Brasil

27/02/2009 às 09h11

Câmara da Itália aprova moção que pede extradição de Battisti

Governo brasileiro concedeu status de refugiado político ao italiano ex-ativista em janeiro deste ano

Redação Portal A8

A Câmara dos Deputados da Itália aprovou nesta quinta-feira, 26, por unanimidade uma moção que pede a intervenção do governo italiano para obter do Brasil a anulação do refúgio político concedido ao ex-ativista Cesare Battisti, o que impede a sua extradição. Segundo informações da Agência Ansa, os parlamentares criticaram também refúgio a outros acusados de terrorismo na Itália. Com o status de refugiado político, Cesare não pode ser extraditado.

O debate que precedeu a votação em plenário foi protagonizado pelos deputados do Partido Democrata (PD), de oposição, Giovanni Bachelet e Olga D`Antona, ambos familiares de vítimas de lutas políticas travadas no país.

"Infelizmente na França e no Brasil há uma ideia completamente errada do terrorismo italiano", ressaltou D`Antona, que pediu à França que extradite ex-militantes de esquerda que ainda estão no país, como Marina Petrella, ex-integrante das Brigadas Vermelhas.

Battisti foi preso preventivamente no Brasil, em abril de 2007, e segue detido na Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal, à espera da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o processo de extradição, após a concessão do refúgio pelo governo brasileiro, no dia 13 de janeiro. Dois dias depois, a defesa de Battisti entrou com uma petição no STF para que o tribunal autorizasse a saída do italiano da prisão.

O governo brasileiro concedeu status de refugiado político ao italiano Cesare Battisti em janeiro deste ano. A decisão provocou reações da Itália, que pediu a extradição do ex-ativista de esquerda acusado de quatro crimes no país.

A decisão, tomada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, fez com que a Itália chamasse de volta o seu embaixador no Brasil para consultas. Hoje, o ministro negou que haja uma "crise" entre os países.

Battisti é condenado à prisão perpétua pela Justiça de Milão por quatro "homicídios hediondos", contra um guarda carcerário, um agente de polícia, um militante neofascista e um joalheiro.

Fonte: Estadão