Mundo

05/03/2009 às 14h52

Mina na Eslovênia é encontrada com 5 mil vítimas da 2ª Guerra

Local foi usado como vala comum e para o massacre de soldados pró-nazistas e familiares durante o conflito

Redação Portal A8

Mina na Eslovênia (Efe)
Despidos, assassinados a golpes e cobertos de cal: a recente descoberta de milhares de cadáveres em uma mina abandonada na Eslovênia revelou a matança de soldados pró-nazistas e de seus familiares pelas mãos de iugoslavos que lutaram contra Hitler na Segunda Guerra Mundial. Aos poucos, são conhecidos os detalhes dos horrores do conflito, que acaba de ganhar uma nova cara um a abertura de uma vala na cidade de Huda Jama (Cueva Mala), onde acredita-se que estejam mais de 5 mil corpos, muitos deles mumificados.

"O que vimos até agora com segurança são uns 300 cadáveres mumificados, porém debaixo deles há dois poços com uma capacidade total de 500 metros cúbicos, em que devem se encontrar no mínimo mais 5 mil corpos", afirmou Marko Strovs, um dos responsáveis pela descoberta. O investigador oficiais de valas militares explicou que a mina abandonada estava sendo explorada desde agosto sob a suspeita de que o local esconderia uma vala comum de vítimas da Segunda Guerra Mundial.

As primeiras investigações revelaram que as vítimas foram levadas vivas para o local e assassinadas com armas brancas, aparentemente com picaretas de mineração. Depois, foram cobertas com cal e a mina foi fechada com uma espessa camada de concreto para ocultar a matança. "Por conta da grande quantidade de vítimas e da falta de oxigênio, muitos cadáveres estão mumificados, não se decompuseram por completo", explicou Strovs. "Vimos pernas inteiras, partes de corpos", relatou o investigador.

A dimensão da matança é tal que Joze Dezman, chefe da Comissão estatal para vítimas de guerra, considera que o local testemunhou um dos piores crimes da Segunda Guerra Mundial. "As vítimas foram forçadas a entrar, nuas, uns 400 metros dentro da montanha da mina, e ali foram assassinadas com diferentes armas brancas", afirmou. Segundo ele, "pelos restos mortais que vimos, parece que se trata de croatas e eslovenos. A julgar pelas botas dos soldados, em sua maioria foram militares, mas também há civis".

Segundo certos testemunhos históricos, os cadáveres poderiam ser de militares eslovenos e croatas que combateram ao lado dos nazistas, assim como familiares e soldados alemães. Ainda em 1990, o historiador Roman Leljak revelou os crimes cometidos em Huda Jama em seu livro "As feridas vivas de Tehar". Agora, em declarações a veículos de imprensa locais, ele acusou as autoridades de não mostrar interesse em revelar os crimes cometidos. "Sabemos exatamente quem cometeu os crimes. A unidade foi liderada pelo comandante Toni Anton Ricek. A matança foi promovida pela 1ª divisão eslovena da Defesa popular, pelo 2º batalhão da 3ª brigada", assegurou.

A promotora eslovena Barbara Brezigar prometeu que visitará a vala e que os responsáveis serão responsabilizados pela Justiça ainda que estejam mortos. Essa é uma das 600 valas comuns com vítimas da Segunda Guerra Mundial na Eslovênia. A maior foi descoberta em 2007 em Tezno, no norte do país, com restos de mais de 15 mil vítimas do conflito, a maioria soldados croatas fascistas e seus familiares.

Fonte: Efe