Sergipe

07/05/2011 às 16h05

Crianças são assaltadas durante atividade escolar no bairro Santa Maria

Redação Portal A8

Durante uma atividade escolar promovida por formandos de Educação Física da Universidade Federal de Sergipe, 26 crianças com idade entre 09 e 10 anos, -alunas do Colégio de Aplicação-, acompanhadas de um professor e quatro estagiárias, foram assaltadas por dois homens armados nessa sexta-feira (06) em uma praça situada no bairro Santa Maria.

Segundo informações de Judite Menezes Lima, avó de uma das vítimas do assalto, o grupo de alunos entrevistava moradores do bairro e fazia um estudo. A caminho do ônibus, as crianças foram surpreendidas pela ação dos bandidos que anunciaram o assalto e as ameaçaram de morte sob mira de revólveres. Assustadas, elas ficaram em estado de choque, muitas choraram e outras aparentemente não tiveram nenhum tipo de reação. Os assaltantes levaram máquinas fotográficas, celulares e objetos de valor.

De acordo com Judite, os pais não foram informados quanto ao roteiro da atividade em passeio escolar. "Nós não tivemos informações de para onde levariam as crianças. Eu até fiquei preocupada, achei melhor que minha neta não fosse, mas a minha filha, mãe da menina, me convenceu porque não achou que a escola fosse permitir que as crianças se deslocassem para um local sem segurança. Por fim, eu e minha filha estávamos em uma clínica veterinária e ficamos monitorando, telefonando para minha neta enquanto ela estava no passeio escolar. Quando minha neta disse que estava em uma praça no bairro Santa Maria, minha filha ficou louca. Queria de qualquer jeito ir ao local para buscar minha neta, mas aí já foi tarde demais. Graças a Deus minha filha não sofreu nada, mas foi por muita sorte, ela correu dos bandidos, capaz de ser morta, um risco muito grande porque ela reagiu ao assalto".

Após o fato lamentável, as crianças ao retornarem para o colégio após um passeio trágico, ainda passaram por mais um sufoco: "Minha neta falou que os professores proibiram as crianças de telefonarem para os seus pais. Elas choravam muito, tiveram alunos que fizeram xixi nas calças, um trauma muito grande. Nós ligamos 57 vezes para minha neta e ficamos desesperadas porque não tínhamos informação nenhuma dela. Acho um absurdo, acuso a direção da escola de negligência, ou seria imaturidade? Só queria que após o fato que poderia terminar em tragédia, a escola reunisse os pais e que providenciasse psicólogo para as crianças, porque minha neta está sem dormir de noite, tem pesadelos, está traumatizada e nós contratamos um profissional para cuidar do problema dela, mas os pais que não tem condições? Como é que ficam?", relatou a avó.

Escola 
De acordo com informações da direção escolar do colégio, assim que tiveram conhecimento do fato, as crianças foram assistidas pelos professores e para os pais foi comunicado que caso alguma criança apresentasse problemas emocionais, seria encaminhada para o Serviço de Psicologia Aplicada da Universidade Federal de Sergipe. " As crianças estavam realizando uma atividade escolar e sob autorização dos pais e responsáveis. Após notificarmos o fato, demos toda a assistência possível e só permitimos que os alunos saissem do colégio com a presença dos pais ou de um responsável. Só prestamos o boletim de ocorrência na delegacia Plantonista à noite por conta da preocupação maior que tivemos em dar assistência às crianças", relatou o professor e diretor escolar, Nemézio Silva. 

Quanto a acusação de que as crianças foram proibidas de telefonarem para os pais, a direção escolar relatou que a informação não procede.