Mundo

23/03/2009 às 09h22

Chávez acusa governadores da oposição de separatismo

Presidente venezuelano diz que querem derrubá-lo e pede apoio das Forças Armadas

Redação Portal A8

Um dia depois de militares venezuelanos consolidarem a ocupação dos principais portos e aeroportos regionais da Venezuela, o presidente Hugo Chávez elevou o tom nos ataques aos governadores opositores, acusando-os de querer derrubá-lo e conclamando o povo e as Forças Armadas a "derrotarem suas pretensões separatistas".

"Os governadores de Zulia, Miranda, Carabobo, Táchira e Nueva Esparta não querem governar, mas sim me derrubar", afirmou Chávez, em seu programa Alô Presidente. "Esses caudilhos querem ter republiquetas dentro de nossa república, converter a fronteira ocidental em um território autônomo - e é por isso que eu conclamo o povo e as Forças Armadas a acabarem com as pretensões separatistas de todas essas máfias."

As declarações foram feitas em um clima de tensão crescente no país. Além da tomada dos portos e aeroportos regionais, nos últimos meses decretos do presidente transferiram o controle de hospitais, escolas e outras instalações e serviços públicos dos Estados e municípios para o governo central.

Na quinta-feira, o Ministério Público pediu a prisão do prefeito de Maracaibo, Manuel Rosales, a principal figura da oposição do país. Rosales denunciou ontem ser vítima de um "linchamento político" que pretende tirá-lo "da vida eleitoral". O prefeito também negou a acusação de corrupção.

Os governadores opositores denunciaram que os cortes no orçamento anunciados pelo presidente no sábado, dentro de um pacote de medidas para combater os efeitos da crise global na Venezuela (mais informações abaixo), contribuem para sufocar economicamente suas administrações.

"Pela Constituição, os recursos que o governo central deve repassar para os Estados são calculados com base na receita do petróleo", disse ao Estado o governador de Miranda, Henrique Capriles. "Chávez vai se endividar e usar reservas para manter os gastos do governo, mas nós sairemos bem mais prejudicados."

Segundo Chávez, o orçamento de 2009 agora faz estimativas de receita com base em um barril de petróleo a US$ 40 e não mais a US$ 60. Mas os gastos do governo serão reduzidos em apenas 6,7%, sendo a diferença financiada com reservas e empréstimos. Outra medida do pacote econômico criticada pela oposição foi o aumento de 20% do salário mínimo. "Esse aumento vai ser levado pelo vento", disse Rosales, lembrando que a inflação sobre os alimentos é de 50% ao ano

Obama

Ainda no domingo, Chávez chamou o presidente americano, Barack Obama, de "pobre ignorante" por supostamente ter acusado seu governo de exportar terrorismo e bloquear o desenvolvimento da América Latina. Ele não explicou quando Obama teria feito tais declarações.

Fonte: Estadão