Sergipe

04/09/2010 às 07h10

Pesquisa do IBGE revela que média de homicídios em Sergipe caiu nos últimos anos

Redação Portal A8

Uma pesquisa divulgada nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que o estado de Sergipe registrou uma taxa de 25,7 mortes por 100 mil habitantes, o que é considerado o 15º índice do país e 4º da região Nordeste. O resultado deixa Sergipe abaixo da média registrada no Nordeste (29,6/100 mil hab.) e dos índices alcançados por Alagoas (59,5/100 mil hab.), Pernambuco (53,0/100 mil hab.), e Bahia (26,0/100 mil hab.).

O índice é influenciado por um trabalho que vêm reduzindo os homicídios no estado, sobretudo em duas regiões consideradas problemáticas em matéria de mortes violentas: a região metropolitana (Aracaju, Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão) e a cidade de Itabaiana, no agreste.

Na cidade serrana, a média de assassinatos caiu de 5 por mês em 2006, quando foram registrados 55 homicídios, para 2,5 por mês em 2010, ano que, até o fim de agosto, registrou 20 crimes, sendo 15 no 1º semestre, e 5 nos outros dois meses. Já na capital, as maiores quedas de homicídios em relação ao ano passado aconteceram em três meses. O DHPP registrou, em agosto deste ano, 17 ocorrências, contra 30 do mesmo mês de 2009. A queda em relação a 2009 também foi alta nos meses de maio (10 contra 17) e março (20 contra 31).

Um segredo para a redução dos homicídios está na especialização dos setores de investigação voltados para este tipo de crimes. Na Delegacia Regional de Itabaiana, foi criado há dois anos o Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), que conta hoje com um delegado, um escrivão e quatro agentes. "Temos um setor especializado, com equipe de local de crime que faz o levantamento logo após que os crimes acontecem. Isso tem nos ajudado a solucionar quase todos os inquéritos que nos chegam, o que de certa forma inibe a ação de criminosos", afirma o delegado regional Fábio Pereira.

O SHPP de Itabaiana, que já conseguiu elucidar 92% dos homicídios ocorridos na cidade no último ano, é inspirado no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), criado em 2007 a partir da antiga Delegacia Especial de Homicídios (Dehoc), para concentrar os crimes ocorridos em Aracaju e Socorro, sendo esta área expandida posteriormente para São Cristóvão e Barra. Segundo o delegado Everton dos Santos, diretor do DHPP, cerca de 70% dos inquéritos abertos pela unidade são concluídos com a autoria esclarecida e 95% deles possuem informações passadas pela população.

A participação da população, seja pelo contato direto com os policiais ou através do Disque-Denúncia (181), é considerada decisiva na solução dos homicídios e na sua conseqüente resolução. "A população demonstra total credibilidade no nosso trabalho e isso tem aumentado. As pessoas nos dão pistas e informações, autoria, armas, envolvidos... e vamos atrás de todas as denúncias que recebemos. Mesmo que elas não sejam verdadeiras, mas nós investigamos", garante o diretor.

Parcerias

Tanto Everton quanto o delegado Fábio Pereira ressaltam que o trabalho integrado da Polícia Civil com a sociedade e outras instituições também ajudam na redução de homicídios. Ambos destacam a participação da Polícia Militar. Outros parceiros apontados são o Ministério Público e o Poder Judiciário. "Eles são fundamentais para o andamento dos trabalhos. Sempre que precisamos, eles colaboram com mandados de busca e apreensão, com despachos, com lavratura de flagrantes. Temos a Justiça e o Ministério Público como grandes parceiros", frisa Fábio.

Esta parceria também permite, segundo o diretor do DHPP, que os autores dos homicídios permaneçam presos em delegacias e penitenciárias do Estado. "Não temos nenhuma rotina recente de fugas em presídios e esses casos em delegacias caíram bastante. A Justiça tem mantido essas pessoas presas e houve um endurecimento das condenações aplicadas nos julgamentos. Isso também ajuda a inibir as mortes provocadas dolosamente", ressalta Everton.

Motivos

As motivações dos crimes contra a vida também estão mudando, por conta do trabalho de combate ao crime das polícias. A prevalência, segundo os delegados, é de crimes envolvendo os próprios agentes criminosos, chamados de "acertos de contas". "Geralmente são pessoas que estão no crime e se desentendem, por conta de uma dívida de droga, ou de um dinheiro de assalto não-repassado, ou de delação à polícia", explicou Everton, sobre as causas mais freqüentes dos assassinatos ocorridos na região metropolitana. Em um patamar próximo estão os motivos fúteis, como discussões, conflitos familiares, crimes passionais, brigas de rua, entre outros.

Já em Itabaiana, cuja imagem esteve historicamente ligada aos crimes de pistolagem, esta motivação caiu fortemente, deixando o município com a mesma realidade da capital. A diferença, segundo Fábio pereira, está na prevalência dos motivos banais. "Em 2006, registrava-se mais de um homicídio por semana em Itabaiana, quase todos relacionados a crimes de pistolagem e não eram elucidados.

Hoje os crimes de mando respondem ao menor percentual dos tipos de homicídio em Itabaiana. O exemplo é que depois que assumimos ocorreram seis homicídios em mais de 70 dias e desses somente dois tiveram características de crime de mando. O que há mais hoje são essas mortes por motivos fúteis. São crimes que a polícia não tem como evitar, mas agiu rapidamente e elucidou", declara o delegado regional.

 

Fonte: SSP/SE