Mundo

26/02/2009 às 09h10

Pilotos do avião que caiu em Amsterdã não relataram problemas

Falta de combustível e erros de navegação são causas investigadas; 9 morreram e 6 estão em estado crítico

Redação Portal A8

 

Reuters

Os pilotos do Boeing 737 que se acidentou na quarta-feira perto do aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, não perceberam o desastre por vir, segundo as gravações das conversas na cabine, divulgadas nesta quinta-feira, 26, pela televisão holandesa NOS. "Nas comunicações com a torre de controle durante a última curva, a cerca de 15 quilômetros da pista de aterrissagem, não há nenhuma indicação ou comentário sobre nenhum problema", disse o piloto profissional Ronald de Ree. Os pilotos também não indicam nenhum problema nos dois contatos seguintes, a cerca de 10 quilômetros, mas estes parecem "um pouco curtos e efêmeros", segundo De Rée.

Quarenta investigadores examinaram nesta quinta-feira, 26, os destroços do avião turco que caiu nos arredores do aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, para averiguar as causas do acidente que deixou nove mortos e mais de 80 feridos. A aeronave - que operava o voo TK 1951, vindo de Istambul, na Turquia - partiu-se em três pedaços após cair em um campo 3 quilômetros ao norte da pista do aeroporto. As causas do acidente ainda não foram determinadas.

Ainda que os dois pilotos tenham morrido no acidente, outros membros da tripulação, passageiros e testemunhas em solo serão entrevistados sobre o que aconteceu durante o acidente. Os investigadores devem explorar uma série de possíveis causas, como combustível insuficiente, erros de navegação, cansaço dos pilotos e até choque com pássaros. Alguns meios de comunicação holandeses sugerem que o avião ficou sem combustível, por isso os motores desligaram, e baseiam esta teoria no fato de que o avião tinha perdido muita velocidade e que não pegou fogo depois do impacto. Os primeiros resultados devem ser divulgados em semanas, ainda que a investigação completa possa durar meses.

Fred Sanders, porta-voz dos serviços de resgate, afirmou que as caixas-pretas já foram mandadas para Paris, onde serão analisadas por especialistas com equipamentos para averiguar as gravações e descobrir o que aconteceu durante o voo. "Outra equipe está no local do acidente hoje, tirando fotos dos destroços e colhendo informações de várias fontes". Segundo Sanders, o avião ficou seriamente danificado. "Tanta gente conseguir sair caminhando surpreende muito, alguns falam em milagre", afirmou à AFP. "Acredito que não ter se incendiado ajudou muito, e também por ter caído em um campo de lama, e não em uma estrada ou uma pista de aterrissagem". Sanders disse ainda que os restos do Boeing permanecerão no local do acidente por vários dias.

Apesar da gravidade do impacto, o aparelho não explodiu e dezenas de pessoas deixaram os destroços do avião caminhando, apenas com pequenos ferimentos. Nesta quinta-feira, seis dos feridos estão em condições críticas. As nacionalidades dos passageiros ainda não foram divulgadas pela companhia aérea. De acordo com fontes holandesas, os feridos foram levados para 11 hospitais da região e 25 deles estão em estado grave. As autoridades não descartam a possibilidade de que o número de mortos aumente. A polícia afirmou que dará informações sobre os mortos no acidente durante entrevista coletiva nesta quinta-feira. Autoridades holandesas disseram que 72 turcos e 32 holandeses estavam no voo, assim como pessoas de outras nacionalidades. Segundo o porta-voz da Boeing, quatro funcionários americanos estavam no voo.

Autoridades turcas afirmaram que o capitão da aeronave - identificado apenas como Tahsin - era muito experiente e trabalhou durante vários anos na Força Aérea da Turquia. Segundo a Turkish Airlines, o Boeing 737-800 foi construído em 2002 e passou por manutenção em 22 de dezembro. O acidente de ontem foi o 11º envolvendo aviões da Turkish Airlines nos últimos 20 anos. A companhia tem vivido um histórico problemático com relação à segurança aérea desde 1974, quando um de seus DC-10 caiu perto de Paris deixando 360 mortos.

 

Fonte: Estadão