Mundo

06/03/2009 às 10h36

Colômbia soltará ex-rebeldes para serem `gerentes da paz`

Ex-guerrilheiros serão acompanhados por Intituto Penitenciário durante processo de negociação com as Farc

Redação Portal A8

O governo colombiano determinou na quinta-feira, 5, que os guerrilheiros conhecido como "Karina" e "Olivo Saldaña", das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), serão libertados nos próximos dias para se tornarem "gerentes da paz", informou o Ministério de Interior e Justiça.

Em 7 de fevereiro, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, tinha anunciado sua disposição de libertar membros da guerrilha para que atuassem em prol da paz. Em comunicado, o Ministério de Interior e Justiça especifica a decisão do governo Uribe de suspender a reclusão de Elda Neyis Mosquera García e Raúl Agudelo Medina, "que expressaram formalmente sua vontade de buscar a paz".

O Ministério diz que os beneficiados pela medida "atuarão como gerentes de paz, assumindo todas as responsabilidades e deveres que tão importante tarefa implica". O governo anunciou também que os ex-guerrilheiros terão "as condições de segurança necessárias para o adequado desempenho da missão de gerente da paz". Os ex-rebeldes terão também junto a eles a supervisão permanente do Instituto Nacional Penitenciário e Carcerário (Inpec) da Colômbia.

"Olivo Saldaña" atua hoje como porta-voz dos guerrilheiros desmobilizados. Considerada uma das mais sanguinárias, a guerrilheira se rendeu às tropas colombianas. A líder rebelde comandava a "frente 47" da guerrilha e era considerada a mulher de mais alto escalão dentro do grupo e é acusada de uma série de assassinatos e sequestros. Karina é a guerrilheira mais importante que já se entregou ao governo e entre os seus delitos, está a acusação de ter assassinado o empresário Alberto Uribe Sierra, pai do presidente colombiano, Álvaro Uribe, em um sequestro em 1983.

Karina perdeu um dos olhos em combate, tem diversas cicatrizes na face e um ferimento no braço causado por um tiro. Seu comandante direto dentro da guerrilheira, o líder Ivan Rios, foi assassinado em março do ano passado por um de seus guarda-costas. O guarda-costas chegou a cortar as mãos de Rios para provar às autoridades que tinha matado o comandante e receber uma recompensa acima de US$ 1 milhão(R$1,7 milhão).

Fonte: Estadão