Literatura

Editora independente remodela o percurso do livro em Sergipe

As obras da edições blague variam em gênero, grau e formato

Por assessoria de comunicação da editora 02/06/2021 15h55
Editora independente remodela o percurso do livro em Sergipe
Processo de construção de marca da blague Assessoria de comunicação

Dois amigos deram início a uma tarefa árdua neste ano: fundar uma editora independente em Sergipe. Ana Paula Rocha, de 26 anos, e Luís Matheus Brito, também de 26 anos, criaram as edições blague, cujo nome é dominado por minúsculas. Eles passaram dois anos entre pesquisas e experimentos para chegar a um modelo que, para a maioria, talvez seja estranho. Os livros da blague não estão na Amazon, nem em livrarias. Os editores fazem as vendas pelas redes sociais, enquanto preparam o site. Por conta do agravamento da pandemia, só saem de casa para fazer o envio pelos Correios. O trabalho é de guerrilha.

O nascimento da blague também está vinculado a uma peculiaridade do período pandêmico. Todo o trabalho de edição ocorreu de forma remota: em Aracaju, Luís Matheus; em Palmeiras, na Bahia, Ana Paula. Os editores precisaram criar um método próprio para finalizar a montagem dos livros, da preparação dos originais à impressão da última boneca. Nesse processo, as ferramentas de videoconferência foram centrais. “Tivéssemos encontros presenciais, haveria outros livros em mãos. Para o bem e para o mal, aí está um desvio causado pela pandemia”, diz Luís Matheus. Para eles, o trabalho remoto só resiste com intervalos, isto é, as pausas são tão importantes quanto a produção contínua.

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Os editores da blague, Ana Paula Rocha e Luís Matheus Brito

Até agora, a blague publicou três estreias: Carne sísmica, de Lucas Ribeiro Rocha; Cor de Risco, de Sérgio Murilo Fontes; e Guia de Queixumes, de Luís Matheus Brito. A impressão dos três livros foi subsidiada com recursos da Lei Aldir Blanc em Sergipe, por meio de editais da Funcap (Fundação de Cultura e Arte de Sergipe). Para Ana Paula, a graça de trabalhar com literatura contemporânea tem a ver com acompanhar um trabalho que não foi validado. Antes de editar um livro, ela espera o seguinte: “sentir no original [o texto ainda não editado] que há ali algo que não vi com frequência ou que não vi da mesma forma em trabalhos anteriores”, afirma. É o que faz, para os editores, o debate literário avançar.

Para as edições blague, estranhamento possui tom positivo. Não só o nome blague, que significa farsa ou piada, pode soar estranho aos ouvidos do leitor, mas também o formato e o conteúdo dos livros. Os tamanhos não são convencionais (15 x 21 cm). Eles variam a cada livro: 13 x 19 cm; 13 x 21 cm; 14 x 19 cm. Alguns mais verticais, outros quase quadrados. Mas central, para a editora, é o valor dos textos. Os três títulos já lançados são marcados por hibridismo. Em poesia ou prosa, os livros da blague misturam palavras com imagens e versos com linhas completas. Os textos desestabilizam os gêneros.

O perfil da editora no Instagram: @edicoesblague.