Sergipe

13/01/2016 às 17h04

Bombeiro orienta banhistas e confirma que a praia da Coroa do Meio é perigosa

SSP/SE

O especialista em salvamento aquático do Corpo de Bombeiros, capitão Márcio Fábio Silva Caldas, confirma que o local onde há os maiores registros de afogamento em Aracaju se concentra na faixa de praia que vai do bairro Coroa do Meio até as proximidades dos Arcos da Orla, na praia de Atalaia. Na praia da Coroa do Meio, próximo à margem, uma equipe de mergulho do Corpo de Bombeiros já encontrou pontos com aproximadamente 30 metros de profundidade.

Para evitar os afogamentos, o Corpo de Bombeiros coloca bandeirolas vermelhas para indicar a existência de buracos e forte correnteza, mas muitos ignoram os avisos de perigo.

Segundo o capitão, o que torna essa faixa de mar tão perigosa é a forte influência do rio no comportamento da areia da praia. “A areia é transportada pelas águas que provocam aquelas “piscinas”, que são formadas quando a maré está baixa, onde as crianças geralmente ficam. Mas quando a maré está alta, aquela “piscina” se torna um perigo, daí é o momento onde colocamos as bandeirolas para sinalizar a ameaça”.

Além de princípio de afogamento, uma das ocorrências mais registradas pelos bombeiros no verão são de crianças perdidas. Para evitar esta situação, desde o dia 1º de janeiro, o Corpo de Bombeiros está distribuindo para os familiares pulseiras de identificação para as crianças. Somente entre setembro e novembro foram registrados 12 casos de crianças perdidas. Em todo o ano de 2015, o Corpo de Bombeiros contabilizou 19 ocorrências deste tipo.

Primeiros socorros

O capitão Márcio disse que é muito comum um banhista querer ajudar alguém que está se afogando, sobretudo quando se trata de idosos e crianças. “Contudo, solicitamos que os banhistas entrem em contato com o Bombeiro porque sempre haverá uma dupla de guarda-vidas nos arcos da orla e na Coroa do Meio. Se algum banhista entrar para fazer o socorro de alguma pessoa, ele deve ter autoconhecimento para não se colocar em risco. Tem que saber nadar, conversar com a vítima para ela não entrar em pânico e precisa ter algum apoio como uma boia ou uma toalha para não ter contato direto com a vítima. No mais, se a pessoa não tiver nenhum tipo de conhecimento é recomendado que não entre, pois poderá se tornar outra vítima”, garante.

Para o capitão, a falta de autoconhecimento para socorrer alguém pode ocasionar sérios problemas e afeta até mesmo profissionais com larga experiência. “Já aconteceu comigo que sou experiente, mas eu tenho um bom preparo físico e soube controlar a situação, deixando a vítima me “afogar” e depois, peguei a mão dela, entrei em contato visualmente e falei: “olha, tenha calma. Você está segura”. Mas uma pessoa que não tem experiência pode entrar em pânico e se tornar outra vítima”, afirma.

Atendimento ao afogado

Cerca de 90% das vítimas que são atendidas pelos bombeiros não precisam de atendimento médico porque foram resgatados no princípio do afogamento. “Normalmente, a vítima está falante, pedindo socorro e este socorro chega de imediato, seja pelos bombeiros ou por banhistas que estejam no local. Na maioria das vezes, as vítimas são crianças ou idosos. Como aqui, os buracos estão próximos das margens, as pessoas que tem menos agilidade motora são as principais vítimas”, pontua o capitão.

Os princípios de afogamento sem óbito ocorrem, normalmente, nos finais de semana, pois há um grande fluxo de pessoas no entorno. Já os casos com afogamento fatal ocorrem nos dias da semana, porque não há uma quantidade de banhistas no local. “São pessoas que normalmente não conhecem ou não respeitam a sinalização colocada no local e que entram mesmo assim. Como não há muitas pessoas na região, mesmo que a vítima solicite o socorro, provavelmente não será atendida, pois há poucas pessoas na praia”, enfatizou.

Treinamento

Todos os dias são feitos treinamentos de natação com os bombeiros na piscina do Clube do Banese e na própria da Coroa do Meio para que possa os socorristas conheçam o local e saibam acompanhar a maré e utilizá-la a seu favor. Os bombeiros também fazem corrida funcional em toda extensão da praia. “Fazemos todo tipo de treinamento aeróbico para mantermos o físico da melhor forma possível”.

Cuidados que as pessoas precisam tomar quando vão à praia:

*Os responsáveis devem verificar o local onde vão ficar na praia,

*Nunca deixar as crianças sem supervisão e não ficar muito longe delas, pois elas podem ter o impulso de entrar na água se ocorrer um princípio de afogamento.

*Observar se há guarda-vidas no local. Se não houver, verificar se aquele local é propício para banho. Como? Entrando na água, de forma lenta, e observando.

“Existe um local onde as ondas se quebram, deixando aquela espuma branca. Mas, se você observar, existem locais onde não tem a quebra da onda. Esses locais onde não quebra a onda e não forma espuma são mais profundos que o restante ao redor”, conclui.

 


Fonte: SSP/SE