Economia e Inovação

Por: Sudanês B. Pereira

01/01/2019

Principais Tendências Globais de Consumo em 2021

A empresa de pesquisa de mercado global Euromonitor International divulgou o Relatório “10 Principais Tendências Globais de Consumo 2021- Top 10 Global Consumer Trends 2021”, na qual revela as tendências que definirão o comportamento do consumidor e influenciarão as estratégias empresariais este ano.

As tendências fornecem insights sobre as transformações nos valores e no comportamento dos consumidores e como deverão estimular a disrupção nos negócios em todo mundo.

A pandemia do coronavírus (COVID-19) afetou a todos e foi necessário nos adaptar. Novos hábitos se consolidaram rapidamente e nossos comportamentos e modelos de consumo mudaram. Segundo a pesquisa, resiliência e adaptabilidade são os fatores mais determinantes das principais tendências globais de consumo para 2021. Eis as tendências por blocos de insights.

1 - Reconstruir o Melhor - Uma Segunda Oportunidade de Criar um Futuro Melhor

As empresas devem colaborar para a criação de um mundo mais sustentável, promovendo a mudança de uma economia baseada em volume para uma baseada em valor, contribuindo para a solução da desigualdade social e dos danos ambientais. Os consumidores esperam iniciativas orientadas por propósitos que apoiem o tripé da sustentabilidade – pessoas, planeta e lucros.

Um fator interessante apontado na pesquisa foi a possibilidade de um “grande recomeço do comportamento”. A pandemia causou profundo impacto sobre as necessidades e os hábitos de compra das pessoas, isso pode permitir mudanças significativas de comportamento. A tendência é que os consumidores escolham marcas que ajudem a fazer do mundo um lugar mais limpo, saudável, resiliente e justo.

2 - Desejo por Conveniência - Da Disponibilidade em Tempo Integral às Experiências Planejadas

No mundo pré-pandemia, os consumidores tinham o desejo por conveniência, e algumas delas passavam até despercebidas, a tendência tende a permanecer. Porém, o relatório mostra que há uma pressão para que as empresas adaptem rapidamente suas operações, desenvolvendo novas experiências para o cliente mais, enquanto preserva os níveis de conveniência. As empresas devem manter a agilidade e a continuidade da jornada de compra em todos os canais. Já é fato que o comércio digital passou a oferecer uma experiência completa sem a interação física.

O relatório da Euromonitor estima que, como os gastos dos consumidores diminuirão, acompanhando a crise econômica, a conveniência terá um grande peso nas decisões de compra. Os consumidores terão o desejo por Conveniência e escolherão empresas que priorizem a segurança e minimizem as mudanças nas preferências e padrões de compra.

3 - Oásis ao Ar Livre - Locais Abertos são Refúgios para os Consumidores Confinados

A pandemia trouxe riscos à saúde e problemas sanitários, provocando mudanças na rotina laboral, como as restrições de mobilidade e a disseminação do trabalho remoto.

As empresas adotaram medidas sanitárias e começaram a realizar eventos ao ar livre para que os consumidores se sentissem mais seguros e à vontade fora de casa. Segundo o estudo, os consumidores ainda querem se socializar e estabelecer laços, apesar dos riscos associados às aglomerações. O Oásis ao Ar Livre - locais abertos onde se pode comer, fazer exercícios, socializar e relaxar -, oferece uma mudança de cenário e um local para fazer conexões longe das multidões.

Ainda sob essa ótica, as perspectivas são a de que as empresas poderão replicar suas unidades internas em espaços abertos, construindo estruturas temporárias e aperfeiçoando sua infraestrutura. Integrar os recursos do “Oásis ao Ar Livre” será essencial para que as organizações dos setores de lazer e entretenimento, atraiam novos clientes e consolidem a fidelidade deles.

4 - Realidade Figital – Quando os mundos Físico e Digital se Encontram

Essa é uma tendência que vai continuar, a interligação do físico com o digital. Segundo a Euromonitor, a Realidade Figital é um modelo híbrido formado pelos mundos físico e virtual, em que os consumidores podem viver, trabalhar, fazer compras e se divertir, fisicamente e online.

