dos exemplos destacados por Mônica. A lagartense, mãe de seis filhos, foi acolhida pela casa “Bom Samaritano”, seis meses atrás. A moça foi viciada em crack e morava em Salvador. Foi lá que conheceu o ex-marido, que passou o vírus HIV para ela, sem que ela tivesse conhecimento. Lelê, como gosta de ser chamada, manteve um relacionamento de quase quatro anos com o portador do vírus e só descobriu que havia contraído quando nasceu seu filho mais novo. “O mundo desabou sobre mim. Não imaginava que poderia acontecer comigo, pois ele nunca mencionou que era soropositivo. Depois descobri que ele até tomava o coquetel”, explica.

Ainda no hospital, logo após o diagnóstico, o recém nascido foi medicado e não contraiu o HIV. “Quando soube do diagnóstico pensei que iria morrer. Só pensava se o meu filho também teria o vírus”, desabafa. Na época, em 2014, a mulher ainda estava viciada em crack e por esse motivo a criança ficou sob a tutela da sua avó paterna, em Salvador. Foi só em 2015, após uma tentativa de homicídio, que ela começou o tratamento. Ficou internada por seis meses em Salvador e depois foi transferida para Aracaju. Quando saiu do hospital havia se libertado do vício. Como Aracaju é a única cidade do estado que disponibiliza todo o aparato necessário para o tratamento, ela decidiu por ficar na “Bom Samaritano”, no bairro 18 do Forte.

A Prefeitura apoia a casa, disponibilizando cuidados médicos e de assistência social, uma iniciativa que é enaltecida por Cleidiane. “Vir para cá fazer o tratamento mudou a minha vida. Eu cheguei a pesar apenas 43 kg. Hoje, recuperei minha autoestima, participo de palestras e reuniões, onde posso conhecer sobre a síndrome, além de ter todo o acompanhamento médico. Aqui eu me sinto bem”, afirma.

Ações Estratégicas 

O Programa praticado na capital dispõe de um Serviço de Atendimento Especializado (SAE) às pessoas vivendo com HIV/Aids e um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) vinculado à Rede de Atenção Especializada, composta de equipe multidisciplinar (médico infectologista, infectologista pediátrico, enfermeiro, assistente social, farmacêutico, psicólogo, nutricionista, ginecologista, odontologista e urologista), que atuam no monitoramento, prevenção, diagnóstico e assistência, promovendo os direitos humanos às pessoas vivendo com HIV/Aids e contribuindo efetivamente para a promoção da saúde no município.

Por conta da eficácia do programa Aracaju é referência no tratamento e diagnóstico de portadores do vírus HIV. “Em vigor nós temos a prevenção combinada, com a distribuição de preservativos, disponibilização da profilaxia pós-exposição sexual desprotegida e teste regular pré-natal (diminuindo as chances de transmissão vertical, de mãe para filho). Além disso, várias ações promocionais e campanhas são realizadas frequentemente, dissuadindo as pessoas sobre preconceito contra os soropositivos e alertando para a necessidade do diagnóstico precoce”, explica Débora Oliveira, assessora técnica do Programa Municipal de IST/Aids e Hepatites Virais.     

Garantindo o futuro

Todo o esforço desempenhado pela rede municipal de saúde e seus servidores é para garantir não só a sobrevivência, mas também qualidade de vida para os portadores do vírus.  Desta forma, a SMS disponibiliza o tratamento mais moderno para os sergipanos. “Quando descobri o vírus achei que não iria sobreviver, fiquei sem saber o que fazer, mas no Cemar recebi o encaminhamento e apoio. Isso faz dez anos, quando tomava vários remédios, que tinham efeitos colaterais. Hoje, tomo só dois comprimidos e tenho uma vida tranqüila” afirma D. M., 47 anos, primeira mulher a ser acolhida na casa “Bom Samaritano”. 

Pensando no bem estar dos sergipanos, o tratamento contra o vírus, que foi responsável pela morte de 35 milhões de pessoas nos últimos 35 anos, ganhará um reforço em Aracaju. Trata-se do PREP, Profilaxia Pré-Exposição, através de medicamento antirretroviral, que deverá ser usado antes do ato sexual. O remédio será disponibilizado gratuitamente ainda neste ano. Em um primeiro momento, a medicação estará disponível apenas para a população que faz parte dos chamados grupos de risco: casais homossexuais, profissionais do sexo e casais sorodiscordantes (quando um dos membros da relação possui o vírus e o outro não). Assim, mais uma ferramenta poderá ser usada para combater a propagação do vírus e a capital sergipana seguirá sendo destaque na garantia de uma vida digna para os portadores de HIV/Aids.  


Fonte: PMA