Sergipe

21/03/2009 às 12h16

Agricultores de Sergipe apontam as vantagens de diversificar a produção

Redação Portal A8

Para o pequeno produtor rural, cada época do ano é propícia para a colheita de culturas específicas. Por isso, muitas vezes, quando a colheita esperada em assentamentos da reforma agrária atrasa, é preciso encontrar alternativas. "A produção em nosso assentamento tem que ser diversificada. De outra forma não conseguiríamos manter a estrutura do assentamento funcionando", explica Magna dos Santos, assentada da Reforma Agrária do Projeto de Assentamento (PA) Ivan Ribeiro, em Pirambu, Sergipe.

O ensinamento de Magna dos Santos decorre da experiência obtida com o cultivo das culturas de milho, feijão, mandioca e com a criação de gado, por mais de 16 anos. "A mandioca demora para ser colhida. Muitas vezes são quase oito meses de espera. Por isso investimos nosso trabalho em outras atividades também", diz.

José Batista dos Santos, marido de Magna, é um dos coordenadores do PA Ivan Ribeiro e destaca que, além do trabalho, o dinheiro aplicado por meio de créditos governamentais também pode ser investido em áreas diversificadas. "Recentemente nossa comunidade recebeu ajuda financeira para reformar 39 casas. O recurso restante será investido para reformar nossa fábrica de farinha de mandioca, que tem ótimo potencial de produção", diz.

Segundo Batista dos Santos, a fábrica de farinha de mandioca do PA Ivan Ribeiro tem hoje capacidade para produzir entre 30 e 40 salamins (unidade de medida utilizada pelos pequenos produtores locais, equivalente a 15 kg, dependendo do tipo de farinha). "Após a reforma, com a aquisição de novas máquinas de moer mandioca, esperamos produzir até 50 salamins por dia", projeta.


Pequena fábrica, grandes histórias

A fábrica de farinha de mandioca do PA Ivan Ribeiro, a "Casa da Farinha", como é conhecida pelos assentados, ainda não atingiu alto potencial de produção esse ano. Mas para Gernásio dos Santos, 77 anos, produtor de farinha de mandioca, isso é normal. "Nesse momento é hora de reformar a estrutura da fábrica, pois a terra de Ivan Ribeiro é rica e é possível plantar de tudo. Já que mandioca demora, vamos nos virando com outras culturas e, mesmo assim, produzindo alguma farinha", afirma.

Depois de mostrar uma bacia de palha cheia de mandioca, Gernásio dos Santos firma o pé e sobe em sua carroça em direção à estrada. Com otimismo e bom humor, despede-se de maneira orgulhosa. "Veja, com 77 anos, mesmo fora da época de colheita, enchi o carro de mandioca. Com minha idade tem gente que não faz nem metade do trabalho", diz, sorrindo.