Brasil

26/02/2009 às 08h55

Impasse na disputa das comissões paralisa atividades do Senado

Líderes se recusam a iniciar as atividades da Casa antes de concluído o loteamento das comissões

Redação Portal A8

O impasse provocado pela vontade do ex-presidente da República e senador Fernando Collor (PTB-AL) de presidir uma das 11 comissões técnicas do Senado continua paralisando as atividades do Senado. É que os líderes se recusam a iniciar as atividades da Casa antes de concluído o loteamento das comissões. Já o PTB insiste para que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), cumpram o compromisso de ceder uma comissão a Collor. O senador alagoano queria a presidência da Comissão de Relações Exteriores (CRE), mas foi obrigado a desistir, quando confrontado com a decisão do PSDB em não abrir mão do cargo.

Encarregado de mediar a questão, o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), acredita que na próxima terça-feira os líderes chegarão a um acordo. "Quem tem prazo, não tem pressa, estamos trabalhando para chegar a um entendimento", afirma. Jucá diz que atua para impedir que o "confronto" deixe reflexos negativos, "deixe cicatrizes" na base do governo. Ou seja, que o PTB possa retaliar o Planalto, desviando os sete votos da bancada para a oposição. Não fosse isso, o partido teria de se conformar com a última escolha, com o que restasse das presidências de comissões.

A disputa ocorre agora com o PT. O partido do presidente Lula está sendo pressionado a dar a Collor a presidência da Comissão de Infraestrutura, inicialmente prevista para a ex-líder do bloco de apoio do governo, Ideli Salvatti (SC). A comissão cresceu de importância porque é lá que serão examinadas as propostas relacionadas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os petistas resistem, mas tudo leva a crer que caberá ao partido mais próximo do Planalto encontrar uma solução.

Rifa - Entre as saídas examinadas para resolver a questão esteve a de "rifar" a promessa de dar a presidência da Comissões de Assuntos Econômicos (CAE) ao ex-presidente do Senado Garibaldi Alves (PMDB-RN). Com isso, a CAE ficaria com o PT e Garibaldi receberia como prêmio de consolação a presidência da Comissão Mista de Orçamento. Ele rejeitou o arranjo. "Olha, eu estou me sentindo como marido traído, sou o último a saber", comentou e logo passou a agir para derrubar a operação. Jucá não revela que estratégia vai usar para "acalmar" a base de apoio do Lula. Ele apenas repete que "tudo vai acabar bem, tudo será resolvido".

Fonte: Estadão