Sergipe

26/12/2016 às 09h34

Produção de arroz em Sergipe deve ultrapassar 30 mil toneladas

ASN

Da escolha da semente, passando pela etapa da compra, entrega e fornecimento do apoio técnico. É dessa forma que o Governo do Estado auxilia os produtores de arroz do Baixo São Francisco. Através do abastecimento de sementes de qualidade, disponibilização de auxílio aos trabalhadores rurais, e no incentivo para a produção, por meio de assinatura de Planos de Investimento Produtivo, os rizicultores despontam mais uma vez como destaque no cenário do arroz, devido a previsão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) de que eles ultrapassem a produção de 30 mil toneladas. Apenas neste ano, os investimentos do governo no setor foram de R$ 1.606.231,83, beneficiando centenas de famílias.

A produtora Maria Carlinda dos Santos, 70, é a prova de que os investimentos do governo fazem a diferença na região. Ela conta que a entrega de sementes de boa qualidade é um dos motivos para que a produção no Baixo São Francisco obtivesse destaque, e que, através do Plano de Investimento para a Associação dos Pequenos Agricultores, assinado nesta sexta, 16, por Jackson Barreto em Ilha das Flores, será possível alterar o manejo da produção, deixando de utilizar agrotóxicos, para plantar de forma saudável.

É através da rizicultura que Maria Carlinda conseguiu que todos os seus filhos e também netos conquistassem boas perspectivas para o futuro. “Sinto-me feliz em plantar arroz. Foi através disso que consegui educar meus sete filhos. Três deles hoje são professores, uma é enfermeira e outro se formou em contabilidade, mas trabalha com arroz. Além disso, tenho duas netas que passaram no vestibular para engenharia civil e medicina veterinária. Sinto-me honrada em dizer que não tenho filho analfabeto. Sou uma pessoa de 70 anos que conseguiu administrar uma roça de arroz, e tenho orgulho de dizer que não tenho riqueza, mais dei estudo para todos eles”, relatou, acrescentando que outro prazer que a produção de arroz lhe proporciona é ver o grão colhido e servido na mesa do povo.

A agricultora é um dos exemplos dos mil produtores beneficiados com a entrega de 400 toneladas de sementes de arroz neste ano. O governo promoveu o incentivo à rizicultura através do programa de aquisição e distribuição de sementes certificadas. Foram R$ 1.349.000 investidos, recursos do Fundo Estadual de Combate à Pobreza. Somente o perímetro Irrigado do Betume, que abrange Ilha das Flores, além dos municípios de Pacatuba e Neópolis, recebeu 227 toneladas, destinadas a 695 famílias.

O presidente da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), Jefferson Feitoza, explica que o suporte oferecido pelo governo aos rizicultores inicia na primeira etapa da produção, no momento da definição das sementes a serem compradas. Ele explica que essa fase é realizada, por meio de reuniões, junto aos agricultores. Ele também conta que, antes da ajuda do Estado, os produtores produziam apenas 3 mil por hectare e não tinham para quem vender a colheita.

“Conseguimos convencê-los que era preciso comercializar o arroz de forma organizada. Então, levamos a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) até eles e mudamos a relação de comércio. Depois disso, a região oferece preço diferenciado e a forma de pagamento mudou. Por isso, posso dizer que o Baixo São Francisco atualmente desenvolve uma produção viável e que a mudança da relação de trabalho deles foi significativa. Outro detalhe é que a produtividade [relação entre a produção e o tamanho da área] sergipana é tão alta quanto a dos estados do sul do país”, comentou o presidente da Emdagro.

Segundo o produtor rural Carlos Alberto de Freitas, o incentivo do Estado faz toda a diferença no plantio do arroz. “Antes produzíamos muito pouco. Se não fosse o governo, que manda semente de alta qualidade, não teríamos esse cultivo. Graças a Deus estamos conseguindo atingir mais de 10 mil por hectare e, devido ao incentivo estadual, conseguimos produzir e educar nossos filhos”. 

Para ajudar os rizicultores, o Governo do Estado disponibiliza uma colheitadeira de arroz. O equipamento moderniza a produção do Baixo São Francisco, facilitando a comercialização. O aparelho está disponível desde 2015, através de R$ 384.000 de investimento. Outro benefício para os agricultores é a conquista de uma balança. O secretário de Estado da Agricultura, Esmeraldo Leal, explica que o aparelho é disponibilizado por meio de projeto em parceria com o Governo Federal, via o extinto Ministério do Desenvolvimento Agrário, e que os recursos para a aquisição são fonte da emenda do deputado federal João Daniel.

