Mundo

25/02/2009 às 14h12

Seul acusa Pyongyang de mascarar teste de míssil com satélite

Ditador norte-coreano visita base de lançamento de foguete, que sul-coreanos temem ser um projétil balístico

Redação Portal A8

 

AP

O presidente norte-coreano, Kim Jong-il, visitou diversas fábricas no nordeste do país, onde se prepara o lançamento de um foguete equipado com um satélite de comunicações, informou nesta quarta-feira, 25, a agência oficial KCNA. A visita de Kim acontece um dia após a Coreia do Norte admitir que está preparando o lançamento do satélite de comunicações Kwangmyongsong-2, sem especificar a data. A visita foi feita no mesmo dia em que a espionagem sul-coreana afirmou que a Coreia do Norte pretende lançar um míssil balístico, e não um satélite de comunicações como anunciou o regime norte-coreano.

A Coreia do Norte anunciou na terça que está pronta para lançar um satélite de comunicações - o que funcionários dos governos americano e sul-coreano acreditam ser uma camuflagem para a realização de um provocativo teste de um míssil de longo alcance capaz de atingir partes da América do Norte. O anúncio foi feito poucos dias depois de a secretária de Estado americana, Hillary Rodham Clinton, e o ministro sul-coreano do Exterior, Yu Myung-hwan, insistirem para que a Coreia do Norte não realizasse o teste, qualificando tal medida de "péssima contribuição" e "provocação". Durante sua viagem a Seul, na semana passada, Hillary classificou o regime norte-coreano como "tirania", mas ofereceu auxílio econômico e a possibilidade de normalização das relações entre os dois países se o país abandonasse seu programa de desenvolvimento de armamento nuclear.

Nesta quarta-feira, oficiais da inteligência sul-coreanos afirmaram acredita que o Norte prepara um teste com míssil, por conta da forma do objeto que será lançado no espaço "é similar" a do míssil de longo alcance Taepodong. Não se sabe se a visita de Kim tem relação com esse lançamento, que os observadores sul-coreanos acham que na realidade ocultará um míssil de longo alcance. A Coreia do Norte lançou um míssil Taepodong-1 em 1998, após alegar que transportava seu primeiro satélite de comunicações.

 


Nas últimas semanas, a Coreia do Norte declarou ter o direito de lançar um satélite científico, um pretexto, segundo analistas sul-coreanos, adotado pelo norte para evitar sanções da ONU e de potenciais tentativas americanas de abater seus mísseis.

Nas últimas semanas, funcionários do governo e especialistas na região demonstraram temor em relação ao disparo, por parte da Coreia do Norte, do seu Taepodong-2, o mais avançado míssil norte-coreano, de múltiplos estágios, com alcance de 6.750 quilômetros e capaz de atingir o Alasca. Há décadas o país tenta construir armas nucleares e mísseis capazes de transportá-las ao alvo, de acordo com funcionários do governo americano. Depois que Pyongyanfg realizou seu primeiro teste nuclear em 2006, o Conselho de Segurança da ONU adotou uma resolução exigindo que o país cessasse todas as suas atividades relacionadas ao desenvolvimento de mísseis.

A Coreia do Norte frequentemente faz uso de ameaças militares para obter concessões. O porta-voz do Departamento de Estado, Robert Wood, disse ontem que "intimidação e ameaças não ajudarão a construir a estabilidade regional".

Sucessão

O chefe dos Serviços de Inteligência da Coreia do Sul, Won Sei-hoon, afirmou que o mais provável é que depois de Kim Jong-il o poder na Coreia do Norte seja transmitido a seus filhos. "Parece ser possível a sucessão de uma terceira geração", declarou Won em uma sessão parlamentar a portas fechadas, afirma a agência local Yonhap. Esta é a primeira referência feita por um alto funcionário de Seul com relação ao futuro do regime comunista da Coreia do Norte.

No entanto, a espionagem sul-coreana afirma que, após uma nova transferência de poder na linhagem Kim pela terceira vez, a liderança pode acabar deteriorada na Coreia do Norte. Segundo informações divulgadas em janeiro, o líder norte-coreano Kim Jong-il, que sucedeu seu pai Kim Il-sung em 1994, parece ter designado seu terceiro filho, Kim Jong-un, de 25 anos, para sucedê-lo. No entanto, a inteligência sul-coreana não afirmou se o mais jovem dos três filhos de Kim Jong-il será seu sucessor.

Os rumores sobre a transferência de poderes no país comunista começaram no ano passado após o líder norte-coreano sofrer um derrame cerebral em agosto, segundo informação dos serviços de espionagem dos EUA e Coreia do Sul. Os serviços secretos sul-coreanos disseram também que Kim Jong-il parece não ter problemas para exercer suas tarefas como chefe de Estado, embora não esteja recuperado totalmente.

Fonte: The New York Times