Brasil

20/03/2009 às 08h58

Tucano diz ver viés político em declarações de Protógenes

Redação Portal A8

O deputado federal Vanderlei Macris (PSDB-SP), membro da CPI dos Grampos na Câmara, afirmou nesta quinta-feira ver um "viés politizado" nas recentes declarações do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, mentor da Operação Satiagraha. Em nota, sugere interesses políticos no material apreendido na casa do delegado pela PF.

"Protógenes começa a desacreditar as suas convicções quando entra no terreno da política e esquece sua tarefa principal de delegado-investigador. Começo a ter dúvidas se todo o arsenal de escutas telefônicas apreendido em sua casa pela Polícia Federal não era arquivo a ser usado a serviço de algum projeto político", afirma o deputado tucano.

Protógenes é investigado por eventuais irregularidades na condução da primeira fase da Operação Satiagraha, que investiga supostos crimes financeiros atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Nesta quarta-feira (18), ele foi indiciado pela PF pelos crimes de violação da lei de interceptação e quebra de sigilo funcional. A defesa do delegado afirma que vai comprovar a legalidade de toda a operação policial.

Em entrevista nesta quinta-feira, o delegado fez críticas a tucanos como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ao governador de São Paulo, José Serra, que tiveram seus nomes na lista de supostos "grampeados" pelo delegado.

"Acredito que a sua manifestação [de FHC] foi inadequada para um homem público. Ele tem responsabilidades inerentes e sabe de suas relações na estrutura do Estado e com o setor privado. Ele tem que ter a consciência disso. Para uma pessoa que não acredita em Deus, é de se esperar que ele tenha esse tipo de atitude", disse Protógenes, rebatendo a afirmação de FHC de que o delegado é o "escutador geral da República".

Já no caso de Serra, Protógenes lembrou a recente crise envolvendo o ex-secretário adjunto de Segurança Pública Lauro Malheiros Neto para criticar o tucano. "Acredito que a segurança pública do Estado retrata bem o que é hoje o governo Serra em São Paulo", disse Protógenes.

Protógenes admite convites para ingressar em partidos, mas nega a intenção de disputar qualquer cargo político em 2010. "Não tenho filiação, nem vinculação partidária. Fui procurado por muitos partidos interessados em uma candidatura", disse o delegado, que costuma aparecer em eventos do PSOL pelo país.

Fonte: Folha Online