Considerando essa realidade, a pesquisa aponta que as empresas podem integrar processos virtuais nos espaços físicos para oferecer o conforto de uma visita, aos consumidores que preferem ficar em casa. Nesse sentido, a oferta de experiências virtuais nos lares é crucial para impulsionar as vendas online e a coleta de dados.

A pandemia forçou os consumidores a usar tecnologias digitais como, videoconferência, aparelhos inteligentes, realidade aumentada (RA) e realidade virtual (RV). Foram essas ferramentas que permitiram a viabilidade da Realidade Figital, que mantém os consumidores conectados virtualmente ao mundo exterior, apesar da distância física.

Um exemplo disso foi a geração de US$ 15,8 bilhões de vendas online globais de acessórios pessoais em 2020. O gráfico 1 abaixo ilustra as vendas do comércio digital global por dispositivo, no período de 2016-2019. É possível observar que as vendas através de celulares saíram de 38% em 2016 para 50% em 2019. De longe, essa é a segunda plataforma de vendas mais importante depois dos PCs.

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Vendas comércio digital

Ainda em relação a realidade digital, o estudo sinalizou que em busca de conveniência e entretenimento, os consumidores seguirão seus novos hábitos e participarão cada vez mais de eventos e interações virtuais. Portanto, as ferramentas virtuais serão fatores determinantes nas operações das empresas. Integrar processos virtuais aos locais físicos será fundamental, pois a integração da realidade figital continuará impulsionando as vendas e viabilizando a coleta de dados, tanto online quanto na loja física.

5 - Otimizando o Tempo - A Nova Flexibilidade Potencializa as Agendas

Essa tendência aponta para a necessidades de atender às demandas individuais de tempo. Ou seja, as empresas devem propor soluções que atendam ao desejo do consumidor de otimizar seu tempo, oferecendo uma maior flexibilidade, especialmente com relação a produtos e serviços acessíveis a partir da casa do cliente ou nas proximidades.

Segundo a pesquisa, essa tendência seguirá em alta, pois os consumidores continuarão passando mais tempo em casa e viajando menos. Essa nova realidade vai mudar o modelo de operação das empresas, que precisarão adotar uma cultura de serviços disponíveis 24 horas.

Nesse sentido, as empresas devem observar a forma como os clientes alocam seu tempo para reposicionar melhor os produtos e serviços e desenvolver novas soluções. Com a cultura de serviços disponíveis 24 horas, as empresas poderão personalizar e fornecer um atendimento compatível com as agendas dos consumidores.

6 - Inquietos e Rebeldes – O Povo contra os Políticos

Em 2020, 29% dos consumidores globais estavam ativamente envolvidos em questões políticas e sociais. Os preconceitos e a desinformação causaram uma crise de confiança.

O estudo sugere que as empresas podem realizar ações de marketing mais precisas nas redes sociais e no mundo dos games, dando voz aos consumidores e pressionando as plataformas a combaterem a desinformação em 2021. Em 2020, 37% dos consumidores compartilharam seus dados para receber ofertas personalizadas.

A pesquisa diz que as experiências virtuais online continuarão relevantes, e as empresas sofrerão perdas se não considerarem estas possibilidades de crescimento e branding.

7 - Obsessão por Segurança – As Novas Prioridades são Segurança e Higiene

Uma coisa é fato, segurança e saúde nortearão o comportamento dos consumidores. As empresas devem implementar inovações e medidas estritas de segurança voltadas para a mitigação das preocupações dos consumidores.

A pesquisa mostrou que os questionamentos em torno da origem e da entrega dos produtos e serviços (rastreamento) estão elevando os padrões de segurança nos negócios. Além disso, métodos de pagamento sem contato também estão em alta devido ao medo de lidar com o dinheiro sujo. As necessidades dos consumidores evoluirão da higiene básica para a saúde geral.

E atenção: vendas online e operações autônomas serão adotadas amplamente, onde for possível minimizar as interações humanas desnecessárias.

8 - Abalados e Reflexivos – Superando as Adversidades

A pandemia mudou a rotina e o cotidiano das pessoas, limitando suas experiências, provocando mudanças comportamentais e causando choques nas economias.

