Brasil

27/04/2010 às 10h07

Juízes e desembargadores alagoanos recebem intimação do CNJ

Redação Portal A8

A vinda de representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a Alagoas, para investigar a existência de um esquema de venda de sentenças que envolve desembargadores e juízes do Tribunal de Justiça, tem sido aguardada com ansiedade pelo ex-delegado da Polícia Civil, Wladney José da Silva, responsável pela denúncia que deu início a uma crise interna no Poder Judiciário do Estado e que promete ter novos desdobramentos nos próximos dias.

Wladney José, que passou 45 dias preso, acusado de enviar uma carta ameaçando o desembargador Tutmés Airan, que é relator de um processo acerca de um imóvel da família do ex-delegado, prestou depoimento na sede da Polícia Federal (PF) na última terça-feira (20).

Ele contou que após a divulgação de documentos que comprovariam o esquema, a polícia vem recebendo diversas denúncias anônimas relatando situações semelhantes.

"O CNJ juntou as representações feitas pelo TJ/AL, OAB/AL e por mim, na qual peço providências devido a prisão irregular. A coisa vai andar nos próximos dias, porque o conselho deve ouvir as partes envolvidas. No dia 15 deste mês foram expedidas, pelos Correios com Aviso de Recebimento (AR), intimações para os juízes e o desembargador citados no esquema. Já existe um histórico negativo dos envolvidos, que há muito tempo fazem isso e a PF ficou responsável pela parte criminal, enquanto o CNJ age de forma administrativa", destacou.

O ex-delegado disse acreditar na atuação do CNJ, apesar de saber que existe corporativismo no judiciário alagoano, reafirmando que sua prisão aconteceu em um momento de desespero dos acusados, o que segundo ele, confirmou a veracidade das provas. Entre elas está a gravação na qual o funcionário, Flávio Baltar, lotado no gabinete do desembargador Washington Luis fala sobre o esquema, que teria como intermediador o advogado Fernando Costa. Ambos chegaram a ser presos e Baltar deve perder o cargo.

"O conselho puniu 10 magistrados no Mato Grosso e uma juíza no Pará com a aposentadoria compulsória, por isso espero que em Alagoas aconteça o mesmo com aqueles que participam do esquema de venda de sentenças. Alguns desembargadores até brigaram com a presidente Elizabeth Carvalho e são muitos fortes aqui, mas espero um julgamento decente, porque o histórico dessas pessoas não permite algo simples, como uma suspensão, é mais sério, a investigação é lenta, mas muitas coisas estão sendo descobertas", lembrou Wladney.

Fonte: Cada Minuto