Mundo

04/05/2011 às 11h58

ONU quer saber detalhes da operação que matou Bin Laden

Redação Portal A8

A alta comissária da ONU (Organização das Nações Unidas) para os direitos humanos, Navi Pillay, pediu nesta quarta-feira (4) detalhes sobre a operação americana na qual Osama bin Laden foi morto, indicou a organização.

"Era uma operação complexa, mas seria útil conhecer com precisão os detalhes em torno da morte".

Navi enfatizou que as operações antiterroristas devem respeitar o direito internacional. Ela diz acreditar que a intenção dos Estados Unidos era prender, e não executar Bin Laden, mas compreende que "isso teria sido difícil".

"Tomo nota de que os Estados Unidos indicaram claramente que, se pudessem, sua intenção era deter Bin Laden [e] compreendo plenamente que isso teria sido difícil".

A alta comissária da ONU disse ainda que o líder da Al Qaeda morto por 79 homens das forças especiais havia assumido a plena responsabilidade de seus atos, incluindo matanças que podem ser classificadas como crimes contra a humanidade.

A informação de que Bin Laden foi morto desarmado despertou temores de que os EUA possam ter ido longe demais ao agir como policial, juiz e carrasco do homem mais procurado do mundo.

Os questionamentos aumentaram ainda mais depois que Leon Panetta, diretor da CIA (agência de inteligência americana), admitiu que alguns presos foram vítimas de "afogamento simulado" para que pudessem extrair informações sobre o terrorista.

Mas para vários líderes muçulmanos, a questão mais perturbadora é se o sepultamento do líder da Al Qaeda no mar foi contrário à prática islâmica.

Bin Laden resistiu à captura, mas faltam detalhes

A Casa Branca disse nesta terça-feira (3) que Bin Laden havia resistido aos militares dos EUA que invadiram seu esconderijo na Paquistão, e que houve temores de que ele iria "se opor à operação de captura".

O porta-voz da Casa Branca Jay Carney se recusou a especificar que tipo de resistência Bin Laden ofereceu.

"Esperávamos uma grande resistência e fomos recebidos com grande resistência. Havia muitas outras pessoas armadas no complexo".

Líder e especialistas denunciam violação da lei internacional

Helmut Schmidt, ex-chanceler da Alemanha Ocidental, disse à TV alemã que a operação pode ter consequências incalculáveis no mundo árabe em um momento de tensão na região.

"Está muito claro que foi uma violação da lei internacional".

Essa visão encontrou eco no renomado advogado de direitos humanos australiano, Geoffrey Robertson.

"Não é Justiça. É uma perversão do termo. Justiça significa levar alguém ao tribunal, declará-lo culpado com base em provas e sentenciá-lo. Este homem foi submetido a uma execução sumária, e o que parece agora, após uma grande quantidade de desinformação da Casa Branca, é que pode ter se tratado de um assassinato a sangue frio".

Robertson disse que Bin Laden deveria ter ido a julgamento, assim como os nazistas da 2ª Guerra Mundial foram em Nuremberg ou o ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic foi perante ao tribunal de crimes de guerra em Haia após sua prisão em 2001.

Gert-Jan Knoops, especialista na lei internacional sediado na Holanda, disse que Bin Laden deveria ter sido preso e extraditado para os EUA.

"Os norte-americanos dizem estar em guerra contra o terrorismo e que podem abater seus adversários no campo de batalha. Mas formalmente falando, este argumento não se sustenta".

Fonte:R7