Sergipe

04/03/2009 às 08h45

Em 58 localidades de Canindé do São Francisco a situação é crítica

Redação Portal A8

 

Produtores aguardam com expectatiiva as chuvas que estão escassas desde o ano passado (Sérgio Ferreira)

A estiagem no alto-sertão sergipano começou em setembro de 2008 e desde então a estiagem predomina em toda região. Nossa Senhora da Glória, Monte Alegre, Poço Redondo, Porto da Folha e Canindé de São Francisco são os municípios mais prejudicados pela escassez de chuvas.

 

As chuvas de trovoadas, que costumavam cair nos meses de dezembro e janeiro, não precipitaram até o momento. "O sertanejo, mesmo convivendo com a escassez de água, sempre esperou as invernadas de verão quando, em meio ao forte calor, aguardava o aguaceiro de encher poços, aguadas, cisternas e, quando mais intenso, até transbordava os açudes ressecados pelo sol. Até agora, o que caiu de água só fez barrufar, nem baixou a poeira", disse Nelson Araújo Oliveira, assistente técnico da Defesa Civil Municipal.

Plano emergencial

Para minimizar o sofrimento de boa parte da população da zona rural, a Prefeitura de Canindé de São Francisco, a 200 km de Aracaju continua desenvolvendo o seu plano emergencial de combate à seca. Gerenciado pelo Departamento de Recursos Hídricos da Secretaria Municipal de Obras, o combate à seca conta com 26 carros-pipa que diariamente atendem dezenas de comunidades.

Em Canindé, diariamente, a prefeitura e o Exército abastecem 58 localidades. Por mês, são mais de duas mil carradas de água distribuídas entre os moradores da área rural. Mensalmente, enquanto o Exército contribui com apenas 560 carradas, a prefeitura participa com 1.600. Enquanto os militares cotizam apenas 20 litros diários por pessoa, a prefeitura de Canindé distribui mais que o dobro desta quantidade. É o que explica Marciano Mariano de Souza, chefe do departamento de Recursos Hídricos do município.

Apesar da pouca expectativa de chuvas, agricultor não perde a esperança ()

 

 

Em Canindé, o cenério de seca está por toda parte ()

"Os soldados levam água apenas para o consumo humano. A prefeitura, além de abastecer as pessoas, ainda distribui o suficiente para matar a sede dos animais domésticos e das suas pequenas criações. Em cada localidade, depositamos uma quantidade razoável de água para o consumo animal. Aguadas, pequenos poços e barragens são os locais mais apropriados para se depositar a água que será compartilhada pelos rebanhos dos pequenos criadores, geralmente assentados e acampados rurais", esclareceu Marciano de Souza.

 

Chuvas escassas

O engenheiro agrônomo José Gomes da Silva Filho, chefe do Perímetro Irrigado Califórnia, revela que o índice pluviométrico é crítico e as poucas chuvas que caíram na região são insignificantes para amenizar o sofrimento dos produtores agrícolas e dos pequenos criadores. "De outubro de 2008 até este mês choveu apenas 24,5 mm. São precipitações muito baixas e não revertem as condições climáticas da região. E para agravar a situação, a temperatura também se manteve elevada. Registramos em nossa estação agroclimática temperatura de até 41,3 graus Celsius", enfatizou José Gomes.

Nos sete municípios que compreendem o alto sertão sergipano a situação está feia. Gado morrendo, famílias migrando para as sedes municipais, as prefeituras abarrotadas de gente pedindo auxílio e um número crescente de pequenos produtores apavorados. Para este mês de março, segundo os institutos de meteorologia, o clima no alto sertão sergipano continuará como está.

Mesmo com esta previsão na animadora, o prefeito de Canindé, Orlando Andrade, demonstra otimismo. "O sertanejo sente o cheiro da chuva de longe. As nuvens carregadas começaram a chegar, estão sobre as nossas cabeças. Vai ter uma hora que vão acabar acontecendo", disse o bem humorado prefeito Orlandinho Andrade.

Reportagem: Silva Júnior