Sergipe

28/02/2009 às 23h59

Filhas reencontram mãe depois de 25 anos separadas

Redação Portal A8

A emoção alçou vôo no início da tarde deste sábado(28), após o desembarque da costureira Marli da Silva, 55, no Aeroporto Internacional de Aracaju. Ela precisou de força para resistir ao reencontro com as duas filhas das quais não sabia o paradeiro e que não via há duas décadas e meia. Próximo dali, um sargento do Grupamento de Inteligência do COE da Polícia Militar de Sergipe, de pseudônimo "Roberto", observava a cena que ele ajudou a compor. As lágrimas de alegria derramadas no forte abraço entre as três mostraram ao policial que o seu trabalho investigativo e voluntário realizado durante cerca de um ano não foi em vão.

Nicole e Denise da Silva, hoje com 27 e 29 anos de idade, respectivamente, foram tiradas da mãe ainda quando crianças, na Barra de Itiúba, em Alagoas, e passaram a morar com o pai, primeiramente na capital sergipana e depois em Carmópolis/SE. Sem notícias da mãe, as duas irmãs cresceram e chegaram à fase adulta, constituindo família e dizendo aos seus filhos que não tinham nenhuma informação sobre a avó.

"Procurávamos sempre por ela e íamos em emissoras de Rádio de Alagoas para tentar achá-la. A única coisa que tinha era a imagem do rosto dela, retirada de uma foto de formatura de uma ex-vizinha. Ampliei a imagem e divulguei em um site de relacionamento na Internet. Acabei encontrando uma irmã dela que mora em Gararu/SE, mas nem mesmo a família sabia dizer onde ela estava. A única coisa que descobrimos é que ela tinha ido para São Paulo", explica Nicole.

São Paulo foi o destino de Dona Marli depois da separação e da desilusão. Ao lado da filha mais velha e sem jamais desistir de encontrar as que estavam desaparecidas, ela passou por grandes dificuldades financeiras e chegou a trabalhar de faxineira, mas sempre juntando dinheiro e vindo para o Nordeste. "Eu deixava as malas na casa de uma irmã, em Alagoas, e vinha para Aracaju, procurar minhas filhas, mas o pai e elas já tinham mudado de endereço. As pessoas conhecidas diziam que não sabiam onde estavam morando. Como não tinha dinheiro para comer nem onde me hospedar, dormia muitas noites na Rodoviária. Mesmo depois que fui para São Paulo, vinha para cá todos os anos para procurar por elas, mas 15 dias não dava para fazer muita coisa. Não tinha ninguém que soubesse deles, ninguém que desse uma pista", conta.

É aqui então que entra o sargento do COE, que conta com grande experiência adquirida nos seus oito anos de serviço no setor de inteligência e que tem persistência no encontro de pistas. Ao ouvir um dos programas de rádio que divulgaram a história das jovens que queriam reencontrar a mãe, ele ficou comovido com a situação e resolveu ajudar. Entrou em contato, via e-mail, com Nicole e começou a procurar, chegando a pesquisar até mesmo nas madrugadas e a usar seus horários de folga para encontrar Marli.

"A única pista que tínhamos era o nome dela e um suposto ano de nascimento. Foi difícil, pois além de ter várias mulheres chamadas Marli dos Santos e na mesma faixa etária, verificávamos a possibilidade de ela ter se casado e mudado de nome. Havia noites em que eu encontrava cerca de 900 combinações de nomes. Tive acesso a vários bancos de dados, inclusive com o apoio de outras células de inteligência de várias esferas em âmbito estadual e federal. Às vezes, as ferramentas atrapalham pelo excesso de informação, mas tive o cuidado de filtrar o que me interessava", declara o integrante do COE.

De acordo com o policial, Nicole não dispunha de dados suficientes e já havia esgotado a possibilidade de encontrar Dona Marli pelo nome, até que achou um documento que tinha o nome e a data de nascimento da irmã que mora com a mãe. Os novos dados foram passados para "Roberto", que conseguiu descobrir o número de telefone. "Eu já estava quase perdendo a esperança de encontrá-la. Quase não acreditei quando liguei para São Paulo e falei com a minha mãe, no dia 3 de fevereiro. Estamos muito felizes!", diz Nicole. "O que nos restou provado, e que muito nos servirá de lição na carreira policial, foi a diferença substancial que há entre a fadiga de quase desistir e o ato desistir", ressalta o militar.

 

Fonte: SSP