“A balança é uma conquista do território e fica à disposição do Baixo São Francisco. Através dela, os produtores terão a oportunidade de pesar a produção na própria região. Antes do equipamento, a produção era levada para outro estado, e não havia controle. Com a balança, o cenário muda, de modo que agora é possível reduzir o preço da colheita, e sair com o arroz pesado na área”, destacou Esmeraldo Leal.

O secretário de Agricultura também falou sobre o recorde da produção para 2016/2017. “A força do Baixo São Francisco é o arroz. É algo simbólico para a região, que caminha para vencer outro recorde, graças ao apoio do Governo do Estado, que trouxe sementes de qualidade. É comum visitarmos as áreas e ouvir de todos os produtores que a semente foi essencial e decisiva para termos essa produtividade”.

Plano de negócios

O Plano de Investimento Produtivo assinado no dia, 16, pelo governador Jackson Barreto, e que beneficia a Associação dos Pequenos Agricultores do Estado de Sergipe, recebe 257.231,83 de investimento e objetiva a implantação de um projeto de rizicultura. A iniciativa integra as ações do Programa Dom Távora, que atua para incrementar negócios na área rural, com foco nas cadeias produtivas e na sustentabilidade.

De acordo com a representante da Associação dos Pequenos Agricultores, Inês Martins, a realidade do Baixo São Francisco é marcada atualmente pelo consumo de agrotóxicos, e que, através do plano de negócios implementado pelo governo, o modelo de produção vai ser alterado, melhorando a vida das famílias que trabalham com a rizicultura.

“Atualmente, uma pessoa consome mais de 5 litros de agrotóxico por dia, e uma das nossas grandes preocupações é com a saúde da população. Então estamos trabalhando para a transição de modelo atual, deixando o uso de agrotóxico e passando a realizar um trabalho ecológico. Temos expectativa que a implantação do plano de negócios mude a perspectiva das pessoas e do rio São Francisco, que acaba recebendo produtos químicos, e que ajude na auto sustentação das famílias. O projeto assinado pelo governo vai trazer muitos benefícios, incluindo a melhoria da renda”, explicou Inês.

O rizicultor Cícero Carlos, 55, conta que o objetivo dos produtores é minimizar o impacto ambiental e produzir alimentos com mais qualidade. “O plano de negócios é a nossa esperança para o futuro. A assistência técnica que vamos receber dela vai nos ajudar na revitalização do rio. E estamos realmente preocupados com isso. Há 18 anos usamos agrotóxicos aqui e queremos recomeçar”, pontuou.

Através do Dom Távora, os rizicultores terão acesso a equipe especializada para realizar o acompanhamento da produção, segundo explica Esmeraldo Leal. Ele ainda afirma que, inicialmente, o projeto atenderá a 17 famílias, mas que mais associações comunitárias do campo podem pleitear a participação. “Temos todo o ano de 2017 para receber solicitações. A ideia é que comunidades nos procurem, para que possamos transformar suas ideias em planos e possamos financiá-las”, orientou.

O governador Jackson Barreto conta que o projeto inicial do Dom Távora não abrangia o Baixo São Francisco, e que houve esforço para que a região fosse incluída. Ainda de acordo com o governador, o investimento na área sempre foi prioridade do Estado, devido ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) apresentado, e pela grande potencialidade econômica que o Baixo São Francisco demonstra.

“No início de 2016, foram R$ 1,3 milhão que eu trouxe para a região para beneficiar os rizicultores. Foram 400 toneladas de arroz de primeira qualidade, de modo que os produtores terão a melhor safra da história da região. Agora, no final do mesmo ano, chegamos com mais dinheiro, totalizando quase R$ 2 milhões que o governo traz para gerar renda, melhorar a qualidade de vida e oferecer trabalho para a pessoa está aqui produzindo, comendo três vezes por dia e dando dignidade a sua família. É dinheiro injetado para fortalecer a caminhada do povo”, ressaltou Jackson Barreto.

Há cinco anos os rizicultores recebem sementes do governo, de acordo com o agricultor Cícero Carlos. “No perímetro irrigado Betume produzimos acima de 20 mil toneladas de arroz, que é levado, atualmente, para o Ceará, Pernambuco e um pouco para o município de Propriá. E queremos incluir o arroz na merenda escolar. Graças a essa ajuda do Estado e a bravura do produtor, estamos tendo boa produtividade”, disse.


Fonte: ASN