Mundo

11/09/2009 às 09h30

Após discurso de Obama, 67% dizem apoiar reforma da saúde

Pesquisa aponta aumento de 14 pontos percentuais em relação aos índices anteriores ao pronunciamento

Redação Portal A8

Uma pesquisa da CNN/Opinion Research Corp indicou nesta quinta-feira, 10, que 67% apoiam as reformas ao sistema de assistência à saúde depois do discurso de Obama, um aumento de 14 pontos percentuais em relação a índices anteriores ao pronunciamento.

De acordo com a sondagem, 29% dos entrevistados são contra a proposta. Os números são semelhantes aos registrados na época em que o ex-presidente Bill Clinton apresentou seu plano para a reforma em 1993. A audiência do discurso parece ser mais democrata do que a população num todo. Por conta disso, os resultados devem favorecer o presidente, já que mais democratas do que republicanos mudaram de ideia sobre a reforma. A pesquisa foi feita com os espectadores do discurso da noite de quarta-feira, e não reflete a visão de todo o país.

Um em cada sete americanos que acompanharam a fala do presidente mudou de ideia sobre o plano apresentado por Obama. Segundo o diretor do centro de pesquisa da CNN Keating Holland, a grande questão é se o apoio será mantido ao longo do tempo. Segundo ele, cinco meses após sua defesa, Clinton perdeu a maior parte do apoio popular.

56% dos entrevistados disseram que tiveram uma reação muito positiva ao discurso, enquanto 21% indicaram alguma reação positiva e um número aproximado teve uma visão negativa. Mais de sete em cada dez americanos disseram que Obama foi claro em seus objetivos, e um em cada quatro disse que ele não expressou suas ideias claramente.

A pesquisa foi feita com 427 americanos por telefone e tem margem de erro de cinco pontos percentuais.

"Hora de agir"

"Chegou a hora de agir" para aprovar a reforma do sistema de saúde, declarou Obama diante de uma plateia de 500 deputados e senadores e todos os integrantes de seu gabinete. Em um discurso para as duas Casas do Congresso, Obama tentou reverter a maré de baixa popularidade que atingiu seu governo com um recado duro para os republicanos e garantias ao povo americano sobre a reforma do sistema de saúde. "Acabou o tempo de disputas, não há mais tempo para jogos", disse Obama. "Não sou o primeiro presidente a apoiar essa causa, mas estou decidido a ser o último."

O presidente foi aplaudido demoradamente em diversas ocasiões, mas chegou a ser vaiado ao afirmar que o plano não previa cobertura para imigrantes ilegais. "Mentiroso", gritou um congressista republicano.

Obama tentou imprimir um tom otimista sobre a possibilidade de o Congresso chegar a um acordo, dizendo que há consenso sobre "80%" dos itens da reforma. Republicanos e democratas concordam sobre a criação de um mercado de seguros, para que todos possam comprar planos de saúde por preços mais acessíveis e , em certos casos, com subsídios. Os dois partidos também querem proibir que as seguradoras, por meio de uma artimanha jurídica, possam rescindir os contratos alegando que o paciente não revelou doenças preexistentes. E também proíbem as seguradoras de se negar a oferecer cobertura para pessoas que sofrem de doenças crônicas.

Mas Obama não abandonou o chamado plano estatal - a ideia de criar um plano do governo para competir com os privados e "mantê-los honestos", como diz o presidente. Os republicanos acham que isso vai destruir os planos privados e manifestaram seu desacordo enquanto Obama falou do assunto. Mas o presidente deixou abertas outras opções para aumentar a competição, como as cooperativas, acenando para um espaço de manobra. "O plano estatal é apenas uma maneira para acabar com abusos das seguradoras e garantir cobertura", disse Obama. "Devemos nos manter abertos a outras ideias para atingir nosso objetivo." Ele fez outro aceno aos republicanos ao dizer que se compromete com a reforma da lei de erro médico.

Mas Obama disse estar ficando impaciente com as "táticas de terror" usadas pelos republicanos no debate da reforma de saúde. Obama quer estender a cobertura para os cerca de 46 milhões de americanos que não têm seguro de saúde.

As maiores resistências à reforma vêm das pessoas que têm plano de saúde e temem perder benefícios com a mudança, e dos que acreditam que a reforma fará o déficit americano crescer ainda mais. Obama tentou falar a esses dois públicos. "Vou repetir mais uma vez - nada em nosso plano exige que você mude a cobertura que já tem." Quando ao custo - US$ 900 bilhões, "menos do que gastamos em duas guerras e no corte de impostos para os ricos" -, Obama disse que não assinará uma lei que aumente o déficit federal. Os republicanos mostraram-se céticos.

Fonte: Estadão