Do ponto de vista da saúde, a pandemia da Covid-19 trouxe novos fatores de estresse - riscos à saúde, desemprego, dificuldades econômicas, isolamento, alterações radicais nas rotinas e demandas por novas funções e habilidades.

Os consumidores estão abalados e reflexivos, reavaliando suas prioridades e identidades, reformulando o equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal, explorando novos hobbies em um mundo caracterizado pelo distanciamento social. A pesquisa aponta que o bem-sestar psicológico está sendo a principal prioridade dos consumidores. Cerca de 73% dos consumidores mencionaram que a depressão e a saúde mental exercem um impacto moderado ou grave em suas vidas.

Um dado importante divulgado na pesquisa, mostrou que antes da pandemia cerca de 46% das pessoas vinculadas à Geração Z e 50% dos millennials, preferiam gastar seu dinheiro com experiências em vez de objetos. O relatório sinalizou que haverá uma grande demanda por produtos relacionados a artes e artesanato, equipamentos esportivos e cursos online. Podemos dizer que são investimentos em habilidades e produtos que desenvolvam a resiliência dos consumidores a crescer após a crise. A tendência é ofertar experiências que permitam uma vida mais plena com melhor saúde mental.

9 - A Ordem é Pechinchar – Pensando com Uma Mentalidade de Recessão

Constatou-se na pesquisa que os consumidores estão cautelosos e moderados. Os gastos com supérfluos estão diminuindo devido às incertezas no cenário econômico. O momento é de priorizar produtos e serviços de valor agregado, alinhados às medidas sanitárias vigentes.

Cerca de 49% dos consumidores pretendiam, no início de 2020, economizar mais dinheiro nos próximos 12 meses. A perspectiva é que a insegurança financeira vai adiar as compras de alto valor, e os produtos supérfluos serão os mais impactados pela pandemia. Os itens essenciais sofrerão menos impactos. Os consumidores com consciência de valor estão movimentando a economia do compartilhamento e repensando aluguéis, revendas e negócios de remodelação com marketing focado na acessibilidade e sustentabilidade.

Ou seja, o ambiente econômico continuará influenciando os gastos dos consumidores. Mas a pesquisa deixou claro que não existe uma abordagem aplicável a todos os casos. As marcas devem encontrar soluções inovadoras para recuperar valor e otimizar a equação preço-valor. Conveniência, maior presença online, entregas rápidas e serviços complementares são opções ao alcance das empresas para atingir este resultado.

10 - Novos Espaços de Trabalho - Recriando o Ambiente do Escritório à Distância


Mais da metade dos consumidores globais (52%) tinham, até então, uma fronteira ou limite estrito, entre o trabalho (ou a escola) e a vida pessoal. A expressão “fora do escritório” ganhou um novo significado em 2020.

A disseminação da Covid-19 provocou as medidas de distanciamento social e levou quase todos os trabalhadores a adotar o home office. A eliminação dos deslocamentos e dos escritórios convencionais diminui a ocorrência de eventos como tomar um café, resolver pendências na hora do almoço e a socialização com colegas depois do expediente. O foco das inovações tecnológicas está em facilitar a colaboração remota.

Segundo o Relatório, o desafio de implementar operações totalmente remotas sem perda de produtividade resultará na popularização dos locais de trabalho híbridos. Encontrar o ponto de equilíbrio entre as prioridades profissionais e pessoais será fundamental, pois a eficiência da empresa e o bem-estar psicológico das pessoas dependem do sucesso destes Novos Espaços de Trabalho.

Bem, essas são as tendências globais para o consumo em 2021. A pesquisa da Euromonitor conclui que as iniciativas focadas em responsabilidade e propósito mobilizarão os consumidores em 2021. Flexibilidade, agilidade, transparência e tecnologia abrirão o caminho.

Sobre o blog

Economista, com formação na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Mestre em Geografia (desenvolvimento regional) e Especialista em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Experiências no setor governamental (municipal e estadual), setor privado (Associação Comercial Empresarial de Sergipe - ACESE e Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo - Fecomércio), foi professora substituta no Departamento de Economia na UFS, pesquisadora e uma das fundadoras do Núcleo de Propriedade Intelectual, hoje Cintec-UFS.

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