Sergipe

23/03/2009 às 08h42

Presos são feridos em tumulto no Copecam

Redação Portal A8

O final de semana foi marcado por tumulto nas dependências do Complexo Penitenciário`Carvalho Neto, no município de São Cristóvão. Devido à mudança nos dias de visita, internos de quatro alas iniciaram um princípio de rebelião ao se recusarem a entrar nas celas.

Para conter os ânimos a direção do Desipe precisou pedir reforço policial. Houve disparos com bala de borracha. A polícia também usou granada de efeito moral. Na confusão, seis internos ficaram feridos, sendo que dois deles tiveram que ser encaminhados ao Hospital de Urgência de Sergipe. "Eles receberam pontos, sendo em seguida liberados e reencaminhados ao Copecam", disse o diretor do Departamento do Sistema Penitenciário de Sergipe, Manoel Lúcio Neto.

Mudança de horário

De acordo com o Desipe a confusão foi motivada pela mudança nos dias de visitas. Até então, a visita geral ocorria no domingo. Nesse dia o Copecam chegava a receber cerca de 1.600 visitantes. "Essa situação vinha causando vários problemas, inclusive fragilizando a segurança por ser difícil monitorar tanta gente. Além da questão da segurança, os familiares dos presos também sofriam bastante porque eram obrigados a dormir na fila para entrar no dia seguinte", explica Manuel Lúcio.

"Aos domingos a fila que se formava em frente ao Copecam era quilométrica. Algumas pessoas que vinham de Estados vizinhos chegavam à sexta-feira. No geral, os familiares chegavam a passar horas na fila até entrar. As mudanças feitas também foram pensando numa forma de resolver esse problema", disse o diretor do Desipe.

As visitas íntimas continuam acontecendo aos sábados, mas a visita geral que acontecia aos domingos agora foi fracionada. Passam a acontecer de segunda a sexta-feira por pavilhão. Hoje (23), por exemplo, a visita é liberada para o pavilhão 01.

Protestos

A mudança dividiu opiniões. Para alguns familiares não foi bom. "Trabalho e só posso visitar meu marido no domingo. Agora não sei como vai ser", disse uma secretária do lar que prefere manter a identificação em sigilo. O mesmo dilema enfrenta a auxiliar de serviços gerais, Cassandra de Jesus. "Tenho um filho que está no Copecam e todos os domingos faço a visita, mas com essa mudança não vou poder fazer mais isso, pois trabalho numa empresa particular. Não achei justo", disse ela.
A dona de casa, Maria de Oliveira Santana que também está com um filho no Copecam afirma que pra ela foi melhor. "A visita no domingo tinha muita gente e tinha que chegar à madrugada. O sofrimento é grande", garante ela.

De acordo com a direção do Desipe as mudanças vinham sendo estudadas há três meses. "Fizemos a mudança com base, principalmente na reclamação dos familiares que reivindicavam um melhor atendimento. Também comunicamos a mudança aos presos. Ninguém foi pego de surpresa, inclusive a conversação com os internos vinha ocorrendo há um mês" ressalta.