Sergipe

23/10/2010 às 15h53

Menina de cinco anos procura a polícia para denunciar violência doméstica

Redação Portal A8

 

A situação em que as crianças estavam surpreendeu a polícia (Foto: Atalaia Agora)

Cansada com a violência dentro da própria casa uma menina de apenas cinco anos resolveu buscar ajuda policial. O fato, que aconteceu na tarde dessa sexta-feira (22), na 5ª Delegacia Metropolitana, foi consequência da combinação entre bebida alcoólica e ciúmes.

 

Muito assustada a criança revelou que as brigas entre a mãe e o padrasto são constantes. "Eles bebem e começam a brigar, eu queria que ele saísse da minha casa e fosse embora para a casa da mãe dele", desabafou a menina que teve o pé pisoteado pelo padrasto no momento da briga entre o casal.

A mãe da menina, que foi identificada apenas como Maria, confirmou que estava brigando com o parceiro. "Ele fica mexendo com as mulheres na minha frente, aí eu não aguentei. A vontade era de enfiar a faca nele", revelou a mulher que estava sob o efeito do álcool. Além da filha mais velha, Maria tem outros dois filhos pequenos, que também presenciaram a cena de violência.

De acordo com o delegado Marcos Garcia a iniciativa da criança foi surpreendente. "Diante do apelo da menina fomos até o local e constatamos uma situação de risco para as crianças. No local verificamos litros de cachaça e as pessoas estavam visivelmente embriagadas", afirmou o delegado.

Segundo o delegado o acusado fugiu do local antes da chegada da polícia e a mulher não quis prestar queixa. "Não foi possível aplicar a lei Maria da Penha no caso, pois a vítima não quis registrar o crime e disse que resolveria só", relatou o delegado que ressaltou. "Muitas vezes as parceiras relutam em denunciar o agressor, pois não querem abrir mão do sustento da família e acabam se submetendo a violência. Em virtude desse fator existe uma dificuldade em aplicar a lei", revelou.

Diante da falta de estrutura familiar a polícia acionou o Conselho Tutelar. "A guarda das crianças foi retirada momentaneamente da mãe, até que ela possa se recuperar", explicou o delegado.