Mundo

25/02/2009 às 14h22

Obama anuncia nesta 6ª a retirada do Iraque em 2010

Presidente deve confirmar que grupo de até 50 mil soldados permanecerá no país para apoiar tropas iraquianas

Redação Portal A8

O presidente dos EUA, Barack Obama, deve anunciar nesta sexta-feira, 27, seu plano de retirada para as tropas de combate americanas no Iraque em agosto de 2010, ainda que pretenda deixar no país um contingente de entre 35 e 50 mil homens para apoiar as forças iraquianas e proteger os interesses americanos no país, segundo afirmaram oficiais do Congresso. O prazo é maior do que o prometido durante a campanha presidencial americana - de 16 para 19 meses desde que assumiu o cargo, em janeiro.

Segundo o jornal The New York Times, o plano de retirada de Obama ganhou o apoio crucial de líderes republicanos do Congresso, incluindo o senador e ex-rival na disputa presidencial John McCain, que passou a maior parte do ano passado discutindo o futuro da guerra no Iraque com Obama. Na quinta-feira, Obama assegurou aos congressistas dos dois partidos que seu plano não vai colocar em risco a estabilidade do Iraque. Autoridades republicanas pareciam mais simpatizantes ao plano do que os democratas, que afirmaram que o presidente vai deixar muitos soldados americanos no país.

Os EUA mantêm atualmente mais de 140.000 soldados envolvidos numa guerra que dividiu a opinião pública americana e arranhou profundamente a imagem de Washington mundo afora. Num discurso a ser pronunciado em Camp Lejeune, uma base da Marinha dos EUA na Carolina do Norte, Obama anunciará que "a missão de combate terminará em 31 de agosto de 2010", disse, sob a condição de anonimato, um alto funcionário a jornalistas em Washington.

"Depois disso, as forças americanas remanescentes no Iraque assumirão uma nova missão, uma missão mais limitada que se concentrará em três pontos específicos", prosseguiu a fonte. Essas missões serão: "treinar, equipar e assessorar as forças iraquianas de segurança"; proteger os civis americanos presentes no Iraque; e "conduzir operações específicas de contraterrorismo por conta própria e em coordenação com as forças iraquianas", segundo o funcionário.

A partir de setembro de 2010, o contingente americano no Iraque será "de 35.000 a 50.000 soldados", disse a fonte antes de esclarecer que ainda se trata de uma estimativa. O objetivo é não ter mais nenhum soldado americano no Iraque até 31 de dezembro de 2011, mesmo prazo de um acordo assinado no ano passado entre o então presidente dos EUA, George W. Bush, e o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki.

Orçamento da defesa

O anúncio dessa sexta-feira será feito um dia após Obama revelar seu ambicioso orçamento para o ano fiscal de 2010, quando pediu ao Congresso a liberação de uma verba suplementar de US$ 75,5 bilhões para as guerras do Iraque e do Afeganistão, elevando os gastos planejados para o ano fiscal de 2009 com as chamadas "operações de contingência no exterior" para US$ 215,5 bilhões. O orçamento para 2009, feito em 2008 pelo ex-presidente George W. Bush, previa US$ 140 bilhões para cobrir as despesas dos conflitos. O aumento imediato seria necessário para o deslocamento de tropas prometido por Obama, que quer retirar militares do Iraque e levar mais soldados ao Afeganistão ainda este ano.

Se o pedido de verba extra for aprovado, 2009 será o ano em que os EUA vão gastar mais com guerras desde 2001, quando invadiram o Afeganistão. A média de gastos mensais ficará em US$ 18 bilhões, mais do que as despesas do Brasil com a Defesa em todo o ano de 2007. Em 2008, os EUA gastaram US$ 190 bilhões com as guerras. Apesar do aumento este ano, o projeto de orçamento de 2010 reduziu a previsão de gastos com as guerras para US$ 130 bilhões. O presidente prometeu uma redução ainda mais drástica em 2011, quando prevê gastar US$ 80 bilhões.

O gasto total com a Defesa americana em 2010 ficará em US$ 664 bilhões, segundo o projeto de orçamento de Obama. O valor equivale a mais de seis vezes o PIB de 2008 do Iraque e Afeganistão somados. Apenas as despesas do Pentágono com a compra de armas, veículos, manutenção de bases, pagamento de salários (excluído o custo direto das guerras) deve ser de US$ 534 bilhões em 2010, 4% a mais que no ano anterior.

O aumento teria o objetivo de contratar mais soldados e melhorar os serviços médicos. A proposta enviada ao Congresso indica cortes em programas de armas, sem especificar quais serão cancelados ou reduzidos. Segundo o secretário de Defesa, Robert Gates, por causa da austeridade orçamentária, o governo "revisará todos os programas de armamento" para que "cada dólar dos contribuintes seja gasto da forma mais eficiente possível".

Fonte: Estadão