Sergipe

23/03/2009 às 17h36

Rebelião no Copemcan foi provocada pelo PCC

Redação Portal A8

Uma das mais temidas facções criminosas de São Paulo, o Primeiro Comando da Capital (PCC) está criando raízes no sistema prisional de Sergipe. No último sábado (21), um início de rebelião que aconteceu no Complexo Penitenciário Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão, foi provocado pelo PCC. A afirmação foi do diretor do Complexo Penitenciário, Rosnam Pereira. Ele afirmou que o objetivo da facção criminosa é desestabilizar o sistema penitenciário de Sergipe.

"O problema aconteceu apenas com os internos da ala A, do Pavilhão 2. Nesta ala existem 105 presos, sendo que 101 são ‘`batizados`` pelo PCC e foi justamente nela onde tudo começou sábado no final da tarde. Eles insistiram em não retornar às suas celas e por isso nós utilizamos as prerrogativas legais para manter a ordem", contou Pereira.

 

Dir. do Compecan Rosan Pereira (Foto:DouglasMagalhães)


Os integrantes do PCC não gostaram das mudanças nos horários de visitas. A questão é que nos dias de visita geral, que acontece no domingo, o Complexo chega a receber cerca de 1.600 visitantes, um número que ultrapassa a população carcerária do Presídio, que é hoje de 1.200 presos.

"Com a presença de muitas pessoas fica difícil controlar os atos da facção. Eles ficaram contrariados com as mudanças porque interrompemos de alguma forma a cadeia de informações que eles mantem fora da penitenciária", explicou Pereira, acrescentando que o PCC está na mira do serviço de inteligência da Secretária de Segurança Pública do Estado. "Estamos atentos ao grupo e não vamos deixá-lo se firmar aqui em Sergipe", garantiu.

Compecan (Foto:Douglas Magalhães)

 


Os cuidados para impedir a entrada de armas, telefones celulares e drogas tem sido muitos. Recentemente a Secretaria de Estado da Justiça adquiriu bancos detectores para identificar qualquer peça de metal portada por visitantes. Segundo Pereira, o caso mais recente aconteceu com um homem que ao sentar no banquinho o alarme foi acionado.

"Descobrimos que ele carregava três telefones no ânus. Também já foram registrados casos onde mulheres traziam peças de pistola dentro da vagina. A pistola era desmontada e a cada visita uma peça era trazida até ser feita a montagem da arma", contou o diretor.

Para se tornar membro do PCC, o criminoso precisa ser "batizado", ou seja, apresentado por um outro que já faça parte da organização criminosa e que se responsabilize por suas ações. O líder da facção exige de cada "irmão", como são tratados os integrantes do grupo, uma taxa mensal de R$ 50; os que estão em liberdade pagam mais caro R$ 500. O dinheiro em caixa é usado para compra de armas e drogas, além de financiar ações de resgate de presos ligados ao PCC.

Banco detector de metal (Foto:Douglas Magalhães)


Na primeira quinzena deste mês, policiais da Delegacia de Combate a Tóxicos e Entorpecentes (DECTE), com o apoio da Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (Dipol), da 3ª e 4ª Delegacias Metropolitanas e do canil do Batalhão de Choque, desarticularam uma quadrilha especializada na distribuição de crack e cocaína na capital e em algumas cidades do interior do Estado. As investigações partiram de denúncias anônimas e duraram cerca de 30 dias.


De acordo com o delegado João Batista, três pessoas detidas em presídios do Estado comandavam a compra, venda e distribuição da droga. As investigações mostraram que o líder da quadrilha conhecido como Giló, embora estivesse preso há oito anos, deu o aval ao comparsa Jamisson para adquirir o crack com facções criminosas de São Paulo. Com essa informação, a polícia acredita existir uma conexão entre os presidiários sergipanos e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), que atua nos presídios paulistas. O delegado explicou que transportar uma grande quantidade de crack de um Estado para outro não é tarefa fácil.
"É preciso ter os canais, pontos de venda e esses pontos só são adquiridos através de facções relativamente organizadas. Isso nos preocupa muito porque é uma forma dos traficantes sergipanos conseguirem condições para incrementar o tráfico aqui no Estado", falou João Batista.

Veja como ficou a visitação no Compecan

Todos os pavilhões, juntamente com as suas alas, terão visitação organizada pelos dias da semana. O diretor do Copemcan informou que nas segundas-feiras será liberada a visitação ao Pavilhão 1; nas terças, ao Pavilhão 2; nas quartas, ao Pavilhão 3; quintas, Pavilhão 4 e sextas-feiras ao Pavilhão 5. "Além disso, para que ninguém saia prejudicado, por conta destes serem dias úteis, aumentamos o números de cadastrados para a visita de cinco para doze pessoas. Dessa forma, a fiscalização fica mais intensa e nenhum interno nem seus familiares poderão ser prejudicados", finalizou Rosman Pereira.

Fila de visitantes no Compecan (Foto:DMagalhães)