Mundo

11/09/2009 às 09h24

Guatemala diz que soldados venderam crianças durante guerra

Redação Portal A8

Ao menos 333 crianças foram sequestradas pelas forças de segurança da Guatemala e vendidas ao exterior durante a guerra civil de 1960 a 1996, revelou nesta quinta-feira um relatório do governo. O estudo aponta que o número pode ultrapassar os milhares de crianças.

Segundo o relatório, soldados e policiais assassinaram os pais das crianças, mentiram sobre como as haviam encontrado e as entregaram a orfanatos estatais para que fossem vendidas a pais adotivos nos Estados Unidos e na Europa. O estudo foi feito com arquivos governamentais da época.

Os arquivos do departamento de bem-estar social da Presidência citam centenas de crianças cujos pais foram mortos pelo Exército ou que foram arrancadas a força de seus familiares e, logo, entregues para adoção com documentação falsa.

"Algumas pessoas envolvidas na organização destas adoções converteram o processo em um negócio lucrativo e, com isso em mente, deram prioridade às adoções internacionais", afirmou o diretor do arquivo e autor do relatório, Marco Tulio Alvarez, durante entrevista coletiva.

No fim da guerra, em 1996, a Guatemala era a segunda maior fonte de crianças para adoções internacionais depois da China. Porém, os números diminuíram com o endurecimento da política de adoção instituída pelo governo em 2007.

Os pesquisadores estudaram 333 casos para esse relatório preliminar das adoções durante os anos mais violentos da guerra, entre 1977 e 1989, logo depois que os arquivos foram abertos no ano passado pelo presidente do país, Álvaro Colom.

Cerca de 250 mil pessoas, a maioria indígena, morreram durante o confronto entre vários governos direitistas e os insurgentes de esquerda, que terminou em 1996 com um acordo de paz apoiado pela ONU (Organização das Nações Unidas).

O arquivo, que possui desde infrações de trânsito a ordens de apreensão, poderá ajudar a levar à justiça ex-policiais que cometeram abusos, assassinados e desaparecimentos forçados durante a guerra.

Fonte: Reuters