Mundo

04/03/2009 às 10h03

Ultranacionalista pode se tornar o novo chanceler de Israel

Lieberman, que se opõe à retirada de Israel da Cisjordânia ocupada, pode liderar negociações com palestinos

Redação Portal A8

Avigdor Lieberman (AP)
O chefe do partido de direita Israel Beiteinu (Israel Nossa Casa), Avigdor Lieberman, seria cotado para ser o novo ministro de Relações Exteriores do próximo governo de Israel, que deve ser dirigido pelo líder direitista Benjamin Netanyahu, segundo afirmou à AFP esta quarta-feira, 4, um alto responsável do Likud.

"Existem muitas possibilidade de que Avigdor Lieberman assuma a direção das Relações Exteriores", afirmou em anonimato um dos oficiais do partido. Segundo ele, a decisão ainda não foi tomada e a distribuição dos Ministérios está sendo feita em "negociações discretas". O cargo hoje é ocupado pela líder do Kadima, Tzipi Livni, principal negociadora da paz com os palestinos e que recusou integrar uma coalizão com Netanyahu.

O Israel Beiteinu, terceiro colocado nas eleições parlamentares, teria recebido a promessa de ocupar um dos três Ministérios considerados cruciais no governo para integrar a coalizão da direita (Defesa, Finanças e Relações Exteriores). O partido se opõe à retirada de Israel da Cisjordânia ocupada e defende a troca de territórios de Israel, nos quais cidadãos árabes israelenses vivem, por assentamentos judeus na Cisjordânia, em qualquer acordo de paz que fizerem com os palestinos.

O presidente Shimon Peres solicitou no dia 20 de janeiro que Netanyahu formasse um governo, depois que um bloco nacionalista, constituído por membros da direita e partidos religiosos judeus, conquistou a maioria das cadeiras do parlamento em uma eleição ocorrida 10 dias antes. Mas o governo direitista poderia colocar Netanyahu, que entrou em choque com o Clinton na Casa Branca enquanto primeiro-ministro de 1996 a 1999, em um rota de colisão com a administração Obama, que afirmou o comprometimento dos Estados Unidos com a formação do Estado palestino. Netanyahu quer que a relação com os palestinos tenha foco na economia e em questões de segurança, em vez de ficar centrada na questão territorial, um conceito que líderes palestinos rejeitam.

Fonte: Estadão