Sergipe

08/09/2016 às 15h44

Governo anuncia convocação dos últimos excedentes da Polícia Militar

ASN

O governador Jackson Barreto concedeu entrevista ao programa radiofônico Fala Sergipe, apresentado por Gilmar Carvalho, na manhã desta quinta-feira (08) e anunciou que irá convocar os 357 últimos excedentes do concurso da Polícia Militar (PM). O curso de formação está previsto para janeiro de 2017. Jackson também destacou que adquiriu recursos na faixa de R$ 16 milhões para realização da obra definitiva da adutora do São Francisco, que se rompeu ano passado e atualmente operapor meio de intervenção emergencial e provisória. A ordem de serviço está prevista para ser assinada até a próxima segunda, 12, e os trabalhos devem ter início já na próxima semana.

“Já houve determinação minha que todo aquele pessoal da PM, a partir de outubro, seja chamado para entrega de documentos. Para isso, estaremos enviando agora em setembro para a Assembleia Legislativa o projeto estabelecendo bolsa de estudo para curso do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP) e, a partir de janeiro, todos serão convocados para essa iniciativa. Com a conclusão, os excedentes serão integrados a PM. Ou seja, o Governo do Estado fez concurso para 600, coloca o dobro, e ainda chama mais. Com relação a Polícia Civil, estamos convocando dentro das nossas possibilidades. A população está vendo, e os aprovados no concurso também, que já ultrapassamos a casa dos 100 convocados, prevista no edital do concurso da Polícia Civil”, declarou o governador.

O pagamento do subsídio e a progressão da Polícia Militar também foram tema da entrevista. Sobre isso, Jackson Barreto comentou que na segunda quinzena de setembro será enviado projeto para Assembleia Legislativa. Ele ainda disse que os militares terão acesso as informações relativas ao assunto e que a intermediação se dará por meio do comandante geral da PM, Marcony Cabral.

“Esse é o momento de dialogar. Há dois anos, a PM não reivindicou do governador o subsídio, enquanto as outras categorias pediam Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV), e solicitou que as promoções fossem destravadas. E eu fiz de uma só vez mil ascensões, de modo que, naquele momento nós atendemos a polícia. Agora é outro pleito. Estou tendo compreensão com relação a polícia, mas peço calma e paciência, pois temos dificuldades”, complementou Jackson.  

Abastecimento de água

O governador aproveitou a entrevista para anunciar a aquisição de recursos de cerca de R$ 16 milhões para realizar obra definitiva da adutora do São Francisco no trecho localizado no povoado Pedra Branca, em Laranjeiras. “Isso é trabalho do Governo do Estado buscando soluções para atender o problema da população. Vamos iniciar obra na próxima semana. Lançarei ordem de serviço até segunda e vamos reestabelecer de forma definitiva o abastecimento da Grande Aracaju, que atende aproximadamente um milhão de pessoas”.

Jackson Barreto também declarou que conseguiu, junto ao Governo Federal, mais R$ 10 milhões para intervenções na área de abastecimento de água. Os recursos vêm a Sergipe por meio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), e vão atender prioritariamente, a obra de captação de água no município de Telha. Essa obra também atende a Grande Aracaju e objetiva garantir o abastecimento da população, que poderá ser comprometido caso não ocorra a dragagem [utilização de máquinas para escavar um canal para que a água possa chegar ao ponto de captação] do rio São Francisco. “Por isso pedimos urgência a presidente do órgão, para que a população não fique ameaçada. São cerca de um milhão de pessoas atingidas com esse abastecimento. O processo está andando e espero que tenhamos solução rápida”, ressaltou o governador.

Captação de recursos

Em busca de medidas para driblar a crise que atinge Sergipe e outros estados brasileiros, Jackson Barreto comentou que esteve em Brasília nesta semana para, junto com governadores do Nordeste, Norte e Centro-Oeste, abrir negociações com o presidente da República. “Há mais ou menos três semanas, Temer disse que tão logo tivesse definição da situação política do país, nos receberia para tratar sobre renegociação das dívidas”, declarou, acrescentando que esteve com o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, para levar dois documentos com sugestões ao Governo Federal no sentido de viabilizar recursos.

“Deixei documento para ser entregue a Temer, no qual propomos que os recursos provenientes da repatriação no exterior, que estão sendo amplamente divulgados pelo próprio Ministério da Fazenda, possam ser utilizados nessa ajuda emergencial aos estados do Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Segundo o Governo Federal, as estimativas mais conservadoras do mercado preveem repatriação entre R$ 30 bilhões e R$ 70 bilhões. E os governadores estão pedindo ajuda imediata no valor de R$ 7 bilhões, conforme havia sido sinalizado pelo próprio presidente no início do mês de agosto. Acredito que Temer terá a sensibilidade que o momento impõe e dará condições para que os estados saiam dessas dificuldades extremas que essa crise econômica nacional nos colocou. Precisamos reverter esses recursos em benefício de nosso povo”, relatou Jackson.

A avaliação do governador é que, caso os recursos de repatriação sejam direcionados para os estados, Sergipe receba cerca de R$ 400 milhões, a serem destinados não só a folha salarial dos servidores, como para pagamento do décimo terceiro e de fornecedores, assim como recursos para secretarias que desenvolvem ações prioritárias. Jackson disse que, na próxima semana, estará novamente em Brasília para buscar audiência com Michel Temer e liberação dessa saída de emergência.

“O que queremos apenas é a boa vontade do Governo Federal, pois vamos entrar em colapso e é preciso que seja decretado estado de emergência geral, para pedir socorro e mostrar nossas dificuldades. Essa é uma situação que aflige várias localidades. É preciso que o presidente da República tome medida que atenda todos e não beneficie apenas alguns. Há um enorme desequilíbrio na distribuição das riquezas do país. Os estados mais ricos são os que mais se beneficiam das renegociações. Não temos nada contra eles, mas entendemos que também é preciso ter nossas reivindicações acatadas, pois, afinal de contas, temos responsabilidade com nossa gente e precisamos ter espaço financeiro para nos dedicarmos e melhorarmos a vida do povo”, enfatizou Jackson.

Além da utilização de recursos da repatriação no exterior, o governador sugeriu nesta semana em Brasília que o Governo Federal viabilize dinheiro através de emeda ao projeto de Lei Complementar (PLP) 257/ 2016 [que visa autorizar o refinanciamento da dívida dos estados e do Distrito Federal]. Outra sugestão de Jackson é a utilização de emenda já existente, que beneficiou o Rio de Janeiro com quase R$ 3 bilhões.

 


Fonte: ASN