Mundo

18/03/2009 às 09h21

Militares de Madagáscar dão `plenos poderes` a líder opositor

Ex-DJ de 34 anos assume presidência após renúncia de Marc Ravalomanana; palácio foi tomado pelo Exército

Redação Portal A8

Andry Rajoelina assume poder em Madagáscar (AP)
Os militares da ilha de Madagáscar disse na tarde desta terça-feira, 17, que o poder do país foi transferido para o líder da oposição, Andry Rajoelina. Mais cedo, o presidente de Madagáscar, Marc Ravalomanana, anunciou que estava deixando o posto e entregando o poder aos militares, um dia depois de o palácio presidencial ter sido invadido por tropas do Exército.

Em um pronunciamento pela TV, Ravalomanana disse que decidiu dissolver o governo e oferecer o poder ao que chamou de "diretório militar" - mas não está claro se os militares estariam dispostos a assumir a responsabilidade. Rajoelina já havia se declarado o novo presidente do país e passou a ocupar o gabinete presidencial na capital, Antananarivo. Ele disse que vai convocar eleições dentro de dois anos e prometeu uma nova constituição.

Madagáscar, país que ocupa uma ilha na costa sudeste da África, vive há sete semanas uma onda de instabilidade política que já deixou mais de cem mortos. Rajoelina falou para milhares de simpatizantes em um comício depois de assumir o gabinete da presidência. Ravalomanana estava refugiado no palácio Iavaloha, a cerca de 15 km do centro da cidade, de onde ele havia dito que estava pronto para lutar até a morte.

Na segunda-feira, Rajoelina rejeitou a oferta de Ravalomanana de convocar um referendo para resolver a crise e pediu sua prisão. Mais tarde, os militares invadiram a residência presidencial no centro da cidade e assumiram o controle do Banco Central.

Após ser reeleito presidente, em dezembro de 2006, Ravalomanana abriu a economia do país para investimentos externos, mas correspondentes dizem que a medida não melhorou significativamente os indicadores sociais no país, onde 70% dos 20 milhões de habitantes vivem abaixo da linha da pobreza.

Mais de cem pessoas foram mortas desde que a oposição tomou as ruas em janeiro, exigindo a renúncia de Ravalomanana. No final de janeiro, Rajoelina - um ex-DJ de 34 anos de idade - rompeu com o presidente e foi afastado do governo de Antananarivo por Ravalomanana, o que levou a um aumento dos protestos.

Mapa (AP)
Na semana passada, o Exército passou a apoiar Rajoelina após o chefe das Forças Armadas ter sido substituído pelo general rebelde Andre Ndriarijaona. "Defendemos o povo de Madagáscar", disse o general. "Se Ravalomanana pode resolver o problema, nós o apoiamos."

Correspondentes da rede BBC dizem que o líder da oposição se declara um defensor da democracia, apesar de trabalhar para substituir um governo democraticamente eleito por um que não foi escolhido pelo voto da população de Madagáscar.

Fonte: Efe