Brasil

24/03/2009 às 09h33

Sarney diz que problemas do Senado "caíram no seu colo"

Redação Portal A8

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse nesta segunda-feira que os problemas envolvendo a Casa "caíram no seu colo" depois que ele assumiu o comando da Casa. Segundo Sarney, a crise não é resultado de sua gestão, mas da "estrutura burocrática` do Senado.

"Agora, neste momento, encontramos muitas crises e críticas, mas nenhuma delas sobre a minha gestão, e sim sobre a estrutura burocrática da Casa. Os problemas caíram no meu colo. São essas misérias da máquina burocrática e que nós, homens públicos, estamos alertas para combatê-las", afirmou Sarney durante palestra a cerca de 400 estudantes da UniFMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), em São Paulo, sobre desafios e oportunidades do Senado.

A declaração, feita logo no início da palestra, foi feita após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Marco Aurélio Mello, elogiar a postura do senador de comparecer ao evento mesmo em meio ao "turbilhão" pelo qual passa a Casa Legislativa. Segundo Sarney, ele compareceu pois foi convidado há 60 dias, antes mesmo de ser eleito presidente do Senado.

Sarney ainda lembrou que, para conter a crise, foi necessário demitir diretores e afastar "bancos agiotas" da administração do Senado. Também defendeu os funcionários da Casa afirmando que as denúncias representam "injustiças com funcionários do Senado recrutados com recursos públicos".

Aos estudantes, Sarney voltou à história da Grécia antiga para lembrar a origem do Senado e defender a existência da Casa Legislativa. Citou senadores que marcaram a história do país desde a época do Império e refutou a ideia de se manter apenas a Câmara dos Deputados como representante do Poder Legislativo.

Após a palestra, rebateu a alegação de que a maioria dos cargos de diretor foi criado durante suas gestões anteriores e sim em 2001. "Não foi na minha gestão [que foram criados a maioria dos cargos]. Estão todos errados. Foi em 2001. Não posso dizer que não criei nenhuma diretoria porque não me lembro. Mas em 2001 foi que criaram grande parte", disse.

Ainda segundo Sarney, a mesa-diretora da Casa estuda realizar uma "pequena reforma" administrativa antes da conclusão de estudo contratado da FGV (Fundação Getúlio Vargas). As mudanças, no entanto, não terão a "magnitude" da reforma maior que será feita após o estudo.

Crise

Após uma série de denúncias, o Senado anunciou na semana passada a exoneração imediata de 50 dos 181 diretores que integram o comando da Casa Legislativa. Alguns diretores do Senado chegam a receber salários de R$ 18 mil, além de gratificações de R$ 2.000 pelos cargos de chefia.

No início do mês, Agaciel Maia, então diretor-geral do Senado, deixou o cargo após revelação que ele não registrou em cartório uma casa avaliada em R$ 5 milhões.

Há duas semanas, o diretor de Recursos Humanos do Senado, José Carlos Zoghbi, pediu exoneração depois de ser acusado de ceder um apartamento funcional para parentes que não trabalhavam no Congresso.

Também mostrou que mais de 3.000 funcionários da Casa receberam horas extras durante o recesso parlamentar de janeiro. O Ministério Público Federal cobrou explicações da Casa sobre o pagamento das horas extras trabalhadas no recesso.

A senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), líder do governo no Congresso, é acusada de usar em março parte da cota de passagens do Senado para custear a viagem de sete parentes, amigos e empresários do Maranhão para Brasília. Por meio de sua assessoria, a senadora disse que nenhum dos integrantes da lista de supostos beneficiados com as passagens viajou às custas do Senado.

Fonte: Folha OnLine