Mundo

16/02/2009 às 10h07

Em meio a tensões, Coreia do Norte celebra aniversário do ditador

Redação Portal A8

A Coreia do Norte celebra nesta segunda-feira o aniversário de 67 anos do ditador Kim Jong-il, descrito como um "comandante que veio do céu" pela mídia, mas pressionado pela comunidade internacional para por um fim definitivo ao seu programa nuclear.

O aniversário de Kim é um dos maiores feriados nacionais da Coreia do Norte e levou muitos cidadãos às ruas para dançar e comemorar. As imagens da televisão oficial mostraram dançarinos em apresentações na praça Kim Il Sung (pai de Jong-il) em Pyongyang, onde a temperatura chegou a 5 graus Celsius negativos.

Os norte-coreanos aproveitaram ainda para visitar uma grande estátua de bronze de Kim Jong-il, onde colocaram flores e fizeram um momento de silêncio. "Nós esperamos apenas que o querido general fique saudável para sempre", disse o visitante Lee Yu Chol.

Este é o primeiro aniversário de Kim desde as notícias, não confirmadas por Pyongyang, de que ele teve um derrame em agosto passado --o que aumentou os temores sobre a instabilidade da nação totalitária. Os rumores indicam ainda que ele nomeou seu filho caçula como sucessor.

Contudo, desde o suposto derrame, a saúde de Kim parece ter melhorado e o líder já participa de reuniões com líderes estrangeiros e eventos de governo.

Líder autocrático, Kim atrai um intenso culto de sua personalidade. Soldados uniformizados e outros visitantes participaram da exibição da Kimjongilia --uma flor vermelha cultivada em sua homenagem--, tirando fotos das flores e de uma réplica de um míssil logo ao lado.

Nas celebrações, a mídia de Pyongyang relata festas em todos os cantos do país, com performances de arte, competições esportivas, um festival de filmes e outros eventos comemorativos.

Tensão

As celebrações, contudo, acontecem em meio a tensões sobre as atividades nucleares de Pyongyang, diante de relatos sobre o teste de lançamento de um míssil de longo-alcance.

Na tensa fronteira com a fronteira das Coreias, os sul-coreanos lançaram milhares de folhetos anti-Kim ao norte, com um balão.

O pacto de desnuclearização de Pyongyang foi feito ainda em 2005, quando o governo concordou em abandonar todos os seus programas nucleares em troca de benefícios econômicos e diplomáticos. Contudo, ficou paralisado com a relutância da Coreia do Norte em aceitar um mecanismo que permitisse aos Estados Unidos e outros membros na negociação verificar a declaração.

Em 2006, a Coreia do Norte testou um mecanismo nuclear e foi acusada de iniciar programa de enriquecimento de urânio, que seria o segundo passo para fazer mísseis nucleares. Em junho do ano passado, a Coreia do Norte destruiu a torre de resfriamento da usina nuclear de Pyongyang, o símbolo mais visível de seu programa nuclear. O gesto foi um sinal de seu comprometimento em cessar a fabricação de bombas atômicas.

Contudo, dois meses depois, o país anunciou que interrompeu seu processo de desnuclearização por causa da recusa dos EUA de retirar o país comunista da lista de nações terroristas, medida anunciada no começo de outubro e que deve dar novo fôlego ao processo.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, chegou ao Japão nesta segunda-feira na primeira etapa de sua viagem pela Ásia, que inclui ainda Indonésia, Coreia do Sul e China. Entre suas prioridades está a prevenção da proliferação nuclear na Coreia do Norte. Ela disse na semana passada que os EUA estão dispostos a normalizar seus laços com o regime comunista e substituir o atual armistício por um acordo de paz permanente, caso Pyongyang abandone seu programa nuclear.

Fonte: Associated Press